Processo migratório do futebol

O Professional Football Players Observatory (PFPO), vinculado ao Centre for the Study of Sport (CIES) da Universidade de Neuchâtel, sempre produz estudos interessantes sobre o futebol. O último deles, divulgado há uma semana, analisa o processo migratório dos atletas profissionais pelo mundo.

Abaixo os principais dados, obtidos através da análise de todas transferências internacionais envolvendo 104 ligas de 69 países em 2010. Na sequência algumas observações:

– O Chipre é o país que mais importou jogadores, totalizando 219. Isso representa uma média de 7,8 por time;

– O Brasil lidera o ranking dos repatriados. Foram 135 atletas que retornaram ao futebol brasileiro, sendo dez somente para o Flamengo;

– As equipes brasileiras lideram, também, na média de idade dos jogadores importados, com 29 anos. Na outra ponta, os italianos são quem importam os mais novos em média: 22,8;

– No ranking da exportação, no topo: Brasil (280), Argentina (215) e Sérvia (150). Ou 27% de todos jogadores que deixam um país saem dos três citados;

– Meias e atacantes representam 63,5% das contratações mundiais. Entre os africanos exportados, o índice sobe para 81%. Os sul-americanos vêm abaixo com 69,2%;

– 241 jogadores deixaram os clubes ingleses em 2010, sendo 111 somente da Premier League – média de 5,5 por time;

– As maiores rotas de migrações entre países são: Brasil ↔ Portugal (95 ↔ 21), Inglaterra ↔ Escócia (67 ↔ 24) e Argentina ↔ Chile (56 ↔ 29);

– Das 69 federações analisadas, 58 contrataram jogadores brasileiros, o que deixa o país no topo da lista, seguido por Argentina (44), Sérvia (40), Croácia (36) e Nigéria (35);

– Depois de Portugal, quem mais importou atletas brasileiros foram: Coreia do Sul (15), Japão (14) e Irã (12).

Os dados são muito interessantes e mostram diversas tendências que surgiram nos últimos anos. Começando pelo fim, a rota migratória de brasileiros para o Oriente Médio e Japão/Coreia do Sul não para de crescer. Fazendo, também, um paralelo com o aumento da procura do Governo brasileiro nos negócios sul-sul.

O alto índice de saída dos jogadores do futebol inglês mostra a dificuldade de adaptação que existe para estrangeiros no football. Algo sempre falado por jogadores, e agora também demonstrado em números.

O fato de o Brasil liderar o índice de exportações não é surpresa, assim como a Argentina na sequência. Mas a Sérvia em terceiro comprova a alta qualidade de seus jogadores, mas a péssima organização de sua federação em montar uma seleção forte e competitiva. Talento não falta, mas competência é algo raro por lá.

O Brasil precisa ficar atento, também, à alta média de seus jogadores importados. Ao meu ver, e essa é uma visão bem particular, acho que o nosso país deveria exercer sua grandeza na área de transferências do futebol na América do Sul também. Assim como lideramos a economia e a política do continente, deveríamos ser mais atuantes na garimpagem de jovens talentos. Não acho que isso vá inibir a produção das jovens promessas brasileiras.

Outro dado muito interessante é o que comprova a preferência dos clubes em buscar atletas do meio e do ataque. Parece meio bobo, mas mostra que os times preferem gastar com jogadores que podem decidir uma partida a outros que focam somente a defesa. Demonstra um pouco o valor do jogo, mesmo em culturas diferentes e modos distintos de se ver e praticar o futebol.

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Equipe Trivela

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