Patrícia não pode falar em ética. E quem pode?

Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, falou em falta de ética do Fluminense na contratação de Thiago Neves? Não deveria falar. Não tem moral para falar. Foi ela que recorreu à cínica frase “quando o jogador quer sair não tem quem segure” para assediar descaradamente Kleber, que estava no Palmeiras. Não deu certo e o Gladiador que foge da briga foi parar no Grêmio. Interessante é que Patrícia, enquanto assediava Kléber, reclamou do modo grosseiro como Felipão referiu-se ao Flamengo. Algo do tipo “está devendo muito e não tem dinheiro para o Kléber”. Reclamou do tom, mas não desmentiu o assédio.

Ética é artigo raro entre os clubes brasileiros que gostam de tratar-se como “coirmãos” mas estão sempre com um punhal escondido, pronto para o traiçoeiro ataque. Se pensarmos apenas na atitude de procurar o jogador com um bom salário em vez de buscar uma negociação direta com o “coirmão” teremos muitos casos.

1) O Corinthians com Montillo. Para que negociar a multa com o Cruzeiro se é possível oferecer ótimos salários para o argentino e fazer valer a lei evocada por Patrícia: “se o jogador quer sair, não tem quem segure”. Mas, o Cruzeiro não fez o mesmo com o América Mineiro várias vezes?

2) Torcedores do São Paulo reclamam de Dagoberto, que deixou o clube em direção ao Inter. Mas não foi parecido há cinco anos, quando ele deixou o Atlético-PR?

3) O Palmeiras, que reclama do Flamengo, não fez uma ponte para ter Cafu?. O jogador deixou o São Paulo e foi para o Zaragoza. No contrato, havia uma cláusula dizendo que ele não poderia voltar a um clube paulista em menos de um ano. A Parmalat o levou para o Juventude. E dali para o Palmeiras. O São Paulo reclamou na Fifa e ganhou a causa. E mais US$ 1 milhão do Palmeiras.

Há casos e casos. Todo mundo vai se lembrar de um. O que não dá para entender é os clubes se submeterem a certo tipo de jogador. Cafu, por exemplo, nunca teve coragem de dizer que sabia da triangulação. E mesmo assim é bem recebido no São Paulo. Vale a pena brigar por Thiago Neves, o cara que assinou com o Palmeiras, recebeu um adianamento de R$ 400 mil e depois desistiu? E demorou para pagar o adiantamento. E Kleber, que estava no Cruzeiro e foi jogar bola com a Mancha, forçando a saída. No Palmeiras, fez de tudo para ir ao Flamengo. Quanto tempo vai durar no Grêmio.

Resvalar na ética por figurinhas desse naipe é sinal, além de frouxidão moral, de burrice mesmo.

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Equipe Trivela

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