Papua Nova Guiné: política no paraíso

Papua Nova Guiné, país localizado no extremo oeste da Oceania, não tem tradição nenhuma no futebol, sequer em âmbito continental – o que causa estranheza, já que é muito maior que os outros países da Oceania (exceto a Nova Zelândia). No entanto, suas estatísticas não são das piores, levando em conta que o selecionado quase nunca joga: chegou a vencer países que já estiveram em Copas do Mundo, como Nova Zelândia e Indonésia.

Quando não são os graves problemas políticos do país (a província de Bougainville luta para se separar desde os anos 70, o que provocou muitos atentados terroristas até 2000, quando o governo central reconheceu a região como autônoma semi-independente) que impedem a seleção de jogar, são brigas entre dirigentes que atrapalham as Aves do Paraíso.

Em 2007, por exemplo, o único jogo da seleção foi um amistoso contra as Ilhas Salomão, em 13 de julho, derrota por 2 a 1. Antes disso, o último jogo oficial havia acontecido em maio de 2004, na vitória por 4 a 1 contra Samoa, pelas eliminatórias para a Copa de 2006.

Agora, mais uma briga entre dirigentes alijou o time papuásio de um torneio importante. Como o presidente da Federação Nacional de Futebol e o presidente do Comitê Olímpico são politicamente inimigos, Papua não disputou a edição 2007 dos Jogos do Pacífico Sul, que foi a fase preliminar das eliminatórias da Oceania para a Copa de 2010.

Brasileiro comandava as Aves do Paraíso

A briga política fez com que o técnico de Papua, o brasileiro Marcos Gusmão, abandonasse o cargo. Ele desenvolvia um trabalho de estruturação de um futebol que só tem um campeonato semiprofissional organizado desde o ano passado, a Papua New Guinea National Soccer League (conhecida como PNGNSL). Basicamente, o futebol no país é organizado em inúmeros torneios regionalizados que levam a uma competição de âmbito nacional, como era no Brasil até a década de 80.

As ligas regionais são Highlands Region, Port Moresby, Lae, Lahi, Goroka, Mount Hagen, Wau, Wabag, Kimbe, Madang, Manus e East New Britain. O campeão do torneio que vem dessas ligas disputa o Overall Championship com o campeão da PNGNSL. Em 2006, o Overall Championship foi disputado entre University Port Moresby e PRK Souths United (que mudou o nome para Hekari United no começo de 2007), com vitória do Unviversity, o maior campeão nacional, mas que se mantém amador.

Com uma das mais ricas culturas de todo o mundo, Papua Nova Guiné, na Oceania, é um microcosmo do planeta Terra, em todos os sentidos. O país tem um ecossistema variadíssimo, devido à existência de ilhas vulcânicas, de extensas planícies, de florestas equatoriais, de atóis e de grandes cordilheiras (o ponto mais alto da Oceania, o Mount Wilhelm, com 4500 metros, fica em Papua).

Além disso, é grande a variedade étnica: são mais de 850 idiomas diferentes em menos de 6 milhões de habitantes. Isso talvez explique a dificuldade que se tem de juntar uma seleção para disputar torneios e mesmo fazer um torneio nacional de maior espectro. Geograficamente, é muito complicado movimentar-se pelo país, que tem uma rede viária paupérrima longe de Port Moresby, a capital.

Impulso para o futuro?

Apesar da seleção nacional jogar pouco, o futebol interno é muito movimentado. Com o já citado surgimento da PNGNSL, o esporte – que existe no país desde fins do século 19, quando alemães luteranos organizaram, nas minas de ouro da cidade de Wau, o primeiro torneio que se tem notícia na Papua Nova Guiné – pode ganhar um impulso em direção a vitórias futuras. A liga tem maior importância por ser reconhecida pela OFC, a Confederação de Futebol da Oceania, o que significa que os times locais irão disputar torneios continentais com mais freqüência, o que pode aumentar o intercâmbio.

Poucos jogadores podem ser considerados atletas de destaque no futebol papuo. O técnico alemão Jochen Figg chegou ao país na década de 80 para trazer desenvolvimento e organização, mas fracassou, sempre por problemas políticos: sua filha foi seqüestrada por rebeldes de Bougainville e depois dela libertada, a família foi embora de Papua.

Reginald Davani e Nathaniel Lepani são bons jogadores da seleção, tanto que os dois atuam na Nova Zelândia (Auckland City) e Austrália (Brisbane City) , respectivamente, o que para efeitos de Oceania, é um grande feito. Davani é o maior artilheiro das Aves do Paraíso, mesmo com apenas 22 anos, e é filho de John Davani, técnico do University Port Moresby e um dos mais vitoriosos treinadores de Papua Nova Guiné. Ele já dirigiu a seleção e é o favorito para suceder o brasileiro Gusmão.

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Equipe Trivela

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