Palavras no silêncio

A ordem partiu da cúpula mais alta do jornal e o “Sr. X” ficou imbuído de escrever sobre as maravilhas indescritíveis que o futebol propicia. Matéria chavão, carne de pescoço. Sábio nas palavras e atento ao ambiente que o cercava, “X” tinha percebido, há algum tempo, que estava a um passo de ser demitido. E na serenidade daqueles que sabem como a injustiça é retratada sob inúmeras formas, entre elas uma demissão, fez somente o que importava.

Veja bem, não tenho nada para escrever. O que eu posso fazer? Ressaltar a corrupção no futebol, destacar a desorganização dos campeonatos (tudo bem, eu sei que as coisas melhoraram, mas ainda estão ruins), falar do meu time que já teve épocas muito mais áureas? Pelo menos ele não está caindo pela tabela e aos pedaços.

Antes que achem que eu estou ficando louco, não é nada disso. Amo o futebol e será assim até o meu último dia por aqui. Mas ultimamente, tanta coisa tem sido dita e os absurdos proliferam de tal forma que o melhor é ficar quieto, mesmo que uma ou duas frases que você possa dizer tenha o verdadeiro valor da utilidade.

Sabe, é a precaução de não querer misturar o bom com o descartável e tudo se transformar em uma porcaria só e ser despejada no lixão da ignorância.

Talvez pensem que eu não esteja maluco, mas sim que não tenho mais noção do que é plausível ou não. Quer dizer, o ideal seria eu escrever uma metáfora sobre um jogador genial ou clube grande.

Mais ainda: narrar de maneira épica uma partida memorável e arrematar a história com um desfecho imprevisível, estupendo, que ressalte as virtudes do esporte bretão e infle o nosso orgulho por apreciar tanto este jogo, que carrega em si códigos de honra que muitas vezes, ditam a conduta de uma pessoa verdadeiramente honesta e íntegra no cotidiano.

Desculpem camaradas. Se estão procurando por algo grandioso, como essas hipóteses sugerem, não as encontrarão nestas parcas, mas sinceras linhas e palavras.

Mais do que escrever sobre epopéias do futebol e os seus heróis, em alguns momentos (isso, inclusive, vale para a nossa vida) devemos atentar que no meio de tanto barulho e disparates proferidos por aqueles que se julgam detentores do saber inquestionável e da razão, o silêncio e o vazio das palavras não valem ouro; tem um valor inestimável.

Os contextos são os mesmos, as ações não mudam jamais, os absurdos perdurarão eternamente e as previsões sobre resultados (muito mais errados do que certos), também.

Apenas os personagens mudam, o palco e a peça continuam. Relatar tudo isso e os acontecimentos intrínsecos a esse cotidiano é inigualável, o universo é muito rico.

Mas chega uma hora que o silêncio é necessário e todos deveriam fazer isso, para observar quantos absurdos são ditos e cometidos. E mais do que tudo, se precaver para não executá-los e achar que está ditando a nova ordem da crítica esportiva.

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Equipe Trivela

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