Osasuna: Vigor de Navarra

A história do Club Atlético Osasuna começa com um ponto de interrogação. A data de sua fundação causa divergências até hoje. Sabe-se o ano exato de seu surgimento: 1920, na cidade de Pamplona (província de Navarra, no nordeste da Espanha, vizinha ao País Basco). Porém, historiadores e imprensa locais discutem o dia e o mês desse fato. Alguns afirmam que o Osasuna nasceu em 17 de novembro; outros o adiantam para as primeiras semanas em outubro.

Dúvidas à parte, em uma reunião no antigo Café Kutz, situado na Plaza del Castillo, dirigentes de dois clubes de Pamplona decidiram pela fusão de suas equipes. Sportiva e New Club se uniram e formaram o novo time. Entretanto, faltava um nome para ele. A idéia partiu de Benjamin Andoian Martinez. Osasuna, no idioma basco, significa saúde, força ou vigor.

Integraram a primeira junta diretiva do clube três representantes do Sportiva e dois do New Club. Joaquim Rasero foi eleito o primeiro presidente. A partida de estréia do Osasuna aconteceu cinco dias depois. Os vermelhos venceram o amistoso contra uma seleção militar, no campo de Ensanche.

A primeira temporada do novo clube apresentou resultados bastante animadores. Foram 11 vitórias, seis empates e cinco derrotas. Nada mal para um recém-nascido. O campo de San Juan, onde o clube mandaria seus jogos, foi inaugurado em 21 de maio de 1922. Na partida de estréia, o Osasuna enfrentou – e venceu por 2 a 0 – o Arenas de Guecho, clube considerado como grande potência regional.

A entrada na liga espanhola

O futebol na Espanha ganhava ares profissionais nessa época. Até 1928, havia apenas a disputa de torneios regionais. Em novembro, a liga espanhola tomou corpo com a criação de três divisões nacionais, mas sem interromper as disputas dentro das regiões. Tanto que o Osasuna sagrou-se campeão pela Federação de Navarra em 1928/9 e 1938/9, além de ficar com o título pela Federação Guipuzcoana em 1939/40.

O clube de Pamplona ingressou na terceira divisão da liga para a disputa da temporada 1928/9. O Osasuna entrou em campo pela primeira vez na competição em 17 de fevereiro de 1929. Porém, veio uma derrota para o Zaragoza por 1 a 0. No final da temporada, o clube terminou em terceiro.

O Osasuna conseguiu subir em 1931/2, quando terminou em primeiro na liga, com 12 pontos (cinco vitórias, dois empates e uma derrota). A temporada de 1934/5 representou a ascensão do clube para a primeira divisão. Na copa da Espanha, o Osasuna repetiu o bom desempenho e chegou até as semifinais.

No ano seguinte, o time não resistiu aos clubes da elite e foi rebaixado, após terminar na lanterna (apenas sete vitórias e 15 derrotas). O período entre os grandes coincide com o início da Guerra Civil Espanhola, conflito que paralisou o campeonato nacional até 1939. Em seu retorno ao campeonato, o Osasuna manteve-se a duras penas. Em 1943/4, o clube trocou sua diretoria três vezes. O resultado refletiu-se em campo: rebaixamento mais uma vez. Cinco anos depois, voltou à segunda divisão.

O Real Madrid caiu no alçapão de San Juan

Após mais quatro anos, o Osasuna ganhou o título da Segundona e voltou para a elite. A euforia foi efêmera, pois no mesmo ano cumpriu campanha fraca na primeira divisão e, por isso, caiu. A torcida navarra comemorou a conquista de outra taça, em 1955/6, com o retorno garantido aos grandes. O clube vivia ótimo momento, pois suas contas se estabilizaram e obteve lucros seguidos.

Graças à situação econômica favorável, o time manteve-se por quatro anos na divisão principal. Obteve o quinto lugar em 1957/8 e transformou seu estádio em um alçapão. No San Juan, caíram Real Sociedad (3 a 0), Espanyol (3 a 2) e Sevilla (3 a 2), além dos poderosos Barcelona (1 a 0) e do estelar Real Madrid (1 a 0), do consagrado Di Stéfano.

Mas o sucesso durou pouco. A crise voltou a Pamplona em 1959/60, temporada na qual três técnicos passaram pelo Osasuna sem impedir nova queda. No ano seguinte, veio a redenção. A campanha impecável (21 vitórias, quatro empates e cinco derrotas, além de marcar 83 gols e sofrer apenas 25) credenciou o retorno mais uma vez à primeira divisão. Dois de seus jogadores despertaram o interesse do Real Madrid, que levou Ignacio Zoco e Félix Ruiz por 6 milhões de pesetas.

Outra vez, a equipe participou de forma discreta e caiu em 1962/3. O caldeirão de San Juan acabou sacrificado, vendido em 1966 para a Sociedade Navarra SA por 40 milhões de pesetas. O Osasuna ficou pouco tempo sem campo. Em 1967, o clube inaugurou o El Sadar, com capacidade para 25 mil espectadores. Também tiveram início as obras de seu parque de instalações junto ao estádio.

Copa UEFA, uma realidade

Após hiato de 17 anos, o Osasuna obteve o acesso à primeira divisão em 1979/80. Houve emoção para os torcedores vermelhos até a última rodada, quando o time foi a Múrcia para comemorar a vaga com um gol de Chuma Rández a poucos minutos do final. Finalmente o time conseguia se estabilizar na elite, por onde ficaria durante 14 anos.

O sonho de desenvolver as categorias de base concretizou-se em 1982/3, com a entrega das instalações de Tajonar, complexo com 80 mil metros quadrados dotado de toda a infra-estrutura necessária para receber a escolinha de futebol do clube. Poucos anos depois, dobrou de tamanho com a aquisição de terrenos próximos a ele.

A Copa UEFA deixou de ser uma utopia para o Osasuna. Graças à sexta colocação na temporada anterior, o clube disputou o torneio em 1986. Na primeira fase, eliminou o Rangers, mas caiu diante do belga Warengen. O time voltaria a disputar o torneio interclubes em 1991/2, quando terminou em quarto na temporada anterior do campeonato espanhol, a melhor posição em sua história.

Para a torcida, valeu mesmo a goleada no Espanhol sobre o Real Madrid por 4 a 0, com Jan Urban, autor de três gols, carregado nos braços. Na UEFA, o time superou Slavia Sofia e Stuttgart, mas esbarrou no Ajax, futuro campeão.

Depois do auge, a queda. Em 1993/4, em virtude de um processo de renovação, o Osasuna passou por instabilidades e caiu. Retornou em 1999/2000 à elite. Em fase de crescimento, o clube ampliou as instalações de Tajonar, com três novos campos e vestiários. Assim, o time tenta mais uma vez firmar seu lugar entre os grandes da Espanha.

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