O único dos moicanos

Neymar é um sujeito precoce. Não estou me referindo ao fato dele já ser pai, o que sinaliza apenas falta de planejamento sexual. Mas o rapaz completou (ontem) apenas 20 anos e a sensação é de que já o conhecemos há quase 10. Seu inegável talento o fez assumir responsabilidades cedo demais. Poderia facilmente ter se perdido por conta disso (estávamos criando um monstro?), mas botou a cabeça (enfeitada) no lugar e, de promessa, virou certeza em 2011. O que não justifica que um clube do porte do Santos jogue tanto peso nos ombros do rapaz.

OK, para pagar seu salário milionário, as contas ficam meio apertadas. No mesmo elenco, outros salários altos, como o de Elano, com Copa do Mundo nas costas (peso que não o atrapalhou na hora de pular o muro da casa da Nívea Stelmann), ou o de Paulo Henrique Ganso, de quem se espera, em 2012, a mesma reação e afirmação que Neymar teve no ano passado. No papel, até é um grupo de renome. Mas na prática, falta muita coisa a esse Santos, de defesa vulnerável e meio-campo preguiçoso.

Danilo se foi, Léo envelheceu: faltam laterais. Fucile renderá? Ele joga nas duas, mas, vale lembrar aos mais desatentos: não ao mesmo tempo. Muricy é famoso por formar defesas seguras, mas sem material humano, não há “aqui é trabalho, meu filho” que dê jeito. Bruno Rodrigo, Edu Dracena e Durval não passam segurança a ninguém. Adriano, o cão-de-guarda do meio-campo, continua lesionado e o Santos, que foi ao mundial sem um jogador que pudesse substituí-lo, facilitando o passeio do Barcelona, simplesmente não se mexeu para repor essa perda.

Além da afirmação de Ganso, cujo talento vem sido vencido por problemas extra-campo e uma certa dose de preguiça, se espera uma melhora de Elano, de Íbson e de Henrique, que têm a função relativamente tranquila de dar suporte para que os meninos da Vila joguem mais soltos, mas só têm os sobrecarregado. O Santos continua favorito à Libertadores, por ter aquele que, com sobras, é o melhor jogador em atividade no continente. Mas vai chegar a hora em que alguém vai parar o craque, ou pelo menos reduzir o seu efeito devastador, e o resto do grupo vai ter de compensar.

Por enquanto, o problema deve ser relativizado. É começo de temporada e os titulares mal iniciaram sua participação do estadual. Mas vale lembrar que o futebol indolente do momento não é muito diferente daquele apresentado em boa parte do Brasileirão. Como o alarmismo já funcionou uma vez, vou soltar meu lado Renê Simões, para ninguém dizer que foi por falta de aviso: Estão criando um monstro na Vila Belmiro. Desta vez, não se trata de um menino abusado e temperamental de penteado exótico, mas sim de um burocrático dragão de várias cabeças, que Neymar pode ser obrigado a arrastar consigo para manter o Santos no caminho das vitórias.

 

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Equipe Trivela

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