O Rei na visão do Rei

“Esse é aquele que falei que vai ser o melhor do mundo”. Mais profético, impossível. Foi assim que Waldemar Brito, o primeiro técnico oficial de Pelé, no saudoso BAC, de Bauru, o apresentou ao time do Santos. A história e a trajetória de Pelé quase todo mundo conhece, mesmo quem não o viu jogar – como no meu caso. Uma biografia, no entanto, tem um peso maior sobre o que foi o mito Pelé. Uma autobiografia, então, pode revelar o real pensamento da ilustre figura.

Publicado no Brasil pela editora Sextante, Pelé – A autobiografia, 304 páginas, é, talvez, a obra definitiva sobre a carreira, a vida, o que foi e o que ainda é Pelé, um homem que se revela extremamente competitivo, até em jogo de futebol de mesa. Tendo como redatores o britânico Alex Bellos, autor do livro Futebol: o Brasil em campo e do famoso jornalista Orlando Duarte, a obra é de leitura fácil, bem didática no que diz respeito aos acontecimentos de sua vasta carreira como o maior futebolista de todos os tempos.

É verdade que muitos dos episódios históricos dentro de campo, por vezes, são contados de maneira muito superficial, mas esta é a proposta da obra, contar, cronologicamente, de maneira sucinta, a trajetória da carreira do jogador que fez da camisa 10 a mais cobiçada do futebol.

Passagens importantes como suas travessuras na infância, a origem de seu apelido – que vem de Bilé (para quem não sabe), a relação com seu Dondinho, pai, ídolo e mentor, seu início fulminante no Santos, enfim, o resto, de modo geral, todo mundo sabe. Episódios quase folclóricos também são contados, como quando foi provocado pela dupla de zaga do Vasco da Gama, Brito e Fontana, em uma partida em que o time carioca vencia e os dois ficavam fazendo graça da presença do “Rei”, perguntando um para o outro onde estaria o famoso artilheiro do Santos, o temido Rei, que até então não havia feito absolutamente nada no jogo.

Mas aí, Pelé resolveu aparecer para resolver a partida e, de quebra, ao fazer o segundo gol pegou a bola nas redes e disse para Fontana: – Aqui, leva para sua mãe, presente do Rei. Uma faceta que muitos não conheciam em Pelé, pelo menos os mais novos. O principal, entretanto, são as diversas histórias que envolveram suas participações nas Copas do Mundo, desde 1958, quando ainda era um adolescente, até 1970, quando foi consagrado com o terceiro título da competição, com uma seleção que foi considerada o melhor time de futebol da história.

Outros trechos também são muito interessantes pelo teor das revelações como as brigas com João Havelange e Ronaldo. Outra curiosidade é que Pelé chegou a cogitar disputar a Copa do Mundo do México de 1986 (que era para ser nos Estados Unidos e que motivou o rompimento de Pelé com Havelange), se oferecendo para o técnico Telê Santana, que não descartou a possibilidade, diga-se de passagem.

O capitulo dedicado à família pode soar um pouco piegas, mas revela seus casos extraconjugais e o sofrimento com o filho Edinho, preso por suposto envolvimento com traficantes de drogas, mostrando que Pelé é, antes de qualquer coisa, uma pessoa de carne e ossos como qualquer outra.

Para os amantes do futebol este livro acaba sendo indispensável por se tratar de ninguém menos do que Pelé, porque, como ele mesmo diz, “nós não temos o hábito de cultivar e reverenciar os nossos ídolos aqui no Brasil” e por mais que ele tenha se equivocado nos últimos tempos, ele é, sem sombra de dúvida, o maior ícone de nosso país em todos os tempos e, muito por sua causa, o futebol se tornou a modalidade esportiva mais famosa e adorada do mundo.

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Equipe Trivela

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