O que vale é o campo

Surgiu a notícia nesta quarta-feira que o jogo entre Goiás e Grêmio Prudente, no dia 21 de agosto, vencido pelo Prudente por 2 a 1 no Campeonato Brasileiro, pode ser anulado. A alegação? Diego, zagueiro do Prudente, que foi expulso ao evitar um gol com a mão, teria agido “de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado da partida”.

O procurador denunciou o caso usando o artigo 243-A, enquadrando o zagueiro como quem “atuou contra a ética desportiva”. O jogador recebeu o cartão vermelho pelo lance, mas o Goiás perdeu o pênalti e o time esmeraldino saiu derrotado.

O lance é muito parecido com o de Luis Suárez, do Uruguai, na Copa do Mundo contra Gana, nas quartas de final do Mundial. O atacante uruguaio foi expulso e Asamoah Gyan perdeu o pênalti. O Uruguai ganhou a classificação às semifinais nos pênaltis.

Essa ideia do procurador do STJD é problemática por dois motivos. O primeiro é que anula um resultado legítimo do campo para discutir fora dele. Segundo, vai contra as regras do futebol em si, uma vez que o jogador que cometeu a infração foi punido conforme manda a regra.

Olhando por esse prisma, então, podemos dizer que um time que vence com um pênalti cavado pode ser enquadrado nesse artigo. Afinal, o jogador agiu contra a ética. Ou ainda quando o jogador se joga e consegue a expulsão do adversário simulando ter sido atingido.

A discussão ética é importante, mas nesse caso, não dá para alegar que Denis agiu “contra a ética”. Ele foi punido de acordo com as regras do futebol, recebeu cartão vermelho e está automaticamente suspenso por uma partida. Tudo de acordo com o regulamento. Mais do que isso, o time recebe a penalidade máxima, que é a cobrança de um pênalti. O fato de o Goiás desperdiçar a cobrança não é problema do Prudente.

O mais grave disso tudo é o STJD interferir em um resultado conseguido dentro de campo. Se há uma mudança no resultado por isso, o precedente é terrível. E tudo passará a ser questionável. E o que vale o resultado de campo? Não valerá nada, passaremos a ter sempre uma disputa jurídica pós-jogo.

Mais do que isso: o torcedor será desrespeitado, porque aquele que foi ao jogo e viu o resultado voltará para casa sem saber se valeu mesmo. Uma palhaçada sem tamanho. E se for anulada a partida, será um absurdo.

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Equipe Trivela

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