O que o Corinthians faria na Série A

Já deu uma semana que o Corinthians subiu. Bom momento para falar sobre o Alvinegro sem que os corintianos estejam eufóricos demais e os não-corintianos ressentidos pela atenção que a mídia deu ao clube do Parque São Jorge. Bem, vou me arriscar aqui e tentar projetar o que o Corinthians de Mano Menezes faria na primeira divisão se a disputasse com esse mesmíssimo time.

A resposta mais comum para essa questão é “não dá para saber”. De fato, há uma grande dose de especulação, mas é também uma saída fácil. Até porque há algum parâmetro, sobretudo para quem viu jogos do time neste ano (o que tem de gente falando de Série B sem ter visto um joguinho sequer…) e percebeu que dá para ter alguma comparação entre primeira e segunda divisões.

No Campeonato Paulista, o Alvinegro tinha uma equipe-base e um padrão de jogo muito diferente do encontrado na segunda divisão. Então, não é muito adequado utilizar os resultados contra São Paulo (empate com arbitragem potencialmente favorável), Santos (derrota com arbitragem potencialmente desfavorável), Portuguesa (vitória) e Palmeiras (derrota) como parâmetro.

Ainda assim, há os confrontos da Copa do Brasil contra Goiás, Botafogo e Sport. O Corinthians superou os goianos (5 x 3 na soma dos resultados), que vinham em mau momento, e empatou com cariocas e pernambucanos (ambos 3 x 3), sendo que os rubro-negros estavam em uma fase melhor que a atual. Ainda que os paulistas não tivessem Douglas e Morais no torneio, a motivação de disputar um torneio em primeiro nível fazia os alvinegros jogarem um pouco mais do que o normal.

Tais resultados indicam muito bem o potencial do time de Mano Menezes. Até porque são coerentes com uma avaliação do elenco. O clube do Parque São Jorge tem uma boa equipe titular, se considerada a escalação ideal (Felipe; Alessandro, Chicão, William e André Santos; Fabinho, Elias, Morais e Douglas; Herrera e Dentinho). Apesar de alguns problemas pontuais, como a pouca confiabilidade física de Fabinho, a falta de oportunismo de Herrera e a inexperiência de Douglas e Dentinho em torneio de alto nível, o Alvinegro tem condição de fazer uma partida dura com qualquer adversário do Brasil.

O que não se pode confundir é a capacidade do Corinthians em um jogo isolado com um campeonato de pontos corridos. Um 90 minutos, Fabinho pode estar em forma, Douglas e Dentinho mostrarem que têm talento para a elite e Herrera acertar nas finalizações. Em 38 rodadas, a tendência é que os problemas sejam expostos e acabem influenciando na campanha de uma equipe.

Outro ponto fraco do Alvinegro é o banco de reservas. Considerando o desnível em relação aos titulares, há substitutos aceitáveis para Felipe (Júlio César), Alessandro (Carlos Alberto), Fabinho (Christian) e Morais (Lulinha). De resto, a falta de opções é marcante. O estabanado Fábio Ferreira é o zagueiro reserva. Wellington Saci não tem a mesma visão de jogo e rapidez de pensamento de André Santos. Eduardo Ramos não trabalha tão bem como segundo volante. Diogo Rincón não entra em forma, Acosta não se encontrou e Bebeto é um centroavante lento e tecnicamente limitado.

No momento em que suspensões e contusões obrigassem Mano Manezes a usar seu banco de reservas, o desempenho do Corinthians cairia demais. O que seria fatal para quem imagina que o Alvinegro poderia lutar pelo título ou uma vaga na Libertadores.

Desse modo, a tendência é que o Corinthians, se usasse o time da Série B na A, estaria no mesmo grupo de Botafogo, Coritiba, Goiás e Sport. Ou seja, livre do rebaixamento, mas um pelotão abaixo dos que disputam o título.

Toda essa ilação pode parecer banal, mas é a partir dela que a torcida pode dimensionar o que o Corinthians de hoje realmente pode fazer e identificar eventuais exageros da imprensa. E, claro, só conhecendo suas limitações que o clube – leia-se diretoria e Mano Menezes – pode pensar em como reforçar a equipe para, em 2009, realmente ser protagonista.

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