O que faz um clube e o que não faz

Alguns textos que eu escrevi nas últimas semanas levantaram algumas interpretações distorcidas e em determinados casos, a ofensas do gênero citado acima. Eles discorriam sobre a importância de clubes com raízes, torcida, história e trabalhos de longo prazo terem mais sorte do que outros mais “oportunistas”, digamos.

“Mas e o Chelsea não é tradicional?”. Sim, claro, é um clube importante. Mas o papel que ele ocupa hoje no futebol mundial é forjado pelo dinheiro de Abramovich. Sem o russo, o Chelsea teria sucumbido à imensa dívida que tinha até anos atrás. O clube investe nas divisões inferiores “afanando” jovens de outras equipes (e que depois raramente seguem carreira no clube), tem os ingressos mais caros da Premier League e comparado com os verdadeiros gigantes europeus, não tem uma “identidade”.

Hoje, se tivessem de viver das próprias pernas (sem dinheiro de um mecenas), o Manchester seguiria firme. O Chelsea fecharia as portas. Isso, claro, sem falar no carrancudo Avram Grant, que conseguiu o cargo de técnico por ser bem-relacionado e obediente, e por isso, não tem o respeito nem de seu elenco. Grant campeão europeu.

“Então você está defendendo que os clubes de ‘tradição’ têm de ser preservados a todo custo?”. Não, de modo nenhum. Clubes que foram grandes no passado e hoje se arrastam têm de ser tratados sem nenhuma deferência. Não podem exigir vantagens em nome da “tradição”. A ressurreição deles depende da sua torcida, exclusivamente. Mas confesso que não gosto de agremiações que ganham força por causa de injeções de dinheiro aleatórias.

Pode ser que o Chelsea mantenha o atual projeto e venha a criar uma história de identificação com o futebol. Pode ser que um dia, seus craques nasçam no próprio CT de Cobham e sejam “blues” desde o berço (ou quase). Pode ser que Abramovich tenha investido no esporte por ser mesmo fã de futebol e que leve isso por várias décadas. Pode ser.

Por hora, me desculpem, eu continuo preferindo clubes com identidade, cujas torcidas se formaram com longas seqüências de sucessos e fracassos, alegrias e tragédias. Se alguém prefere torcer para os clubes de prefeitura que temos no Brasil, ou para o Chelsea, com seu glamour de novo-rico, nenhum problema. Eu só penso diferente e não pretendo mudar de opinião.

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Equipe Trivela

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