O peso histórico de uma derrota

Muitas vezes uma única derrota pode atrapalhar todo o desenvolvimento do futebol em um país. Uma tarde infeliz do goleiro, uma tempestade que caiu naquele dia, uma decisão errada do treinador. Um mero detalhe é capaz de prejudicar todo um ciclo de trabalho de uma equipe. E foi isso o que aconteceu com a Rússia.

Após uma belíssima campanha na Eurocopa de 2008, quando caiu somente nas semifinais para a campeã Espanha, depois de eliminar a favorita Holanda, a seleção russa foi para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 convicta que retornaria ao Mundial oito anos depois da sua última participação. A geração de Andrei Arshavin, Roman Pavlyuchenko e Aleksandr Kerzhakov era extremamente talentosa, e com o comando de Guus Hiddink dificilmente o desastre ocorreria. Pois ocorreu.

Na primeira fase a Rússia chegou a ameaçar a classificação direta da Alemanha no Grupo 4. Não conseguiu, mas foi para os play-offs com a melhor campanha entre os segundos colocados e como grande favorita. Para completar, no sorteio, pegou o adversário teoricamente mais tranquilo: Eslovênia.

Na partida de ida, em 14 de novembro de 2009, no Luzhniki, mais de 70 mil pessoas viram a Rússia abrir 2 a 0, com gols de Dniyar Bilyaletdinov. No entanto, um gol marcado por Nejc Pecnik aos 43 minutos da segunda etapa selou o destino do confronto – hoje, curiosamente, o jogador defende o Krylya Sovetov, no Campeonato Russo.

O jogo de volta aconteceu em Maribor e bastava um empate ao time de Guus Hiddink para ficar com a vaga. No entanto, Zlatko Dedic fez 1 a 0 aos 44 da primeira etapa. Daí em diante, o desespero tomou conta da equipe visitante, e à medida que o tempo passava, a vaga na Copa foi esvaecendo. No final, o 1 a 0 persistiu, e o futuro do futebol russo em curto prazo foi extremamente prejudicado.

A eliminação foi um baque para as pretensões do país. Hiddink, pressionado, deixou o time – um técnico que estava mudando a mentalidade dos jogadores, os tranformando em vencedores, com ambições maiores na vida, já que muitos se contentavam em ficar na Rússia, ganhar bons salários e nunca cogitavam uma transferência internacional. A pressão sobre os atletas aumentou demais. E desde então a seleção não se encontrou mais.

Nesta terça, a Rússia tem mais uma vez a chance de encontrar novamente um rumo. Agora sob o comando do contestadíssimo Dick Advocaat, a seleção recebe a Irlanda no Luzhniki. Os russos lideram o Grupo B com 16 pontos, dois a mais que irlandeses e eslovacos – que será os próximos adversários, fora de casa. Se vencer, ficará muito próxima de estar na Euro 2012, na Ucrânia e na Polônia.

A geração de Arshavin, Pavlyuchenko e Kerzhakov segue em campo, com um outro reforço mais jovem, como Alan Dzagoev. E certamente não pretende criar mais um trauma para o futebol no país.

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Equipe Trivela

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