O Obdulio Varela de Anfield

Não, eu não assisti a todo o Manchester 1×4 Liverpool de hoje. Só acordei a tempo de pegar os dois últimos gols do jogo (que cobrança de Fábio Aurélio!). Por isso, obviamente, me absterei de quaisquer comentários sobre quem jogou melhor.

Agora, uma coisa me impressionou: a vontade demonstrada pelos Reds, hoje, fora de casa. Mesmo saindo atrás no placar (e saindo atrás em Old Trafford, o que não é fácil), a equipe de Rafa Benítez mostrou uma volúpia e uma garra que não têm sido vistas em muitas equipes por aí, neste futebol mundial de hoje. O Liverpool nem é uma equipe tão ofensiva, mas teve esse espírito na goleada, talvez justificável até por isso.

E ninguém, nos últimos quatro anos, personifica isso melhor no clube de Anfield Road do que Steven George Gerrard. O moço de Whiston mostra, hoje, uma capacidade vista em raros futebolistas. Não só atualmente, mas até em toda a história do futebol, pode-se dizer. Mais do que sua habilidade, a principal característica de Gerrard é o dom que ele tem para, sozinho, conseguir mudar toda a mentalidade de um time dentro de campo – e personificar essa mudança. Gerrard parece um dínamo, a querer sempre impulsionar o Liverpool, a querer levá-lo mais e mais à frente, sempre. Fez isso no célebre milagre de Istambul, na final da LC 2004/05; fez isso na final da FA Cup 2005/06, empatando com aquele golaço de longe nos acréscimos do tempo normal; e fez isso nas oitavas-de-final da LC, contra o Real. Nem jogou tanto assim contra o United, mas só a presença dele parece ter o condão de mobilizar time e torcida.

Algo que era até comum com Obdulio Varela, personificação maior do Maracanazo. Ou com Zito, capaz de esporros homéricos em todo o time do Santos dos anos 1950/1960. Ou até com Falcão, cuja pouca idade não o impedia de engrossar a voz até com o temível Figueroa. Mas, hoje, talvez, esse ânimo indomável de Gerrard não encontra paralelo em ninguém no futebol mundial. E motivou até este pobre novato a ousar escrever algo no blog.

P.S.: E o Manchester parece ter sempre alguém marcado para jogar mal justo contra o Liverpool, nesta temporada. No turno, Van der Sar; hoje, Vidic.

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Equipe Trivela

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