'O Negro no Futebol Brasileiro'

O futebol chegou ao Brasil graças aos ingleses, logo, apesar de ser praticado aqui no Brasil, tinha traços marcantes da Inglaterra. 

Para você ter uma idéia, caro leitor, o Bangu, time da capital federal (Rio de Janeiro no início do século), chamava-se The Bangu Atletic Club e os sobrenomes dos jogadores também eram apenas ingleses. Raramente tinha um brasileiro, quando tinha era branco.

O Vasco foi o primeiro clube a ter um jogador negro e, ao conquistar o campeonato estadual ele foi banido. Os clubes de elite como Flamengo, Fluminense, Botafogo e América, resolveram fazer sua própria liga metropolitana denominada AMEA, no qual mantinha sérias apurações sobre a genealogia e condição social dos atletas que disputavam por suas equipes.

Os jogadores negros que atuavam nos clubes de elite tinham vergonha de suas raízes, alguns engomavam o cabelo, outros passavam “pó de arroz” no rosto (daí vem o apelido do Fluminense) e alguns deixavam de ser “negro”, no qual nos baseamos no ex jogador Robson, do Fluminense, que disse: “ Eu fui negro e sei como era”.

O sucesso do Vasco foi abrindo as portas para os negros daquela época. Assim o Flamengo conquistou uma grande simpatia nacional ao trazer os ídolos da época: Leônidas da Silva, Domingos da Guia e Fausto. Porém essa popularidade iria decair após o fiasco da Copa de 50.

A derrota para o Uruguai na final da Copa, em pleno Maracanã, resultou em três culpados pela derrota: Barbosa, Bigode e Juvenal. Todos negros eram negros e foram acusados por essa derrota. O mais perseguido foi o goleiro Barbosa, no qual acusam de ter falhado no gol da vitória do Uruguai.

Os negros iriam voltar a ter seu merecido prestígio depois da Copa de 58, no qual conquistamos nosso primeiro título mundial e fomos guiados pelo negro Pelé e o mulato Garrincha.

Esse é um resumo das primeiras páginas de Mário Filho, cujo é dispensável qualquer análise para avaliar essa obra esplendorosa de um jornalista que, durante muitos anos, apurou entrevistas e reportagens sobre os assuntos e fez esse livro maravilhoso.

“O negro no futebol brasileiro” propicia uma leitura agradável, informátiva e educativa, além do que mostra a origem do esporte mais popular do mundo no país mais vitorioso dele. Mário Filho foi jornalista e seu nome foi batizado no estádio do Maracanã, talvez o único que possa representar seu talento e grandeza, tanto em sua carreira profissional como jornalista quanto para escritor.

 

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Equipe Trivela

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