O fator Carlos Alberto

Os bad boys dos anos 90 já se aposentaram. Jogadores como Edmundo e Djalminha possuíam fama tanto por seu futebol quanto por seus comportamentos explosivos. Provando que não foram exceções, têm agora seus substitutos – e os nomes mais lembrados nos últimos tempos são Kleber e Carlos Alberto, que até possuem características parecidas com seus antecessores da década passada.

A fama tem feito Carlos Alberto deitar na cama, muitas vezes, sem merecer. Foi assim no último sábado, no Brinco de Ouro. Advertido aos 25 por reclamação, foi expulso injustamente aos 44 minutos do primeiro tempo por uma falta que nem mesmo fez – intencionalmente ou não, o braço do zagueiro Dão bate em seu rosto e o meia cai, tropeçando no adversário e interrompendo o contra-ataque.

O histórico pareceu ter pesado em Campinas. Como capitão, Carlos Alberto tinha direito de falar mais com o árbitro do que os outros jogadores, mas mesmo assim foi amarelado já na primeira oportunidade. Na expulsão, vale questionar se o toque de Dão realmente o fez cair ou se, ao sentir a mão do adversário, ele tentou forçar uma falta – tiro que obviamente saiu muito pela culatra.

Foi a segunda expulsão no ano e o 12º cartão amarelo – maior número entre os quatro grandes do Rio e semelhante ao de jogadores apenas de marcação, como o volante Pierre, por exemplo. No próximo sábado, contra o Duque de Caxias, Carlos Alberto desfalcará a equipe por suspensão pela quarta vez na temporada (confira números de expulsões ao final da coluna).

Mas até que ponto o meia, capitão e principal contratação da temporada é indispensável ao Vasco? Além das três partidas em que esteve suspenso, o camisa 19 ficou machucado em quatro jogos e foi poupado em outras duas oportunidades. O aproveitamento do time sem o homem de ligação do 4-3-1-2 de Dorival Junior foi maior (74,07%) do que quando ele esteve em campo (71,42%). É verdade que sua ausência maior foi durante a Taça Rio, quando os adversários não eram os mais fortes, mas na pior apresentação vascaína na temporada, a goleada sofrida para o Botafogo, Carlos Alberto jogou 65 minutos.

E não são apenas números que provam que não há uma “Carlos Alberto-dependência” no Vasco. A consistência tática, física e até mesmo técnica do time comprova isso. De fato, a expulsão do meia, se é que é possível, fez bem à equipe e ao jogo, que teve um primeiro tempo sonolento.

Com um a mais, o Guarani partiu para cima no segundo tempo e ofereceu os contra-ataques aos cruzmaltinos, que gostam deste tipo de jogo e até o preferem, apostando na velocidade de Ramon e nas assistências de Paulo Sérgio. Neste caso, talvez qualquer outra expulsão tivesse o mesmo efeito, mas fato é que se fosse qualquer outro jogador a reclamar ou parar o contra-ataque, dificilmente a reação do árbitro seria a mesma.

Se o Vasco não depende de seu jogador mais cerebral, isto não deve ser encarado como problema ou indício para a campanha do time na Série B até aqui – são três rodadas sem vitória. A saga corintiana em 2008 não pode ser tomada como base de comparação, mas sim outras campanhas de retorno bem mais tortuosas, como as de Grêmio, Atlético-MG e Coritiba. Dorival Junior tem um time titular de muita qualidade para a Segundona, mas ainda carece de melhores opções para o banco. Não à toa, as ausências de Elton e/ou Pimpão custaram ao time o terceiro jogo seguido sem gols.

Talvez com a estreia de Aloísio o time tenha mais opções e, principalmente, mais experiência. Com o veterano, Carlos Alberto pode ter o que lhe faltou em muitos momentos em sua carreira, especialmente nos últimos clubes onde foi o dono do time, como o Botafogo – alguém que converse com ele, faça-o se acalmar e mostre que, quando ele erra e apronta, prejudica não só sua carreira como também o time.

Conhecendo seu comportamento, Dorival não espera mais tanto do meia quanto já se esperou no futuro. Um jogador que surgiu como candidato claro a protagonista e que, aos poucos, vai se tornando coadjuvante ou mais uma “eterna promessa”. Muito disso é graças ao seu próprio comportamento, mas como no futebol o histórico pesa, atualmente o que é mais levado em conta é exatamente o fator Carlos Alberto – não o que ele faz, mas o que já fez. E aí as perspectivas para o futuro do jogador não são muito animadoras.

O Vasco com Carlos Alberto:

21J – 13V 6E 2D – 40GP / 11GC
Aproveitamento: 71,42%

O Vasco sem Carlos Alberto:

9J – 6V 2E 1D – 20 GP 10GC
Aproveitamento: 74,07%

Cartões de Carlos Alberto:

2008 – Botafogo: 28J – 11 amarelos / 2 vermelhos
2009 – Vasco: 21J – 12 amarelos / 2 vermelhos

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