O descobrimento vai se ampliando

Já se falou, várias vezes, que esta Copa tem representado um passo a mais na consolidação de um fenômeno: a descoberta lenta, gradual, mas constante do gosto dos Estados Unidos por futebol. Há fatos notáveis, que ajudam a comprovar esse interesse cada vez maior dos norte-americanos por futebol – um deles, o fato da média de público da MLS ter sido maior do que a de NBA e NHL. Ou o da Sports Illustrated ter feito um guia bastante alentado da Copa do Mundo. Ou o trabalho satisfatório que Bob Bradley faz à frente do time.

Pois o jogo de hoje, contra a Argélia, em Pretória, pode ter representado um passo a mais na construção dessa identificação dos EUA com o esporte bretão. Afinal de contas, se emoção é algo de que os norte-americanos gostam demais no esporte – seja numa luta de boxe decidida só após os 12 assaltos, na cesta que vem no último segundo, num touchdown -, emoção não faltou no Loftus Versfeld.

Para começo de conversa, a Argélia jogou hoje sua melhor partida na Copa: um time consciente, que soube se defender bem, contando com a boa atuação do goleiro M'Bolhi, para tentar aproveitar no contra-ataque os espaços que surgiam desde o começo. Mas os norte-americanos não se acovardaram: continuaram atacando. Com Donovan, com Altidore, com Gomez, com Dempsey.

O tempo ia passando. E os norte-americanos, sendo vítimas do nervosismo – já o foram, no primeiro tempo, com o incrível gol que Dempsey perdeu, e continuaram sendo no segundo tempo. Até que, aos 46 minutos do segundo tempo, Donovan teve a frieza na hora certa. Fez o gol que confirmou a classificação dos Estados Unidos à segunda fase, após oito anos, apagando o desempenho fraco de 2006. E solidificou sua posição como um dos maiores nomes da história do futebol norte-americano – se não for o maior.

Pois bem, os Estados Unidos aprendem, cada vez mais, que emoção existe no futebol. E curtem esse aprendizado.

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