O desafio de Rivaldo

A notícia de que Rivaldo iria para o futebol angolano parecia mais uma dessas especulações de início de ano. A possível chegada do brasileiro ao Kabuscorp tinha sido anunciada pelo presidente do clube, Bento Kangamba: “Todos os clubes angolanos estão a se esforçar, não poderíamos ficar atrás. Surgiu esta oportunidade de contratarmos o Rivaldo e estamos empenhados nisso. Falam muito da idade, mas um jogador com a qualidade e a experiência de Rivaldo ainda tem muito a dar ao futebol e, esperamos, a Angola”.

A declaração parecia apenas uma forma de promover o clube africano, até o veterano se manifestar no fim da tarde em seu twitter: “Vi que saiu na mídia que eu teria acertado com um time de Angola. Na realidade, estamos negociando. E, neste momento, estou indo viajar para conversarmos e ver se chegamos a um acordo. Caso aconteça, estarei feliz com esse novo desafio”.

E é bom que Rivaldo conheça mesmo o desafio antes de aceitá-lo. Ao que parece, uma experiência com algumas semelhanças a sua passagem pelo Bunyodkor. O Kabuscorp foi fundado em 1994 pelo próprio Bento Kangamba. Membro do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Kangamba ficou milionário após a independência do país. O empresário justifica sua riqueza como fruto de negócios na produção de telhas, mas seu nome costuma ser associado à exploração de diamantes – bem como a esquemas na máquina estatal. E, da mesma forma que outros magnatas espalhados ao redor do globo, de riqueza lícita ou não, emprega parte de seu dinheiro no futebol.

A estreia do Kabuscorp no Girabola, o Campeonato Angolano, aconteceu em 2008. Diante do forte investimento de Kangamba, a equipe chegou ao vice-campeonato na última temporada. Mais peculiares, no entanto, são os relatos sobre a forma como o presidente gere seu clube. A interferência nas decisões dos treinadores seria algo comum no time – há até mesmo relatos de que o dirigente teria deixado seus jogadores sem ônibus para voltar à sede do clube após uma derrota.

Resta saber o que Rivaldo quer com esse novo prolongamento de sua carreira. A malfadada passagem pelo São Paulo parece não ter contentado o veterano. Talvez fosse mais fácil atuar pelos próximos meses no Mogi Mirim ou no Santa Cruz, seu clube de coração. Prefere a aventura. E, provavelmente, um fim ainda mais melancólico para uma carreira brilhante.

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