Novos craques ou novos Velas?

Em 2005, quando os mexicanos ganharam pela primeira vez o Mundial sub-17, criou-se uma euforia geral em torno dos principais nomes daquela seleção. Giovani dos Santos era o “novo Ronaldinho”, canhoto, habilidoso, e Carlos Vela, também canhoto, mostrava muito talento na hora de definir jogadas. Ambos estão longe de ser o que prometeram um dia. Com a geração atual, a expectativa é a mesma, mas o destino ainda é um grande ponto de interrogação.

No momento os holofotes caem sobre Julio Gómez, meia do Pachuca que já atua nos profissionais do clube e foi eleito o melhor jogador do torneio. Ele foi o herói da semifinal contra a Alemanha, quando marcou dois gols na vitória por 3 a 2, o segundo deles de bicicleta, no último minuto. O meia divide as luzes com Carlos Fierro, atacante do Chivas Guadalajara que também mostrou talento e ficou com a bola de prata. Para completar a premiação caseira, o também mexicano Carlos Espericueta ficou com a bola de bronze.

Os três representam um momento novo na base mexicana, com um trabalho consistente e jogadores de qualidade surgindo. Os resultados nos profissionais, no entanto, são antigos e nas Copas do Mundo, as oitavas de final têm sido o limite. Cabe a essa geração mudar isso, assim como a seleção espanhola, há exatos 365 dias, simplesmente destruíu o discurso pronto e preguiçoso dos que a chamavam de “amarelona” e ganhou a Copa do Mundo (mas isso é assunto para outro post, ainda nesta segunda-feira).

As outras seleções semifinalistas também demonstraram talento. A Alemanha, de Samed Yesil e Emre Can, foi o time mais técnico do torneio. No Uruguai, o zagueiro Emiliano Velázquez se destacou, assim como os meio-campistas Elbio Álvarez e Guillermo Méndez. No Brasil, Adryan e Ademilson chamaram a atenção com cinco gols cada, quatro a menos do que Souleymane Coulibaly, da Costa do Marfim, artilheiro do torneio e que foi eliminado nas oitavas de final diante da França.

Além deles, podem ser destacados o zagueiro Raphael Calvet e o atacante Yassine Benzia, da França, o meio-campista Hideki Ishige, do Japão. O goleiro Lukas Zima, da República Tcheca, é outro que merece elogios, tanto que já conseguiu uma transferência para o Genoa.

É sempre bom, porém, fazer a ressalva de que todos eles são nomes dos quais poderemos ouvir falar no futuro, ou não. No futebol, as fronteiras entre sucesso e fracasso são muito tênues, e qualquer decisão errada nessa idade pode ser determinante na carreira. De qualquer forma, mesmo que não vinguem, esses jogadores já poderão contar para os filhos que atuaram pela seleção nacional em um grande torneio, o que, por si só, poderá ser muito para eles, e quem acompanhou a competição já pode eleger algumas das novas promessas do futebol mundial. O tempo, e só ele, irá dizer se serão novos craques ou novos Velas.

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Equipe Trivela

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