No caminho

O caminho tortuoso e inesquecível que a Holanda viveu na Copa do Mundo deixou um sabor agridoce para a Holanda. Doce porque o time, enfim, recuperou sua posição como um dos melhores do mundo, conseguiu a façanha de ter todos os jogadores (alguns, de personalidade forte e temperamental) unidos, sem se perderem disciplinarmente, além de mostrar uma capacidade insuspeita de jogar pragmaticamente. E “agri” porque o time confundiu, progressivamente, pragmatismo com violência, culminando com a pancadaria que empregou na final contra a Espanha – além de ter ficado sem o que mais queria.

No entanto, as duras marcas que a derrota deixou estão começando a ser assimiladas pela Oranje. Porque, mais do que ganhar, a equipe o está fazendo bem, com um estilo solto, sem exagerar no defensivismo. Claro que já há exageros. Como o que Marco van Basten disse, nesta sexta, como comentarista da TV holandesa Veronica (“Foi bonito de ver, lembrou o Barcelona”). Afinal, é só a Hungria – e o grupo em que a equipe está oferece pouquíssima resistência.

Mas dá para dizer que a Holanda está se encontrando de novo nas eliminatórias da Euro. Jogando de modo seguro, mas sem esquecer do prazer. Por isso, empreende nova sequência invicta. Já são oito jogos sem derrota. E o time está muito perto da Eurocopa.

Aos poucos, os caminhos também vão sendo descobertos por outras seleções. Após terminar 2010 de ressaca, sendo goleada por Portugal e Argentina sem dar a mínima, a Espanha começa a acordar e perceber que não pode dormir nos louros do título mundial. Teve de se esforçar muito para não ser surpreendida pela República Tcheca. Contou com o talento de David Villa para fazer gols, e por isso conseguiu a virada. Foi uma vitória muito dura, mas fundamental para a Espanha compreender que ser a campeã mundial não a exime de matar um leão por dia. Vida dura, mas é assim.

Também começa a se movimentar a Itália. Se ainda continua em recuperação do baque pela performance ridícula na Copa, a Azzurra, ao menos, exibe muito esforço – que o fez chegar à vitória sobre a Eslovênia. A França, por sua vez, teve a volta dos jogadores proscritos por um tempo, após a bagunça vista no Mundial. E conseguiu uma vitória tranquila sobre Luxemburgo.

Não é raro que somente um tempo após a Copa, as seleções tomem consciência das lições que ela lhes deu. Quem souber aproveitá-la, pode continuar por cima. É o que as equipes europeias estão tentando.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo