Nível de pelada, emoção de decisão: A insanidade tomou conta do Norwich 4×5 Liverpool

Insanidade pura em Carrow Road. Norwich e Liverpool, tecnicamente falando, não fizeram uma boa partida. Mas, por toda a emoção, os dois protagonizaram um dos jogos mais incríveis da temporada da Premier League – entre tantos outros que já rolaram nas últimas semanas. A tarde de nove gols contou com duas viradas no placar. E, como se não bastasse, o final guardou a melhor parte. Os Canários até pareciam arrancar um merecido empate aos 47 do segundo tempo. Doce ilusão. Aos 49, Adam Lallana determinou a espetacular vitória dos Reds por 5 a 4. Um resultado que vale muito para a motivação, mas que também deixou várias lições a se corrigir.

Principal aposta no ataque do Liverpool neste momento, Roberto Firmino justificou a confiança. O brasileiro anotou dois gols de sua equipe, demonstrando oportunismo e mobilidade, além de dar uma assistência. Contudo, a despeito do destaque ao camisa 11, o ataque dos Reds não fez uma boa partida. Aproveitou-se muito mais das brechas dos adversários do que impôs sua intensidade. Não à toa, foram apenas 13 finalizações, possibilitadas quase sempre em jogadas de velocidade e com o campo aberto.

E se a defesa do Norwich teve uma tarde terrível, o mesmo pode se dizer da retaguarda do Liverpool. Principalmente no primeiro tempo, os Canários exploraram os apagões sofridos pela zaga dos Reds. O golaço de Dieumerci Mbokani, com enorme liberdade para dar um calcanhar dentro da área, já dizia muito. Mas o lance mais emblemático veio mesmo no terceiro tento dos anfitriões, em um pênalti bobo de Alberto Moreno sobre Steven Naismith na linha de fundo. Fragilidade que, ao menos desta vez, não custou caro. Por sorte e raça.

As emoções da partida começaram logo aos 18 minutos, quando Firmino teve oportunismo para receber na área e chutar cruzado, abrindo o placar. Mas a vantagem acomodou o Liverpool. E o Norwich conseguiu virar antes do intervalo. Primeiro, após bola levantada na área, Mbokani anotou sua pintura de calcanhar. Já aos 41, começou a brilhar o estreante Naismith, contratado nesta semana junto ao Everton. O ex-rival dos Reds demonstrou uma enorme frieza para chutar cruzado e estufar as redes.

O cenário parecia péssimo ao Liverpool logo no início da segunda etapa, quando Naismith sofreu o pênalti bobo de Moreno e Hoolahan converteu. Só que os Reds não se deram por vencidos. E, a partir dos contragolpes, conseguiram recuperar a vantagem no placar em 20 minutos. Firmino anotou o segundo, enquanto deu o passe para Henderson chutar firme no terceiro. Já o quarto veio a partir de uma bobeada imensa da zaga do Norwich, que recuou uma bola e deixou o caminho livre para James Milner, que mal teve trabalho para passar pelo goleiro Ruddy.

Com o jogo nas mãos do Liverpool, a falta de intensidade até indicava que o placar não mudaria. No entanto, uma falta de longa distância virou oportunidade para o Norwich nos acréscimos. E, na sobra, Bassong arrancou o empate por 4 a 4. Símbolo de uma noite ruim da zaga dos Reds? Não quando o ataque consegue compensar. Os visitantes ainda tentaram partir para tudo ou nada e também tiveram uma oportunidade de apostar no chuveirinho. Foi quando a bola, caprichosa, encontrou os pés de Lallana e morreu no fundo das redes. Um jogo com nível de pelada, mas emoção digna de final de campeonato.

Na comemoração ensandecida, Jürgen Klopp até perdeu os seus óculos, com os jogadores do Liverpool se amontoando na beira do campo para abraçar Lallana. O técnico só não pode perder de vista os erros que se repetem nas últimas rodadas e, por pouco, não custaram mais pontos aos Reds. As atuações do time ainda estão distantes de satisfazerem a torcida, especialmente pela falta de segurança evidente. Desta vez, ao menos, o ataque salvou. Com os três pontos, o Liverpool assume a sétima posição, encerrando a sequência de três rodadas sem vitórias. Aliviado e cheio de si pela vitória, mas também preocupado pela forma como se deu.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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