Não era preguiça

Semana passada, escrevi aqui no blog que o jogo entre Corinthians e Deportes Tolima dera sono. Muito sono. Um jogo ruim, em que o time comandado por Tite mostrou apatia e desorganização tática aterradoras, ao passo que os Pijaos colombianos foram apenas corretos, fizeram apenas o bastante para empatarem.

Passado o jogo no Manuel Murillo Toro, dá para dizer: o problema do Corinthians não era preguiça. Era falta de qualidade, mesmo. O que se viu, em Ibagué, foi uma equipe que apostou no retraimento. Logo, sequer conseguia avançar ao ataque, pela falta de alguém que organizasse as jogadas (se bem que mesmo Bruno César, a princípio esse “alguém”, fracassou no Pacaembu). E Jucilei, novamente, não fazia grande coisa no papel de meio-campista que tenta chegar ao ataque.

Paralelamente, recebia ameaças grandes de um Tolima que aparecia mais ativo do que na ida – ainda que sem nada de mirabolante. Somente a partir da metade do primeiro tempo é que a equipe brasileira começou a chegar, timidamente, com um chute de Jorge Henrique aqui, outro de Dentinho acolá…

No início da etapa final, sim, o Corinthians pareceu ter mais vontade. Com Ronaldo aparecendo um pouco mais, com o meio-campo tendo um pouco mais de qualidade, a equipe trouxe mais perigo ao gol de Silva. Até que a defesa cometeu um erro primário na formação da linha de impedimento. E Santoya achou o gol do Tolima. Era a razão dada à velha máxima de João Saldanha: “[Linha de impedimento] É a linha burra. Quatro homens, um do lado do outro, só se aceita em parada militar.”

Como revelando que seria cruel novamente, o destino fez com que “Cachito” Ramírez, destaque do domingo em São Bernardo, tivesse uma atitude infeliz e fosse expulso. Depois, como a “cereja do bolo”, Medina fez o gol. E o grito de “olé” foi o fim mais adequado possível para o papel vergonhoso que fez o Corinthians nessa Copa Libertadores. Um papel vexaminoso, até. Que faz crer que a má campanha no Paulista é até normal, para um time que não se moveu em relação a 2011. E que, agora, viverá um clima de fim de festa, só com Paulista e Brasileiro pela frente, esperando Ronaldo se aposentar.

Mas houve outro time brasileiro, ao contrário do que o vexame mastodôntico na Colômbia possa aparentar. E este cumpriu seu papel com correção, a despeito de algum susto. O Grêmio foi melhor do que o Liverpool durante todo o jogo. Dominou as ações, mas o Liverpool aproveitou os inúmeros erros de passes do time gaúcho para abrir o placar.

Um pequeno desvio de rota. Depois, só o time de Renato Gaúcho teve destaque. E contou com o inspirado Vinícius Pacheco, autor de dois gols. O time manteve a tranquilidade no segundo tempo para conseguir virar o jogo e se classificar, sem desespero.

E o Grêmio terá um grupo fácil. Coisa que também terão Cruzeiro e Estudiantes, no Grupo 7, antes chamado “da morte”. O Corinthians, nem a isso chegará. Porque não mereceu nem um pouco.

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Equipe Trivela

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