Muro dos veteranos

Se você tivesse de escolher seu adversário na Liga dos Campeões entre a Internazionale, líder invicta do Campeonato Italiano com 11 pontos de vantagem, e o Milan, apenas quinto colocado na mesma competição, quem escolheria? Tanto o Liverpool quanto o Arsenal provavelmente responderiam Inter. Os nerazzurri, distantes há 43 anos da maior glória européia, sucumbiram em Anfield com dois gols no final e agora têm uma montanha a escalar em San Siro. O Milan, ao contrário, teve uma atuação defensiva digna de manual no Emirates Stadium e saiu com o 0 a 0 diante de um Arsenal que conduziu as ações durante a maior parte dos 90 minutos.

A alta média de idade dos rossoneri, freqüentemente apontada por críticos como um defeito, é uma virtude exaltada quando se trata da Liga dos Campeões. O ímpeto de um Arsenal consideravelmente mais jovem esbarrou na experiência da retaguarda do Milan – e quando conseguiu superá-la, nos acréscimos do segundo tempo, parou no travessão com a cabeçada de Adebayor.

A postura compacta adotada por Ancelotti em Londres exigiu sacrifícios do time. Com pouca profundidade para jogar, Kaká e Seedorf foram figuras discretas e raramente deram o apoio de que Pato precisaria para brilhar na frente. Pirlo, sempre bem marcado, teve dificuldades para organizar o jogo. O Arsenal, por sua vez, tinha um Fàbregas como sempre capaz de fazer a diferença, com seus característicos passes objetivos e na vertical.

O capitão Paolo Maldini foi o principal símbolo da resistência estóica do Milan. Atuando na lateral-esquerda, no primeiro tempo, e na zaga, após a lesão de Nesta no início da segunda etapa, ele mostrou que as mais de 1.000 aparições como profissional lhe ensinaram a usar o cérebro antes das pernas. Sempre bem colocado, deu uma aula de antecipações e desarmes.

Nesta, enquanto esteve em campo, fez um bom trabalho na marcação de Adebayor, que não é exatamente um adversário simples de limitar, pela velocidade e força física. Kaladze foi soberano no jogo aéreo, e Oddo, que teve muito trabalho com as descidas de Hleb, ainda apareceu em pelo menos duas boas intervenções de cobertura.

O Arsenal pode comemorar por não ter sofrido gol em casa, o que lhe dá a vantagem de qualquer empate com gols em San Siro – mas está longe de ser uma tarefa fácil. Por decidir em casa dependendo de uma simples vitória, o Milan carrega um ligeiro favoritismo para a decisão do confronto.

Barcelona cresce em Glasgow

O Barça que venceu o Celtic por 3 a 2 em Glasgow foi um time bem diferente do que tem jogado no Campeonato Espanhol. Não pelas peças, mas pela apatia que tem mostrado na competição nacional. A defesa – em especial Gabriel Milito e Victor Valdés – voltaram a preocupar, mas os problemas foram facilmente compensados por um Messi em estado de graça e um Henry marcando ao estilo dos tempos de Arsenal. Foi o único time a vencer como visitante, e entre todos é o que está mais perto da classificação.

O Real Madrid, apesar da derrota por 2 a 1 para a Roma, está em boa posição para se classificar. A equipe italiana deve ter trabalho para resistir no Bernabéu, a não ser que mude radicalmente seu estilo de jogo – o que parece pouco provável. Os jogadores do meio para a frente participam muito pouco do trabalho de marcação, erro que, se repetido, dará ao Madrid toda a liberdade necessária para organizar o jogo e buscar a vaga.

A expulsão de Materazzi em Anfield pode ser considerada rigorosa – mais pelo primeiro cartão amarelo do que pelo segundo – mas isso não absolve a Inter de ter atuado bem abaixo de sua capacidade contra o Liverpool. Os gols de Kuyt e Gerrard no final chegam como uma autêntica redenção para os Reds, que vêm mal na Premier League e tinham perdido para um time da segunda divisão na FA Cup.

Na França, Tevez saiu do banco de reservas para dar ao Manchester United um valioso empate contra o Lyon. O hexacampeão francês ficou a três minutos de sair com uma vitória que premiaria a boa atuação do time, e em especial do jovem Benzema, alvo de meia Europa (leia mais na coluna de Ricardo Espina). Agora, os Red Devils têm a faca e o queijo na mão.

Quem também marcou no final foi o Fenerbahçe, que contou com o apoio de seus fanáticos torcedores para vencer o Sevilla por 3 a 2. O time espanhol teve uma atuação decente em Istambul, dominou alguns trechos do jogo e tem os meios para reverter em casa. Confronto indefinido.

Olympiacos e Chelsea pareceram satisfeitos em jogar para o 0 a 0, e o jogo não teve muita história. Qualquer outro resultado além da classificação dos Blues entraria para o rol de zebras da competição em todos os tempos.

O Schalke foi superior ao Porto, mas preferiu correr poucos riscos e preservar a vantagem de 1 a 0. O time de Gelsenkirchen atravessa um bom momento, e os Dragões terão uma tarefa complicada na volta.

Sorteio das quartas

O jogo de volta entre Inter e Liverpool será no dia 11 de março, na semana seguinte aos demais, por causa da coincidência de estádio com o Milan. O sorteio das quartas será no dia 14, na sede da Uefa em Nyon. Apesar de o regulamento desta temporada permitir que a entidade determine cabeças-de-chave para esta fase, isso não será feito. O sorteio é livre, inclusive sem proteção de país.

Ingressos para a final

Quer um ingresso para a decisão da LC em Moscou? Você pode tentar a sorte a a partir de quinta-feira, dia 28, quando a Uefa começa a receber os pedidos. Pouco mais de 10 mil bilhetes serão colocados à disposição do grande público (o restante vai para os clubes, federações e patrocinadores). Os preços variam de € 80 a € 200. A distribuição não será por ordem de chegada, e sim por sorteio entre todos os que pediram – máximo de dois ingressos por pessoa.

Copa Uefa

Alemanha e Inglaterra respondem por sete dos 16 times classificados para as oitavas-de-final. Os alemães só não conseguiram o “en-plein” por causa do Nuremberg, que ia eliminando o Benfica até os 45 minutos do segundo tempo, mas levou dois gols nos acréscimos. De resto, todo mundo se deu bem: Bayern de Munique, Werder Bremen, Bayer Leverkusen e Hamburg. Pelo menos um representante do país já está garantido nas quartas, pois Leverkusen e Hamburg se enfrentam. O Bayern pega o Anderlecht, e o Bremen duela com o Rangers.

Entre os ingleses, destaque para o Everton, que eliminou o Brann com autoridade e completou sete vitórias consecutivas na competição. A Fiorentina – que passou por outro norueguês, o Rosenborg – testará as pretensões dos Toffees. O Tottenham de Juande Ramos sofreu mais que o recomendado para eliminar o Slavia Praga, e agora pega o PSV. O Bolton esbanjou garra e segurou o Atlético de Madrid na capital espanhola, avançando para enfrentar o Sporting.

O Villarreal, que a exemplo do Atlético ocupa a zona de classificação para a LC no campeonato nacional, reagiu tarde e não conseguiu passar pelo Zenit S. Petersburg. O campeão russo perdeu por 2 a 1 no El Madrigal, terminou com nove homens em campo, mas se classificou com o gol fora de casa depois de vencer por 1 a 0 o primeiro jogo. O Zenit terá o Marseille pela frente.

O orgulho espanhol ficou por conta do Getafe, que aplicou imponentes 3 a 0 no AEK e será o único time do país nas oitavas. Os Azulones vão encarar o Benfica nas oitavas.

Corrida pelo sexto lugar

Uma vaga para a Liga dos Campeões de 2009/10 está em jogo na corrida pelo sexto lugar no ranking de países da Uefa. Neste momento, a Rússia ocupa esta posição, que lhe valeria três vagas, sendo duas diretas na fase de grupos e uma na fase preliminar. Portugal, que terminou a temporada passada em sexto, neste momento aparece apenas em oitavo, colocação que lhe valeria apenas duas vagas, sendo uma direta – trraduzindo, pelo menos um entre Porto, Benfica e Sporting ficaria de fora.

A Romênia, que está em sétimo, não briga pela sexta posição, já que todos os times do país já foram eliminados da LC e da Copa Uefa. A Rússia tem 40,750 pontos, e Portugal 38,927. Os russos só têm o Zenit como remanescente, enquanto os três grandes de Portugal seguem nas competições. O peso dos resultados do time russo, no entanto, são maiores na média, já que o país tinha quatro representantes, enquanto Portugal começou com sete. Ou seja, os pontos do Zenit têm peso 0,25, e os pontos de cada português pesam por volta de 0,14 na média.

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Equipe Trivela

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