Muita gente sabe sobre as apostas

A FIFPro divulgou nesta semana seu Livro Negro sobre problemas diversos no futebol do Leste Europeu. A entidade, representativa dos jogadores profissionais em todo mundo, contou com a colaboração de 3357 atletas na pesquisa, e os dados são alarmantes, por mais que não surpreendam tanto.

Ao todo, 23,6% dos entrevistados afirmaram saber ou ter consciência de partidas manipuladas em seu campeonato e 11,9% já terem recebido propostas. As seguintes ligas foram analisadas: Bulgária, Cazaquistão, Croácia, Eslovênia, Grécia, Hungria, Montenegro, Polônia, República Tcheca, Rússia, Sérvia e Ucrânia.

Destes campeonatos, o Russo é o que apresenta o maior índice de manipulação de jogos, segundo os jogadores (43,5%), mas o Grego tem o maior número de atletas que confirmam ofertas de suborno (30,3%).

O estudo apontou que o atraso de salários está atrelado ao mercado de apostas: 41,4% dos jogadores entrevistados já tiveram seu pagamento atrasado, e desse percentual mais da metade teve uma oferta para entregar um jogo (55%). O que mostra, também, que os clubes pequenos são os principais alvos dos apostadores. Ainda em relação a esses números, 47% de todos que não receberam em dia foram afastados do elenco principal. Em Montenegro é onde mais se atrasa: 94%.

A pesquisa abordou temas como violência contra os atletas e racismo também. No total, 11,7% dos jogadores disseram ter sofrido algum tipo de violência física fora dos gramados, sendo que os torcedores lideram o ranking dos agressores (55,8%), com os dirigentes na sequência (13,3%) e, pasmem, os treinadores depois (8,3%).

Em relação ao racismo, apenas 9,6% dos atletas afirmaram ter presenciado algum ato racista em seu clube ou no campeonato, sendo os torcedores mais uma vez os maiores culpados (65,3%). Sinceramente, números bem baixos para a realidade que conhecemos nessa região.

Ainda não tive tempo para analisar todo a pesquisa, observei apenas os números da conclusão. Há muitas curiosidades e absurdos, como por exemplo o Buducnost Podgorica, equipe da capital de Montenegro, que alterou cláusulas nos contratos de todos seus jogadores sem informá-los. Ou o caso do atacante russo Igor Strelkov, que punido pela diretoria do Luch-Energiya, de Vladivostok, era obrigado a treinar separadamente do grupo, correndo ao redor do estádio, com temperatura média de -20oC.

O link para o download da pesquisa é esse.

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Equipe Trivela

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