Monnet-Paquet: o sucessor de Henry

Há muito os franceses não assistem ao nascimento de um craque. O maior deles, Zidane, não joga mais. Henry tenta no Barcelona a voltar a ser o melhor centroavante do mundo, enquanto David Trezeguet nunca empolgou os atuais vice-campeões mundiais.

Na França, o futebol não foge à regra dos demais países da Europa. É preciso investir em poderosos reforços do exterior para sonhar com conquistas. O Lyon é o melhor exemplo. Juninho Pernambucano, responsável direto pelo hexacampeonato nacional, é considerado por alguns o maior jogador do clube, e Fred até bem pouco tempo era ídolo. A importação ocorre devido à saída de atletas para as vizinhas Espanha, Itália e Inglaterra.

Foi assim com os três citados acima. Malouda, Abidal e Riberry (este foi para o Bayern de Munique) seguiram caminho idêntico. O mercado daquele país é semelhante ao brasileiro: produz para vender. Entretanto, a formação de craques desapareceu. Ou melhor, havia desaparecido. O Lens, desde 2002, vem lapidando a jóia rara chamada de “sucessor de Thierry Henry”. Trata-se Kevin Monnet-Paquet, 19 anos.

KMP, como é conhecido, passou a chamar a atenção na fase final do campeonato europeu sub-19, na Áustria, em julho deste ano. Disposta a repetir 2005, quando se sagrou campeã, e desmanchar o favoritismo espanhol, a França estreou no grupo B contra a Sérvia. A vitória era fundamental para o sonho seguir vivo. Até os 35min da etapa inicial, os sérvios eram os donos da partida. Com um jogador a mais, trocavam passes com autoridade e esperavam o tempo passar.

Aí entrou em ação o atacante do Lens. Com dois gols ainda no primeiro tempo, empatou a partida. Fez outro no segundo, e colaborou para sua seleção golear por 5×2. Ele já havia sido herói anteriormente. Na fase de apuração do torneio, comandou os 3X1 sobre Israel, resultado que deu vaga à França na Áustria e o título do grupo 6 (se classificaram os líderes dos sete grupos).

Artilharia do sub-19
Badalado, o jovem nascido na cidade de Bourgoin-Jallieu, passou a ser extremamente vigiado pelos defensores adversários. Não marcou mais gols, mas com boas atuações ajudou a França a chegar até a semifinal, onde caiu nos pênaltis para a Espanha. A “Fúria” levou o caneco para casa ao derrotar a Grécia na final pelo placar mínimo. Apesar da perda do título, o “hat-trick” deu a Paquet a artilharia da competição, ao lado de Anis Ben-Hatira, da Alemanha, e Kostas Mitroglou, da Grécia.

Rápido, resistente e dono de um forte chute de perna esquerda, o jogador de 1m82cm estreou no time principal do Lens em 19/08/06, data em que completou 18 anos, no empate em 1X1 contra o Lorient, na terceira rodada do campeonato francês. Ao longo do certame, atuou em cinco partidas, totalizando 38 minutos em campo, sem balançar as redes uma única vez. Disputou ainda quatro partidas pela Copa da Uefa, uma como titular, uma pela Copa da França, e outra pela Copa da Liga Francesa.

Talvez a juventude tenha atrapalhado o início entre os profissionais. Com um futebol abusado nas seleções de base e no Lens B, sempre foi destaque. Na Reserve–CFA, equivalente a quarta divisão, foi autor de 17 gols na temporada 2005-2006, o suficiente para encher de esperança os torcedores e encantar a imprensa de lá.

Conquistas via jogador “raro”
Com a saída de Cousin para o Rangers e o empréstimo do brasileiro Jussiê para o Bordeaux, KMP deve receber mais oportunidades. Caso as aproveite, o clube desistirá de buscar Georgios Sâmaras, do Manchester City. Credenciais para a titularidade e ídolo ele tem. Prova disso é que Guy Roux, treinador do Lens, aposta na mais nova promessa para levar o time vermelho e amarelo à conquista da Ligue 1 (campeonato francês), não comemorada deste 1997/98, à Liga dos Campeões da Europa, ausente desta desde 2002/03, e ao primeiro lugar da Copa da Uefa. Para tal, é preciso corrigir fundamentos básicos, como por exemplo, a bola parada.
Considerado “raro” pelos franceses, o camisa 14 na sub-19 e no Lens atua sem problemas no lado direito do ataque, embora seja canhoto. Sonha em ser campeão pela seleção, como Henry o fora. Antes, porém, sabe que precisa mostrar serviço no clube que o revelou, para depois sonhar com a fama do atacante do Barcelona.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo