Moleque

Você imagina um grande jornal do Brasil, qualquer deles, colocando um crítico de cinema para escrever sobre economia? Um cineasta? Um diretor de banco? Bom, um diretor de banco escrever sobre economia faria sentido, certo? Mas tem um jornal em São Paulo em que cineasta, crítico de cinema, músico e diretor de banco – além do Daniel Pisa, que eu não sei bem no que é bom – escrevem sobre futebol.

Evidente, não pode sair nada profundo, e se alguns deles percebem isso, e dão um tom diferente à cronica, sem querer analisar o futebol, outros fingem que entendem do assunto, e, claro, falam bobagem. Hoje, sem que eu autorizasse, entregaram o jornal da Fiesp aqui na minha casa, e eu li – só o esporte, o resto eu não consigo ler sem tomar um draminzinho. E me arrependi.

 Pois bem: diz o crítico de cinema que “só os mais tacanhos podem se incomodar com o futebol jogado pelo Santos”. Não há, claro, nenhum argumento que sustente a tese, e nem poderia haver, já que o cara é crítico de cinema – eu não poderia explicar porque achei Avatar bacana, mas fraco, embora possa dizer isso.

Vamos lá, então: o que é “o futebol jogado pelo Santos”? É a habilidade de Neymar? A qualidade de Paulo Ganso? O Robinho, embora ainda meio fora de ritmo? Ou é o time com um só volante? Se forem os três primeiros, não pode haver quem não goste. Se a questão for tática, entretanto, não há opinião envolvida: se o time for campeão, deu certo; se não for, de nada adianta ganhar de 10 de ninguém.

O problema são as gracinhas? O crítico de cinema gosta de gracinha? Então ele acha os Trapalhões melhores que o Scorcese? Ah, claro que não: cinema é coisa séria. Futebol, para ele e para o jornal da Fiesp, não.

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Equipe Trivela

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