Messi, Neymar, Corinthians, Flu e São Paulo. Sonho, feijão e sono

O poeta Campos Lara e sua mulher, a dona de casa Maria Rosa,  formam o casal protagonista de O Feijão e o Sonho, de Orígenes Lessa. Virou novela da Globo, com Cláudio Marzo e Nívea Maria. Ele vive de sonhos, só pensa em escrever poesia, perde emprego após emprego, enquanto ela costura para fora e faz de tudo para que não falte feijão na mesa.

Quem é o vilão? Ele,  é claro. Mas também é verdade que não se vive sem sonhar. Em tudo na vida. No futebol também, é lógico. Futebol é vida. E é sonho, como mostraram Messi e Neymar ontem. O argentino e o brasileiro mostraram uma vez mais que a grande bobagem do futebol mundial é cometida por aqueles que criaram a imbecil dicotomia entre ganhar e jogar bem.

Com Messi e Neymar, Barcelona e Santos ganham e jogam bem. Goleiam e são felizes. Mostram que futebol é o esporte que poderia ter sido inventado por Oscar Niemeyer, o poeta das curvas. Eles – como já fizera antes Garrincha, o anjo torto, – destroem a a geometria e provam que essa história de que a menor distância entre dois pontos é uma reta não passa de balela de quem nunca jogou bola.

Os dois golaços de Neymar, carregando a bola em curva e chegando ao gol de Muriel para uma definição simples e mortal são puro sonho. Como as duas cavadinhas de Messi. Que frieza para decidir!! É para acabar com outra bobagem: “jogador latino falha na hora de decisão, não sabe cobrar pênaltis”.

Messi e Neymar quebram recordes atrás de recordes. O santista chega a 90 gols em três anos de carreira. Logo, será o maior artilheiro do Santos pós-Pelé. Faltam 15. Para Messi, faltam nove para ser o maior artilheiro do Barça. E há muitos números por aí. O principal é o 1. Messi, o número um do século, poderá se igualar à Pelé? Neymar, o número 1 do Brasil, pode ser o melhor do mundo?

Futebol também se ganha com luta, suor e planejamento. É o feijão. O Corinthians é o principal representante dessa vertente. Tite, em sua busca total pelo equilíbrio, não escalaria Neymar, Messi, Xavi e Iniesta no mesmo time. Mas, tem muitos méritos. O Corinthians ganha sem sustos, apesar de 2 a 0 ser saudado como goleada. É forte concorrente ao título da Libertadores. Desde que, em algum momento da competição, não seja necessário brilhar.

O Fluminense entra aqui, ao lado do Apoel, do Chipre, por jogar com coração e acreditar na superação. Graças a ela, e a jogadores de alto nível como Fred e Deco, passou a ser o terceiro clube brasileiro a derrotar o Boca na Bombonera. Está muito mais próximo do Santos de Pelé do que do Paysandu de Iarley, os seus companheiros de feito. Tem seis pontos em dois jogos e está perto da vaga.

O Apoel, de Chipre, eliminou o Lyon, da França e chegou às quartas-de-final da UCL. Além disso, ganhou o direito de ser citado sempre que se buscar um exemplo de como o futebol é o esporte que mais permite surpresas. Como a vida.

O São Paulo, aqui no pé da matéria entra como exemplo de vitória construída não com sonho e nem com suor. Com sono. E com ajuda do árbitro.

E, mesmo assim, com um golaço de Cícero. Azar, para ele, que marcado no mesmo dia em que Messi e Neymar. O pessoal de outra turma. Os gênios da bola.

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Equipe Trivela

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