Messi e o hino

Poucas instituições são tão respeitadas pelo torcedor quanto o talento do craque. Um respeito tamanho que se transforma em algo utópico, idealizado. O talento é alto tão superior que ele é onipotente, ele é capaz de tudo, em todo o momento. Basta o craque apertar o botão de “ligar” (ou “on”, dependendo de ser um jogador para exportação) para sair driblando, trocando passes e fazendo gols como se fosse um jogo de videogame.

Seria bom se fosse assim. Até porque, quando o craque joga mal, bastaria dizer que ele não quis acionar seu talento. Falta de vontade, falta de motivação, falta de amor à camisa, mercenarismo. Mas não é assim. Jogadores são humanos, e o tal botão de “ligar” simplesmente não existe.

Messi é o melhor jogador do mundo no momento, mas não consegue ser, com a seleção argentina, a força dominante que é com o Barcelona. Foi só ele mostrar passividade ao ouvir o hino de seu país para o acusarem de falta de patriotismo. Muito cruel fazer um julgamento tão definitivo com base em algo pequeno.

A seleção argentina é uma confusão desde a saída de José Pekerman, ao final da Copa de 2006. Alfio Basile assumiu, Maradona o derrubou e tomou seu lugar, depois acusou Sergio Batista de fazer o mesmo com ele. Enquanto isso, jogadores com grande força com a torcida e a imprensa, como Riquelme e Tevez, tomam partido e ajudam a rachar o elenco. Messi fica fora dessa briga política, mas, quando ela se transforma em bagunça em campo, ele é o culpado por não resolver tudo com o botão mágico de “ligar”.

Na Copa do Mundo, Leo é condenado por não fazer gol. Mas faltou vontade em campos sul-africanos? Não. Se ele não fez gol na Copa do Mundo, foi por culpa da falta de organização da seleção de Maradona como um todo e pelas defesas de Enyeama no Argentina 1 x 0 Nigéria da estreia. Se ele fica quieto no hino, é talvez porque tenha um tempo de silêncio para refletir em tudo o que acontece no vestiário da Argentina. Ou apenas é um sujeito introspectivo.

Contra a Costa Rica, Messi fez uma excelente partida. A falta de experiência e de talento do adversário ajudou, ainda mais no segundo tempo, quando a marcação acabou afrouxando. Mas ele mostrou um futebol confiante e decidiu a partida com sua articulação no meio-campo. Sua participação foi fundamental para a classificação argentina.

E, antes do jogo, ficou quieto como sempre na hora do hino…

Publicado originalmente no Balípodo.

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Equipe Trivela

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