Meia-noite em Paris

Deu meia-noite em Paris. Ao soar das badaladas de Notre-Dame, o protagonista do mais recente filme de Woody Allen embarca em sua jornada pela capital francesa dos anos 20. Lá encontrará seus ídolos da literatura, da música, das artes plásticas e do cinema. Pra sorte dele, a Paris de seus delírios não é a atual e, até por ser americano, ele não deve ter lá muita vontade de encontrar grandes astros do soccer. Se tivesse, daria com os burros n'água Perrier. Afinal, deu meia-noite em Paris. E ao som da janela de tranferências se fechando, o novo rico da moda no futebol europeu se dá conta de que esteve bem longe de atingir os seus objetivos megalomaníacos.

Foram vários os reforços cogitados para o Paris Saint-Germain e todos achavam que ao menos algum figurão eles conseguiriam contratar. Além do dinheiro catariano jorrando nos cofres do clube, o clube já conta com um diretor de futebol respeitado como Leonardo e um técnico consagrado como o recém-chegado Carlo Ancelotti. O sonho mesmo era Beckham. Um reforço que, a essa altura da carreira do Spice Boy, seria mais midiático que qualquer outra coisa. Ele preferiu continuar batendo perna pela Rodeo Drive, não se deixando encantar pelas vitrines da Champs-Élysées. Falou-se também em Kaká, mas este (ao menos por enquanto) parece decidido a superar a má fase e brilhar no Real Madrid.

Outro alvo era Carlitos Tévez, com direito a concorrência da dupla milanesa era pesada. Mas no último dia de janela escancarada, o argentino não foi a lugar algum. Nem deu as caras para observar a vista, já que a paisagem de Manchester o desagrada terrivelmente. Quem esteve muito próximo do PSG foi Alexandre Pato, mas veio o veto de Berlusconi (o patrão, não a patroa). No final das contas, outros brasileiros até aceitaram o fardo de morar em Paris e ganhar uma bolada, mas nenhum nome de impacto: Alex, Maxwell e, no apagar das luzes na Cidade Luz, Thiago Motta. 

Diga-se que com a contratação de Thiago, que custou 10 milhões de euros, o PSG conquistou o troféu “Denílson no Betis”, premiando a maior quantidade de dinheiro rasgada no mercado de inverno. Por mais ou menos o mesmo valor, a Inter repôs a saída dele com dois jogadores de bom nível, Palombo e Guarín. Ou seja, nem mesmo com a disposição de gastar os tubos em um continente quebrado, o Manchester City francês (WENGER, Arsène – 2011) conseguiu atrair reforços de peso.

É provável que tudo mude no verão, quando o clube deverá ter confirmado seu favoritismo, sagrando-se campeão nacional e garantindo uma vaga na Champions League. Investindo bem, o PSG poderá dar alguma legitimidade ao seu projeto de brigar de igual para igual com os melhores do continente. Até lá, Paris continuará linda (especialmente quando chove), mas seus moradores terão de se contentar com um Pastore sobrecarregado, um Nenê inesperadamente decisivo e um punhado de bons jogadores, que dão consistência ao time, mas não trazem a grife com a qual os árabes sonham para o clube. O suficiente para voltar a ser forte dentro das fronteiras da França, mas não para sair empinando o nariz Europa afora.

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Equipe Trivela

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