“Marcos deixou de ser profissional em 2003”, diz autor de biografia

A rotina diária em um jornal esportivo é pautada principalmente pela busca do fato. Quem treinou, quem machucou, quem foi vendido, quem está sendo contratado. Há pouco tempo para um texto mais elaborado, para dar asas à imaginação. Principalmente quando se é novo. Esses vôos ficam para os veteranos.

Mas sempre é possível fazer algo diferente. Foi o que eu percebi nos poucos meses que trabalhei como Celso Campos no Lance, em 1998. Não sei exatamente o que foi – está difícil lembrar qual foi o cardápio do meu corrido almoço de hoje – mas sei que foi bom. Tanto que me lembro do fato e não de haver conversado algum dia com ele.

Depois, vi que estava certo. A confirmação veio através de um livro que contava a história do Notícias Populares e, como se fosse preciso, a confirmação com a biografia de Adoniran Barbosa, o poeta do povo.

Agora, o Celso escreveu a biografia de Marcos, maior goleiro da historia do Palmeiras, que se aposentou. Conversei como ex-foca e hoje escritor de alto nível.

Quando você teve a idéia de escrever o livro?

Foi em 2003, quando o Marcos recusou uma proposta do Arsenal e resolveu continuar no Palmeiras, que estava indo para a segunda divisão. Vi que ali estava, além de um grande goleiro, um cara que estava na contramão do futebol, onde tanta gente quer levar vantagem em tudo. Na época, o Palmeiras fazia de tudo para mandá-lo embora, todo mundo falava que estava certa a negociação. O pentacampeão tomaria o lugar de Seaman, mas o Marcos foi, voltou e dois dias depois estava se apresentando ao Jair Picerni. Ele deu várias explicações, mas depois disse uma frase emblemática: ‘o maior empecilho fui eu mesmo’~. É lógico, eu comento no livro. O Arsenal não tem camisa verde, na Inglaterra não tem arroz e feijão e ninguém escuta Teodoro e Sampaio.

O livro se chama “São Marcos de Palestra Itália”. Não há um risco de ser uma hagiografia, algo apenas laudatório ao grande goleiro?

Isso não aconteceu. Tentei falar com o Marcos durante muito tempo e não consegui. Ele dizia que o Palmeiras é que deveria me dar permissão para entrevistá-lo e o clube nunca ajudou. Nunca me deu uma resposta. Então, eu não falei com o jogador, o que me deu um certo distanciamento. Ao contar a sua história, conto também um pouco da história do Palmeiras. Ele chegou em 92, em meio a um barril de pólvora, fez uma grande carreira e se aposentou como um santo mesmo. Mas eu também falo das pisadas de bola que ele deu.

Quais foram?

Dentro de campo, os frangos que tomou. Se ele mesmo assumiu, eu como jornalista é que não posso esquecer. E, fora do campo, houve o caso de 2001. Ele se contundiu no segundo semestre de 2000 e perdeu o lugar para o Sérgio, que foi ótimo, o principal responsável pelo título no Torneio dos Campeões, que classificou o time para a Libertadores. Sérgio acreditou em uma premissa de que goleiro só perde lugar por contusão, suspensão ou por estar jogando mal. Pensou que iria ser titular, mas o Marcos fez uma certa pressão. Disse que goleiro precisa jogar para estar em evidência, que seria preciso ver como tudo iria ficar. O treinador, que era o Marco Aurélio, optou pelo Marcos e o Sérgio ficou muito aborrecido.

Qual foi a maior dificuldade para escrever?

A carreira do Marcos é muito bem documentada de 1998 para cá, mas antes, não. Para suprir esse período de poucos dados, fui atrás de três entrevistados importantes: o Neno, olheiro que o descobriu, o Carlos Pradalli, que era responsável pela base do clube e o Sérgio, que foi sempre um grande amigo. Com elas, consegui recuperar esse período. Deu um pouco de trabalho. O livro tem ainda 110 fotos do Marcos, inclusive com cabelo.

Para que time você torce?


Parmera, NE? Mas mesmo quem não e palmeirense reconhece que o Marcos é um sujeito sensacional.

 

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo