“Maracanã – 50 Anos de Glória”

Em 1998, Renato Sérgio contou os cinquenta anos da história do Maracanã num livro atualmente fora de catálogo e que talvez merecesse alguma nova edição, o que não faz muito sentido. Uma obra importante mas melhor do que reeditá-la seria atualiza-la contando suas histórias posteriores aos cinquênta anos. A obra ‘Maracanã – 50 Anos de Glória’ apresentava bom acabamento e atributos visuais interessantes também, registrando tanto o aspecto arquitetônico do famoso estádio quanto aquilo que o próprio Maracanã abrigou. Os eventos futebolisticos estão em primeiro plano mas eventos e shows não ligados ao futebol também fizeram parte de sua existência.

A história começa óbvamente com a construção do estádio no fim dos anos 40 em todo o seu contexto histórico brasileiro e carioca naquele período. O Maracanã começou a ser construído entre 1948 e 1949 durante a gestão do presidente Eurico Gaspar Dutra. Detalhes sobre a Copa de 1950 são apresentados e o Marcanã era o grande estádio brasileiro da época idealizado tendo em vista o prórpio evento. Neste momento que envolve os preparativos (e a politicagem) em torno de uma nova Copa no Brasil, o resgate feito por Renato Sérgio a respeito dos bastidores do primeiro mundial aqui realizado se faz muito oportuno. Trata-se de um bom material de consulta e pesquisa histórica.

Trechos de crônicas, artigos e notas publicadas em jornais da época surgem em meio ao texto. Termos estrangeiros como ‘scrach’, ‘cracks’ ainda não haviam sido apropriados pela língua portuguesa aqui falada. Tornaram-se escrete e craques posteriormente mas não deixavam de serem termos tão curiosos como uma equipe cebedense, adjetivo utilizado na época para se referir à própria Seleção Brasileira na época da extinta CBD. Consequêntemente a primeira grande tragédia naquele campo será relatada, o maracanazo quando a Seleção Brasileira foi derrotada pelo Uruguai na final. O clima de ‘já ganhou’ e todo ‘oba oba’ que envolve um jogo da Seleção no Maracanã parece vir de uma longa data. Seria algo já incrustrado no subconsciênte brasileiro.

Tem-se várias galerias de fotos no decorrer da obra das quais valem mencionar as que registram recepções ao Papa João Paulo II em 1980 e 1997. O show de Frank Sinatra naquilo que no showbusiness chama-se de sold out (lotação máxima) também ocorrido em 1980 e claro os mitos e lendas que caminharam por aquele pedaço de chão onde tantos Fla/Flus foram realizados. A estrela solitária de Garrincha numa foto em sua partida de despedida ou Roberto Dinamite, ídolo maior do Vasco da Gama. O Flamengo de Zico, Romário pela Seleção Brasileira no já lendário Brasil 2×0 Uruguai (dois gols do baixinho) pelas Eliminatórias do Mundial de 1994.

Além de grandes momentos não cariocas como uma imagem do Santos disputando a partida de volta que acabou no bicampeonato Intercontinental de 1963. O alvinegro praiano vencia o Milan em solo carioca, curiosamente com Almir vestindo a camisa 10 de Pelé contundido na ocasião. O Rei do Futebol aparece levantando uma taça ao lado da rainha britânica Elizabeth II. O troféu era referente a uma partida entre Paulistas x Cariocas no ano de 1968.

Nos próximos cinquenta anos talvez possam ser contadas outras histórias como a medalha de ouro do futebol feminino nos jogos Pan Americanos de 2007. Bem como a queda tricolor que Nelson Rodrigues gostaria de ter vivido para poder relatar, a derrota do Fluminense na final da Libertadores 2008. E quem sabe, outro novo maracanazo em 2014…

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