Mancini: Un vero fantasista

Roberto Mancini foi um camisa 10 impetuoso e com a típica ‘fantasia’ mediterrânea, capaz de, num instante, colocar uma partida de pernas para o ar. ‘Mancio’, como é carinhosamente chamado o atual técnico da campeã italiana Internazionale, era um meia-atacante ousado, capaz de dribles em progressão, jogadas de efeito e veia goleadora. Un vero fantasista!

Genial com a bola, ainda um menino, seu nome já causava alvoroço na pequena comunidade de Jesi, onde nasceu, no leste da Itália. O ex-goleiro Luca Marchegiani, conterrâneo, com quem jogou na Lazio, disse na revista Guerin Sportivo, em junho de 1997, que quando o assunto era calcio todos citavam o nome de Mancini na cidade.

Quando estreou na Série A, em 12 de setembro de 1981, com apenas 16 anos, pelo Bologna, tornou-se o futebolista mais jovem a entrar em campo no Campeonato Italiano. Logo surpreendeu, marcando nove gols, e despertou a atenção da Sampdoria, que na temporada seguinte (1982/3) trouxe ‘Il bambino di Jesi’ para cidade portuária de Gênova.

Mancini tem elevada cultura tática e uma personalidade franca e mesmo rude às vezes. Muitos diziam que nas equipes que jogou havia dois técnicos: um no banco e ele em campo. Apesar da fase dourada da Sampdoria na virada dos anos 80/90, quando foi comandada pelo carismático treinador iugoslavo Vujadin Boskov, a principal referência de Mancini como técnico foi o sueco Sven Goran Eriksson, com quem trabalhou sete anos. No período de ‘vacas magras’ da Sampdoria (1992 a 1997) e depois na ótima Lazio do fim dos anos 90.

Pela seleção italiana, nunca foi peça fundamental. Para muitos, se não existisse Baggio, um craque da mesma posição, Roberto Mancini teria feito história com a camisa da Itália. Seus quatro gols em 36 jogos pela Azzurra estão longe de representar a verdadeira dimensão do seu futebol.

Certa vez, numa entrevista, perguntado sobre os motivos de não haver muitas chances na seleção, ‘Mancio’ confessou que seu grande problema como futebolista é ter a língua afiada. “Falo demais. As pessoas muito sinceras não são bem vistas…”

O rosto da ´Bella Samp´

O litoral parece ter trazido bons fluidos para ‘Mancio’, que vestiu a camisa ‘blucerchiati’ da Sampdoria por 15 anos, marcando 132 gols em 424 jogos. Isso fez com que o jogador se tornasse um símbolo da equipe.

Ao lado do ‘pazzo’ Gianluca Vialli, formou uma das duplas de ataque mais afinadas e irreverentes do futebol italiano. Juntos, os ‘gêmeos do gol’, como eram conhecidos, levaram a equipe doriana para altos patamares, conquistando os primeiros títulos da história do clube.

Símbolos do período dourado da Sampdoria, Mancini e Vialli mantêm uma sólida amizade. No fim da década de 90, num especial de rádio, em Gênova, Mancini falava sobre a possibilidade de jogar na Inglaterra quando, de repente, surgiu uma chamada diferente: “Sou torcedor do Blackburn, mas falo de Londres para lhe dizer que não queremos você na Liga Inglesa”. Gargalhada de Mancini. Era Vialli que falava, do outro lado da linha.

O principal deles foi o título nacional de 1990/1, quando Mancini foi peça fundamental na conquista do primeiro e único Campeonato Italiano da história da Sampdoria, tendo o brasileiro Toninho Cerezo como companheiro. Mancini considera o brasileiro o maior jogador com quem atuou.

No ano seguinte, Mancini foi o condutor dos Blucerchiati até a final da Liga dos Campeões, perdida na prorrogação para o Barcelona do técnico Johann Cruiff. ‘Mancio’ recorda essa derrota como a mais dolorosa de toda sua carreira.

*Texto dedicado a Greyce Tomaz Martins

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