Mais uma quinta-feira de Copa e os torcedores do Nacional

No futebol, cada time tem sua identidade, seja para jogar ou para torcer. De qualquer maneira, chega a Libertadores e nos pegamos de queixo caído quando vemos o Defensores del Chaco lotado de torcedores do Olimpia, cheio de faixas e bandeiras e uma certa penumbra clima-de-Libertadores, e uma vitória do visitante Emelec. Nos surpreendemos também com a torcida do já eliminado Nacional e seu incessante canto nos últimos quinze minutos da derrota para o Vasco em casa.

Enquanto isso, no Rio, a torcida do Flamengo não compareceu em peso. Nada fora do comum mesmo para a maior torcida do Brasil, já que só uma combinação de resultados – nem tão improvável, como esta quinta-feira 12 nos mostraria – seria capaz de colocar o rubro-negro nas oitavas de final da Libertadores. Mesmo com uma atuação brilhante de Ronaldinho (impressiona que ele seja decisivo justo num momento como este), a torcida se fez ouvida poucas vezes durante a partida. [Detalhe importante: essa é a impressão de quem viu pela TV.]

Os torcedores do Engenhão não são exceção. Cada torcida brasileira tem sua característica, mas todos somos pródigos em pegar no pé de um jogador com cinco minutos de jogo, levar bandeiras com as biblícas escrituras: “Time sem vergonha” e cantar a plenos pulmões que queremos jogador. Talvez não façamos isto com nossos políticos, mas com nossos clube do coração é assim que agimos. Isso não nos torna melhor ou pior. Somos apenas (quase todos) assim.

Um pouco depois da fatídica pergunta de Léo Moura (e já épico momento do recém-nascido Fox Sports) “Gol do Emelec?”, o Nacional pegava o Vasco num Parque Central muito longe de sua ocupação máxima. Atrás de um dos gols, um grupo de fanáticos do Bolso se aglomerava. Fizeram alguma festa durante todo o jogo, mas foi lá pelos minutos finais que transformaram a partida, vitória do Vasco por 1 a 0, num mero coadjuvante do que acontecia na arquibancada. (Assista ao vídeo enquanto lê o resto do texto!)

Alguns gostam de ver essa atitude da torcida como um aviso de que no ano que vem essa mesma força estará presente em mais uma Copa (Libertadores). Uma espécie de “Lutem e estaremos aqui”. Outro creem ser apenas um motivo para pular, cantar e gastar os sinalizadores (será que essas luzes fazem tão mal aos estádios brasileiros?) que não serão usados durante a temporada. Sou dos que acreditam que aquela é uma declaração da torcida do Nacional. Um aviso de que nada o que acontece no gramado tem sentido sem eles, ali em cima, carregando o time no coração.

Seria bonito presenciar algo do tipo do Brasil – eventualmente até vemos, mas geralmente numa final de campeonato em que o time se esforça e fica perto de seu objetivo -, mas não precisamos copiar postura, bandeiras e músicas de torcidas uruguais ou argentinas. Sabemos torcer do nosso jeito. Precisamos é nos acostumar a aplaudir ao perceber que lá como cá encaram o futebol de forma intensamente apaixonada. 

Não me espantaria se até um flamenguista dissesse que a torcida do Nacional fez essa quinta-feira de Libertadores valer a pena. (Mentira, é claro que me espantaria!)

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Equipe Trivela

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