Lyon: Encanto quebrado

por João Lucas Garcia

A França viu surgir nos últimos anos uma hegemonia nunca antes vista. Na verdade, não só viu surgir uma hegemonia, como também viu a ascensão de um clube antes pequeno e que se tornou o maior daquele país: o Olympique Lyonnais, mais conhecido como Lyon. Esta ascensão é principalmente atribuída ao presidente Jean Michel-Aulas. As coisas se encaixaram de tal forma que superou a antes inacreditável marca do Saint-Ettiene de cinco títulos seguidos da Ligue.1. Talvez a única queixa que o torcedor lionês possa ter é em relação às competições européias, onde o clube decepcionou e nunca conseguiu passar das quartas-de-final na Champions League, acumulando traumáticas eliminações.

As coisas depois da conquista do sexto título nacional consecutivo estavam claramente mudadas. O clima para seus principais jogadores e ídolos – Juninho e Coupet – estava abalado, as intrigas de vestiário passaram ao campo e as lentes das câmeras, a direção perdia o controle sobre o time da mesma forma como seu treinador não conseguia conter os nervos à flor da pele de Fred e Diarra. A solução? Reformular.

O início desta limpa ocorreu no banco de reservas, para depois passar ao campo de jogo. A saída de Gerard Houllier foi acertada, já que o treinador não conseguiu mostrar a união e coesão que o ex-treinador Paul Le Guen mantinha dentro de Gerland, e as suas brigas com Juninho, Coupet, Govou, Wiltord e Malouda influenciaram e muito na sua demissão. Para seu lugar, chegou o bom Alain Pérrin. Entretanto, esta designação de “bom” para o novo treinador pode vir também com algumas ressalvas, como trabalhos fraquíssimos por Olympique de Marseille e Portsmouth. A aposta em um treinador não tão acostumado com egos gigantescos poderá custar caro.

Acertada a situação no comando, foi hora de rever algumas peças para o novo treinador trabalhar. Sem clima nenhum para continuar no Lyon, Malouda, Wiltord e Diarra deixaram o clube, seguidos pelos ex-capitães Cláudio Caçapa e Tiago. A venda de Abidal por valor altíssimo talvez tenha sido o único fato bom da janela de transferências para os Gonnes. A base que tinha conquistado a França nos últimos anos tinha perdido quase todos seus representantes. As chegadas de Keita, Bodmer e Grosso animaram um pouco a torcida tanto pela qualidade dos contratados quanto pelas cifras gastas neles, mas não foram as contratações esperadas.

O título da Liga Francesa era praticamente uma certeza assegurada antes mesmo do início da temporada. A única dúvida desde que o Lyon ganhou o status de grande clube francês era a Champions League. O começo de temporada mudou esta rotina, e confirmou os temores que alguns já haviam imaginado desde o mês de maio passado.

Na estréia contra o Auxerre, uma vitória tranqüila, mas sem brilho. Nos dois jogos seguintes vieram as surpresas, ou melhor, derrotas. Uma contra o surpreendente Toulouse, jogo que a equipe jogou bem, mas com um a menos – Kallstrom foi expulso – acabou sofrendo a derrota. A segunda, porém, foi estarrecedora e comprovou o fim da felicidade do torcedor lionês. A derrota foi desta vez para o Lorient, clube que não fez mais do que uma 14ª colocação na última Ligue.1. As más atuações dos novos contratados também preocupam, já que Grosso vem falhando bastante e Bodmer ainda não correspondeu aos € 6,5 milhões investidos.

A recuperação dentro da Liga Francesa ainda é possível e totalmente alcançável. Uma boa participação dentro da Liga dos Campeões, grande objetivo declarado de Aulas desde que assumiu a presidência do clube, também pode ocorrer, porém uma coisa já é certa: o Lyon não é mais o mesmo.

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Equipe Trivela

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