Luis Suárez, o melhor da Espanha

A Espanha chega para disputar a Eurocopa mais uma vez indicada como possível vencedora da competição. O favoritismo existe em todos os torneios que a Fúria tem disputado ao longo dos anos, mas as derrotas precoces e trágicas tiram toda a credibilidade do futebol espanhol. Apesar de ter uma liga nacional recheada de grandes estrelas internacionais e clubes portentosos os jogadores espanhóis não conseguem destaque. Até hoje apenas um atleta nascido no país foi eleito o Bola de Ouro da Europa, Luis Suárez em 1960.

Luis Suárez foi um meia que hoje praticamente não existe. Habilidoso, inteligente, genial e outros adjetivos acompanharam a carreira do melhor jogador espanhol de todos os tempos. No ano 2000 quando Pelé fez a tão discutida lista dos melhores 125 jogadores vivos da história do futebol e não incluiu Suárez toda a Espanha ficou inconformada. O Rei selecionou Luis Enrique, Butragueño e Raúl.

Suárez e Barcelona contra Di Stefano e Real Madrid

Nascido na Galícia começou a jogar no Deportivo La Coruña em 1952 nas categorias de base, subiu para o time principal na temporada 54/55. Neste campeonato o Deportivo foi à Catalunha enfrentar o Barcelona, apesar da goleada sofrida por 6 a 1 Luisito (como também era conhecido) se destacou e os dirigentes do clube rival o contrataram.

No Barça Suárez jogou ao lado de Lászlo Kubala, Sandor Kocsis, Zoltán Czibor e do atacante brasileiro Evaristo de Macedo. Sob o comando do treinador Helenio Herrera o Barcelona fazia frente ao grande Real Madrid de Alfredo Di Stefano, Gento e todo o esquadrão. Os passes perfeitos e os tiros de longa distância foram marcas registradas neste período. Na Espanha o bicampeonato de 59 e 60 e mais duas Copas do Rei fizeram com que Suárez fosse eleito o melhor jogador da Europa. O jornal francês “L´Equipe” assim o definiu: “Suárez amansa a bola, dribla como ninguém, coloca a bola onde quiser com passes milimétricos. Parece um Duque no campo. Corre com elegância. Parece que não há suor. É um aristocrata da bola e o seu futebol é como um espetáculo de balé moderno. Em uma só pessoa é o atleta, dançarino e maestro”. Após a derrota na final da Copa dos Campeões de 1961 para o Benfica de Eusébio o craque é vendido para a Internazionale.

Muito dinheiro e troféus na Itália

Quando Angelo Moratti, dirigente da equipe milanesa, contratou Suárez pela fortuna na época de 142 mil libras esterlinas ninguém acreditava que um jogador valeria tanto. Cabe aos interessados tentar trazer a valor presente esta cifra, mas para efeito de comparação a Juventus comprou Omar Sivori junto ao River Plate por 110 mil libras, quantia o suficiente para o clube de Buenos Aires reformar todo o estádio Monumental e ainda aumentar a capacidade.

A sua chegada a Milão foi indicada pelo técnico Helenio Herrera e os resultados logo apareceram. O scudetto de 1963 credenciou a Inter a disputar a Copa dos Campeões no ano seguinte. No time jogavam Sandro Mazzola, Domenghini e o brasileiro Jair. O Bicampeonato europeu veio em 64, depois de vencer o Real Madrid por 3 a 1, e em 65. Desta vez contra o Benfica com vitória pelo placar mínimo. Nestes dois anos os Nerazzurri faturaram o Mundial de Clubes contra o Independiente da Argentina. Em uma das finais disputada na capital porteña Suárez fez um gol de bicileta. Vídeo disponível no site Youtube.

Suárez enfrenta o Diabo na final da Eurocopa

A seleção da Espanha até hoje só possui duas grandes conquistas. A primeira e de maior relevância é o campeonato europeu de 1964 e a segunda a olimpíada de 1992 quando foi sede das duas competições. Como os Jogos Olímpicos tem uma série de restrições aos atletas em campo a Eurocopa torna-se a única taça importante na sede da federação espanhola.

O formato de disputa do campeonato naqueles anos era bem diferente do atual. Da primeira edição até 1976 apenas os quatro melhores classificados nas fases eliminatórias se reuniam em uma sede para as semifinais e a final. Em 64 a Espanha foi anfitriã e recebeu Hungria, União Soviética e Dinamarca. Na partida contra os húngaros, Suárez e companhia tiveram sérias dificuldades para avançar à final. A vitória somente aconteceu na prorrogação com um gol de Amancio quando restavam cinco minutos para o fim.

Na outra semifinal, “os demônios” golearam a Dinamarca por 3 a 0 no Camp Nou e foram disputar o troféu no Santiago Bernabéu. Estes endiabrados eram os soviéticos. Era assim que o ditador Franco chamava o adversário da final. Outra confusão armada por Francisco Franco era de não permitir que os russos usassem o uniforme vermelho, mas isso não aconteceu e a Fúria foi para a final com o segundo uniforme. O temor do comunismo e o clima de guerra fria chegaram ao gramado. A União Soviética era a atual campeã e lutava para manter a taça, como maior destaque o lendário goleiro Lev Iashim. Logo aos 6 minutos o atacante Pereda abre o marcador e dois minutos depois Khusainov deixa tudo igual. Suárez, Gento, Pereda e Marcelino são os principais nomes da linha de frente espanhola. E San Marcelino anotou de cabeça o gol do título aos 39 minutos do segundo tempo levando os 100 mil torcedores ao delírio.

Depois de ter pendurado a chuteira Luis Suárez virou treinador e passou por diversos clubes. Mas foi no comando da seleção que Suárez voltou a um Mundial (Jogou em 62 no Chile e 66 na Inglaterra). Na Copa do Mundo de 1990, na Itália, a Espanha começou bem e como uma sina caiu nas oitavas contra a Iugoslávia. Atualmente vive em Milão e ainda trabalha na Internazionale como dirigente.

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Equipe Trivela

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