Lugares comuns

 Sou um cara tenso, como a maioria já deve ter percebido. Me irrito com poucas coisas, mas estas me irritam bastante. E uma das que mais me irrita são as unanimidades repentinas. Como por exemplo: “vamos comemorar uma derrota de Ricardo Teixeira”.

Quem acompanha este blog sabe que, além de ser tenso, nutro profundo desprezo por RT. Desonesto até a última gota de sangue, e incompetente quase sempre, é uma doença para o futebol do mundo, não só do Brasil. Comemorar sua derrota, porém, no caso Muricy, é comemorar mais duas derrotas: a de Muricy Ramalho e a da seleção brasileira. E uma vitória: a da direção do Fluminense.

Pois bem: uma vitória da dupla Horcades-Barros é tão danosa para o futebol quanto uma de RT. Dois dos administradores mais lamentáveis do futebol brasileiro, gente que nunca cumpriu contrato na vida, passaram anos lambendo as botas da CBF para, provavelmente a troco de dinheiro ou favores, passar para a oposição depois. Gente que, se o Fluminense embicar para baixo, não pensará duas vezes antes de demitir Muricy.

Muricy perdeu, ainda que haja quem ache que há aí um “ganho de imagem”. O ápice da carreira de um treinador é dirigir a seleção de seu país, e o ex-técnico do São Paulo esteve a um “sim” disso. A suposta multa de seu contrato é provavelmente lenda, já que Muricy sempre disse que não põe multa em seus contratos. O que pesou para ele foi sua palavra. É bonito? Tenho dúvidas. Seria bonito se fosse com um time que honra seus compromissos. Com o Fluminense pode ser simplesmente tacanho.

Perde Ricardo Teixeira, mas ganham os caras que transformaram o Fluminense numa filial da Unimed. Ganha o cara que disse que mulheres têm dois neurônios. E por aí vai. E perde a seleção brasileira, que, ainda que tenha um bom técnico, terá uma terceira opção no cargo, sem moral para fazer o que precisa ser feito.

Vale a pena comemorar essa derrota de Teixeira?

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