Longe demais das capitais

Enquanto a Série A é um campeonato disputado em sua absoluta maioria por times de capitais de estado, a Série B tem um espaço bem maior para os times do “interior”. Alguns, inclusive, já alcançaram a glória e levantaram a taça. Outros, viraram espécie de símbolo da segunda divisão nacional.

Antes, tenho que explicar o porquê de usar “interior”. O Brasil foi colonizado inicialmente de frente para o mar. A maioria das capitais ficam em cidades litorâneas ou muito próximas. Nos estados banhados pelo mar, a capital mais distante do Oceano Atlântico é Teresina, longe cerca de 330 km de Parnaíba, única cidade do exíguo litoral do estado. É a campeã disparada, enquanto as capitais sem praia, como São Paulo e Curitiba ficam distantes 90 km da praia. De certo modo, as aspas são para o caso de cidades como Santos e Paranaguá, que não são capitais, mas não são interior, e possuem relevância regional e futebolística, embora o Santos, por exemplo, não conheça a Série B.

Alguns time do “interior” já tiveram a honra de copar a Série B. São eles: Villa Nova (de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte), Londrina (norte do Paraná), Guarani (de Campinas, cerca de 100km a oeste de São Paulo), Uberlândia (Triângulo Mineiro), Inter de Limeira, Bragantino e União São João (mais três paulistas), Juventude (Caxias do Sul, Serra Gaúcha), e Criciúma (sul de Santa Catarina). Só que temos um jejum curioso: desde 2002, um interiorano não ganha a Série B, cabendo ao Tigre Catarinense a última glória, o que significa não ter nenhum time de fora das capitais que tenha sido campeão da Série B na era dos pontos corridos (desde 2006).

Nesta temporada, a missão de quebrar esta incômoda escrita fica por conta dos paulistas São Caetano e Santo André (ABC Paulista), Ponte Preta (Campinas), Guaratinguetá (Vale do Paraíba), do mineiro Ipatinga (Vale do Aço), do fluminense Duque de Caxias (Baixada Fluminense) e de duas boas surpresas nordestinas: o ASA de Arapiraca (Agreste Alagoano) e Icasa (Juazeiro do Norte, Sertão do Cariri). De certo modo, eles representam alguns aspectos de seus estados.

Enquanto a maioria das capitais nordestinas têm seu futebol agonizando, clube melhores organizados do interior tomam seus lugares. Isso não é exclusividade do Ceará (que tem um time da capital na Série A e o outro tradicional na C) e de Alagoas. Em menor escala acontece em outros estados, como o Maranhão, que vê o JV Lideral, de Imperatriz, como atual campeão. A Ponte Preta é um caso a parte, de clube tradicional que gravita entre as primeiras divisões. São Caetano e Guaratinguetá, assim como Duque de Caxias e Ipatinga são frutos de regiões que têm algum protagonismo em seus estados na política ou na economia. De certo modo, fazer futebol no “interior” é bem mais difícil, pois há menos mídia e muitas vezes o time fica dependente apenas do poder econômico e político local. Quando este poder deixa de ajudar, vemos derrocadas incríveis como a do Londrina e do Grêmio Maringá, só para ficar nos exemplos que estão mais perto de mim.

A desregionalização e o fim do inchaço da Série B diminuíram o espaço de vários estados e de várias equipes do interior. Poderemos passar a semana inteira relembrando equipes clássicas do campeonato que até hoje têm cara de Série B como o Goiatuba, o Barra do Garças, o Central de Caruaru, o América de São José do Rio Preto, o Uberlândia, o Marcílio Dias e etc. Muitos perdidos nas divisões inferiores ou nas catacumbas do tempo e do espaço.

Pó de Guaraná

* A rodada que se passou teve dois clássicos. No primeiro, o Náutico empatou com o Sport no Aflitos. Com isso, pista livre para o Coritiba bater o Paraná na Vila Capanema e abrir três pontos de vantagem na liderança.

* Adianta no caso do Guaratinguetá, ter vários empates e apenas uma derrota e aí trocar de técnico para perder na estreia do novo comandante?

* Preocupante a má forma de América-RN e Vila Nova. Será que os pacotes de salvação não terão resultados?

* Jogador destaque da semana: Jean, atacante do Brasiliense. Jean Carlos da Silva Ferreira tem 28 anos e começou a carreira no Flamengo. Passou por Cruzeiro, Saturn, Vasco, Corinthians, Fluminense, Sharjah (EAU) e Santos. Chegou em abril ao Brasiliense e disputa a Série B pela primeira vez. Fez dois gols para o Jacaré na vitória de 3 a 0 sobre o Vila Nova no Serejão.

Eco da Semana

Já que recordamos o Goiatuba e o Barra do Garças, lembremos de dois duelos entre os goianos e os matogrossenses em 1995. No dia 17 de setembro de 1995, o Goiatuba venceu em Goiás por 2 a 1. No dia 24 do mesmo mês, na rodada final da primeira fase, empate em 0 a 0 no Mato Grosso. O Barra do Garças foi rebaixado e o Goiatuba se classificou, parando na segunda fase, quando foi eliminado num grupo com Coritiba, Bangu e Americano.

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