Kaká fora

Custo a acreditar que haja gente que engole o discurso de Dunga quando ele tenta atribuir a Kaká a responsabilidade por sua ausência nas Olimpíadas. A postura da Fifa sobre o torneio olímpico é muito clara: as equipes podem escalar três jogadores acima de 23 anos, mas os clubes não são obrigados a liberá-los, ao contrário dos jogadores dentro da idade limite.

Dunga e a CBF agem como se o Milan, por caridade, fosse liberar Kaká da pré-temporada do clube (algo que na Europa, ao contrário daqui, é levado a sério) sem ser obrigado. Pior: agem como se o brasileiro tivesse a obrigação, o dever cívico e moral, de colocar seus empregadores contra a parede. Um raciocínio tão antiquado quanto covarde.

Ninguém na CBF pensa duas vezes ao vender amistosos inúteis em que é exigida pelos contratantes a presença de seus principais jogadores, Kaká incluído. Seria uma boa os fãs do patriotismo hipócrita pensarem um pouco mais nisso antes de aceitar as bravatas do treinador. Um Zagallo piorado.

A busca incessante pelo tal “título que falta ao Brasil” faz com que as pessoas atribuam ao torneio olímpico de futebol uma importância desmedida. Ele tem sua relevância, assim como têm os Mundiais sub-17, sub-20 e afins. Tudo bem, cada um dá a importância que quiser, mas é preciso que os fatos sejam coerentes com ela. E a preparação (ou falta dela) do Brasil não é.

Melhor para Kaká ficar fora disso.

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Equipe Trivela

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