Joguinho bunda

Em pílulas, minha visão sobre o jogo do Brasil:

Foi muito ruim a estréia do Brasil nas eliminatórias da Copa da África. Não só pelo fraco – e covarde – futebol apresentado, mas principalmente pela falta de perspectivas para o futuro. Tivemos em campo jogadores que nunca deveriam vestir a camisa do Brasil em jogos oficiais, mas o pior é que os melhores do mundo também estavam lá, e o futebol apresentado pelos dois grupos foi parecido.

Sem falar na convocação, que fica para o fim, é possível dizer que o Brasil foi a campo com a escalação mais lógica, pelo menos do ponto de vista tático. A idéia de jogar com Kaká, Ronaldinho e Robinho atrás de um atacante é interessante, e pode funcionar. Porém, não do jeito como foi na Colômbia. Para começar, é preciso definir melhor como cada um dos três vai atuar, e certamente não é com Ronaldinho de ala esquerdo e Kaká de ala direito, como aconteceu na partida de domingo. Mais que isso: é preciso definir como vai jogar cada um e treinar isso. O que o Brasil não parece ter feito.

Não acompanhei todos os treinos da Seleção antes do jogo, mas acompanhei alguns deles, e fiquei surpreso de ver que o time treinava rapidinho algumas jogadas de ataque contra defesa, depois parava e ia treinar arremate, essas coisas. Se em um time que joga junto todo fim de semana isso pode funcionar, não funciona em uma equipe que se reúne pouco, e que quando se reúne joga cada vez com uma formação e um esquema diferentes.

A melhor hipótese a se considerar é a de que Dunga sabe que o Brasil tem adversários muito fracos nas eliminatórias, e que, já que vai se classificar mesmo, pode aproveitar o período para testes. A pior é bem diferente: o treinador não tem noção alguma do que faz no cargo, não sabe direito o que fazer o com a equipe e espera que, como tem acontecido até aqui, o talento dos jogadores o socorra nos momentos ruins.

Na partida, portanto, o esquema testado não funcionou. Kaká sumiu, Ronaldinho ficou isolado e Robinho, que está longe do nível dos outros dois, parecia, além de tudo, fora de forma. O Brasil não ameaçou a Colômbia, mas pelo menos conseguiu minimamente tocar a bola no ataque. Minimamente.
Se mudar o esquema no meio da partida era impossível, Dunga tentou mudar as peças. E só errou. Primeiro ao colocar em campo Julio Baptista como meia, e não como atacante. Parece que eu vou morrer pregando no deserto: o jogador do Real Madrid passa mal, não tem domínio de bola, é lento e marca mal. Tem, porém, grande força física e arremata bem de cabeça e com o pé. Normalmente, não jogaria na Seleção, mas, na atual crise de atacantes, se aproveitado nesta posição poderia render o que a equipe precisa. Dunga, porém, o colocou no meio, onde não serviu para absolutamente nada – como sói acontecer sempre que atua no setor.

(continua)

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Equipe Trivela

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