Joguinho bunda (2)

(continuação do post abaixo)

A segunda alteração, com metade do segundo tempo jogado, parece tão inexplicável que o treinador da Seleção certamente deve ter alguma explicação para ela que foge à compreensão normal. Quando tirou Vagner da equipe para colocar um volante, Dunga pareceu estar tentando garantir o empate. Nenhum problema em fazer isso, não fosse o fato de que o time colombiano não ameaçava o Brasil com contundência. E de que faltava tempo pra burro para o jogo acabar. O atacante a menos foi a senha para o adversário, que partiu pra cima com ímpeto, e não chegou ao gol porque, de fato, não tem mais talentos como os que teve um dia.

Quando tirou Kaká de campo para colocar Afonso, Dunga, foi bem Dunga: pôs o atacante em campo só para não dizer que o convoca por teimosia. Afonso, é evidente, não fez nada, como não poderia ter feito. Se nem Ronaldo poderia, como é que um atacante do Heereenveen (eu sei, eu sei) poderia?

Pelo menos em um setor, entretanto, é possível dizer que o Brasil teve um mínimo de padrão: a defesa. Se não foi 100% segura o tempo todo, pelo menos manteve o ataque colombiano suficientemente longe do gol de Julio Cesar. Mais do que isso: esteve quase sempre bem posicionada, cada um em seu ligar, sabendo onde tinha que estar e onde estariam os companheiros. Claro, na defesa é mais fácil, mas as defesas dos times brasileiros provam que não é bem assim. Se há algum motivo para otimismo na partida esse foi o padrão apresentado pela defesa – ainda que a má qualidade do adversário possa ter contribuído para que eventuais falhas não tenham aparecido.

Outro padrão apresentado pelo treinador tem que ser encarado pelo lado negativo: o da convocação. Parece que o treinador convoca pensando só no que a imprensa vai dizer, mas tentando parecer que é justamente o contrário. Assim, nomes como os de Afonso e Fernando, aparecem só em nome de uma suposta “coerência”. O meio-campo do Bordeaux até não é mau jogador, mas, na Seleção, está “queimado”. Se Dunga desse um tempo antes de convocá-lo de novo, poderia render mais. Até porque, o que adianta convocá-lo e não deixá-lo jogar? Quanto a Afonso…

As titularidades de Gilberto e Maicon também parecem equivocadas, assim como Dunga nunca ter convocado Maxwell, Rafinha e Miranda. Até aí, porém, é questão de opinião. O que o treinador consegue ver em Alex Silva, porém, talvez só Muricy Ramalho consiga explicar.

O Brasil é mal convocado, e não é treinado. Ainda assim, tem boas chances de chegar à Copa com facilidade. Até lá, pode ser que o time aprenda a jogar sozinho, como todos os times “treinados” por Zagallo tiveram que fazer. Ou pode ser que Dunga aprenda alguma coisa. O ex-capitão da Seleção Brasileira está longe de ser burro, ou seja, pode ser mesmo que aprenda. É lamentável, porém, que o treinador da maior Seleção do mundo seja um aprendiz mal orientado.

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Equipe Trivela

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