Itália: Campeões da apatia

por Mateus Lourenço Ribeirete

Sem um cérebro o corpo não opera, todos nós sabemos disso. O problema é que a Azzurra não possui nem um cérebro em campo nem na cabeça de seu nulo treinador, Donadoni. Para montar o time como uma criança vendada monta um quebra-cabeça de um milhão de peças, o técnico consegue, jogo após jogo, tornar o futebol da seleção cada vez mais previsível.

Sem um trequartista capaz de erguer a cabeça e encaixar jogadas ofensivas, é possível fazer cada vez mais com que nós, adeptos azzurri, soframos com um futebol medonho e mais apático que o normal (sim, Pirlo sabe fazer isso, mas não é trequartista). Enquanto jóias de uma nova geração como Aquilani e Rosina sequer entram em campo (o segundo, inclusive, não foi convocado), escala-se uma combinação de jogadores incapaz de criar situações perigosas de jogo.

Enquanto isso, Del Piero continua a ser sacrifricado em posições que de nada podem ajudar a pôr em prática seu avassalador potencial – e aí, toda vez que não atua como espera-se de um fuoriclasse, é sacrificado, menos ou tanto quanto Totti era. Quem sabe, continuando de tal maneira, é mais vantajoso para Alessà abandonar o barco e se concentrar com força total no seu clube. Além dele, outro responsável pela criação foi Camoranesi, um bom jogador e deveras esforçado, nada muito além disso.

Pode-se questionar, com razão até certo ponto, o fraco desempenho de Francesco Totti pela Nazionale, mas o fato é que, querendo ou não, ele é disparado o italiano com mais técnica e visão de jogo que possa atuar como trequartista, e há de fazer uma falta enorme neste período pré-Euro. Muitos gostam de perseguí-lo mas não lembram que o camisa 10 participou da maioria dos gols da Itália na Copa do Mundo e vinha de uma lesão que deveria tê-lo tirado do torneio.

Nitidamente, Roberto Donadoni não tem o preparo essencial para comandar a Azzurra, e seria melhor para todos a sua saída. Quem sabe até, com outro treinador, não ocorram os esperados retornos de Nesta e Totti. O fato é que, enquanto tal conservadorismo excessivo tomar conta da Itália (não que o país tenha um histórico ofensivista), a seleção continuará não criando absolutamente nada, e sofrendo para empatar com adversários como Lituânia e vencer outros como Ilhas Faroe. Aguardemos e soframos.

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