Inter: Vai ter bolo?

por Hugo Fernandes, Rodrigo Luiz e Nelson Oliveira

A pré-temporada

Depois da ótima temporada e das férias, o time embarcou para a cidade de Brunico, no norte da Itália, onde segue com a fase de preparação e amistosos. No primeiro amistoso a Inter encarou a seleção olímpica chinesa, e ganhou por 3 a 0. Na terça feira, dia 24 de julho, enfrentou o Partizan na cidade de Bolzano, vencendo com um gol de Ibrahimovic. Depois dos jogos, e da fase de preparação em Brunico, que foi de 14 a 25 de julho, o time ganhou dois dias de folga, e seguiu para Londres para jogar a Emirates Cup, um torneio amistoso, junto com o anfitrião Arsenal, PSG e Valencia. O primeiro jogo vai ser contra o Valencia, que se encontram quase seis meses após a polêmica na ultima Liga dos Campeões, quando o time espanhol eliminou a Inter com direito a uma briga feia no final que envolveu jogadores, técnicos e até dirigentes, e resultou em suspensões a Iván Córdoba, Julio Cruz e Nicolas Burdisso, pela Inter, e Carlos Marchena e Curro Torres, pelo Valencia. A Inter, recheada de jogadores das categorias de base e poucos jogadores do time principal, perdeu por 2 a 0 para os espanhóis que estavam com um time quase titular. No dia seguinte, a Inter enfrentou o Arsenal, e nas mesmas condições, perdeu por 2 a 1.

Depois da Emirates Cup, na quarta feira, dia 1º de agosto, o time enfrentou o Manchester, no Old Trafford. Chivu, jogando sua segunda partida pela Inter, atuou na lateral esquerda. Destaque para David Suazo, que fez dois gols, e é o maior destaque até agora na pré temporada. O outro gol interista foi marcado por Ibrahimovic. Rooney havia aberto o placar para o Manchester, mas a Inter virou ainda no primeiro tempo e ampliou no segundo. Adriano acabou marcando um gol contra, fechando o placar. Em seguida, o time voltou para a Itália para disputar o troféu Birra Moretti, no estádio San Paolo, com a Juventus e Napoli. Sagrou-se campeã, assim como na disputa do troféu Tim, realizado no Giuseppe Meazza, com o Milan e novamente a Juventus, com destaque para um golaço do uruguaio Recoba contra o Milan. Após a pré-temporada, o time jogará com a Roma neste sábado, dia 19 de agosto, na decisão da Supercopa da Itália. O Campeonato Italiano começa uma semana depois, no dia 26 de agosto.

Um centenário de esperanças

Para esta temporada, a Inter manteve as principais peças do elenco, inclusive muitos dos seus reservas de luxo, como Adriano, Julio Cruz, Santiago Solari, Walter Samuel e outros, além do time titular que, dentre algumas variações, o onze inicial mais utilizado foi: Julio César; Maicon, Córdoba, Materazzi e Burdisso; Cambiasso, Zanetti, Vieira, Stankovic; Ibrahimovic e Crespo. Levando em consideração que destes jogadores, os que não se lesionaram com alguma gravidade foram apenas Maicon, Materazzi, Zanetti, Stankovic e Ibrahimovic, com Julio César se machucando apenas no final da temporada, os reservas tiveram bastante chance. Dacourt, Julio Cruz, Solari, Grosso e Maxwell jogaram com boa regularidade, mas nenhum deles se firmou, talvez o Julio Cruz num momento em que nem Adriano nem Recoba (?) estavam aptos, e Crespo não estava numa boa forma. E para suprir essas faltas por lesões ou outros motivos, o hondurenho David Suazo foi contratado junto ao Cagliari em negociação confusa, onde o jogador negociou com os nerazzurri, mas o seu antigo clube negociou a venda com o rival Milan, mesmo sem o aval do atleta. Resultado: ele foi para a Inter, mantendo a palavra dada ao dono e presidente interista, Massimo Moratti, e fazendo o técnico Roberto Mancini voltar a ter uma veloz opção para o ataque.

Mesmo com o desempenho recorde na temporada – desempenho esse dito por muitos, incluindo os rivais, como obrigação de um time sem punição no CalcioCaos, algumas falhas foram vistas. Em todo o período o time não encontrou um lateral-esquerdo. O tetracampeão mundial Fabio Grosso, o brasileiro Maxwell, ex-Cruzeiro e Ajax, o interminável capitão Zanetti e até o zagueiro Burdisso quebraram um galho por lá em diferentes momentos, mas mantendo a lacuna aberta. Então, após semanas de uma negociação que em dado momento parecia perdida tanto para Barcelona quanto para Real Madrid, o defensor romeno Christian Chivu fez a própria vontade e finalmente assinou com o time de Milão, após ameaçar permanecer na Roma e sair a custo zero no ano que vem. A saída foi a melhor possível: 13 milhões de euros mais a co-propriedade do promissor zagueiro Marco Andreolli. A expectativa, ainda que não se saiba em que posição o atleta irá querer jogar, é a de que a lateral-esquerda finalmente seja preenchida com um jogador de nome e qualidade indiscutíveis – o que não aconteceu com o tetracampeão mundial Fabio Grosso, que antes mesmo do final das negociações, deixou Milão para jogar no Lyon, de Juninho. Antes do romeno, acertaram também os defensores Nelson Rivas, tido como promessa colombiana, de 25 anos, e Ivan Fatic, sérvio de 18 anos, que deverá integrar o elenco primavera – abaixo dos 21 anos.

O meio-campo também apresentou problemas. Com as lesões dos titulares, o volante francês Olivier Dacourt jogou bastante na temporada, tornando-se um dos preferidos do técnico Mancini. Mas o reforço vem do próprio elenco: Patrick Vieira. Ficando, dentre idas e vindas ao Departamento Médico interista, cerca de meia temporada fora dos gramados, o volante de ex-Arsenal e Juventus espera, assim como técnico e torcida, poder agarrar a posição de volante e não largar mais, justificando assim a sua contratação. Provavelmente formará, ao lado de Cambiasso e Zanetti, algo como uma linha de três volantes, no novo 4-3-1-2, esquema testado e aprovado na última época. A dúvida quanto ao esquema fica sendo a presença de Zanetti no meio-campo ou na lateral-direita, onde jogou a última Copa América, e qual esquema será utilizado de fato, o citado acima ou o 4-4-2 clássico, com a entrada do português Luís Figo na meia-direita. E, na meia, Stankovic teve desempenho excelente, Figo foi além das expectativas em razão de sua idade, mas faltou um reserva que ao menos mantivesse o nível, coisa que os argentinos Santiago Solari e Mariano González não conseguiram. González saiu rumando ao Porto, e para o seu lugar chegou o chileno Jimenez, vindo da Lazio, onde era reserva por divergências com o técnico, e deverá, da mesma forma, ser um bom reserva, provavelmente melhor do que o argentino que saiu.

Enfim, o que se espera para a temporada que está se começando é um futebol ainda melhor que o desempenhado anteriormente, com uma audácia maior do técnico Mancini e de alguns jogadores, fatores que foram determinantes para o insucesso nos momentos cruciais da temporada, como a derrota para o Valencia na Liga Européia, e a derrota para a Roma, adiando por uma rodada a conquista antecipada do décimo quinto scudetto de sua história. As perspectivas são boas.

Presente de grego?

Apesar de ter um elenco numeroso e com os supracitados reservas de luxo, alguns setores da equipe ainda podem ser reforçados. Comenta-se nos bastidores que Mancini pediu um meio-campista para Massimo Moratti. Se o técnico nerazzurro optar pelo 4-3-1-2, mesmo que mantenha o capitão Javier Zanetti como volante pela direita, na linha de três, podem faltar opções na reserva para a temporada, problema que acometeu bastante a Inter na última stagione. Dos volantes de origem que compunham o plantel, todos ficaram um tempo considerável longe dos gramados, inclusive ao mesmo tempo (Vieira e Cambiasso não puderam atuar na partida de volta, contra o Valencia no Mestalla), e dificultaram o trabalho de Mancini.

Além do número quatro interista, Stankovic também pode ser escalado nessa função, mas, assim, Figo, em sua provável última temporada, poderia ficar sobrecarregado. Jiménez chegou para a posição, mas não é um reforço top. Nos amistosos realizados, pôde-se observar Suazo mais recuado, municiando, com várias infiltrações pelas defesas adversárias, o ataque. De qualquer jeito, são alternativas com o que se tem no elenco no momento. Nomes como Lucho González, Emerson e Diarra já foram especulados nos jornais italianos. Para a posição de trequartista, o nome que mais saiu nos jornais foi o de Alexandre Pato, que acabou assinando com o Milan. O sempre comentado Messi também foi descartado por Moratti. Cassano é um outro nome que esfriou – acabou indo para a Sampdoria. Se nenhum reforço chegar, e, considerando o amor do presidente por Recoba, não seria espantoso que ele ficasse. Alguns jogadores, como César e Coco deverão ser negociados, enxugando o elenco e trazendo algumas divisas para Milão.

Com o elenco atual é possível ter uma temporada boa, sim. Mas, considerando os bons reforços das equipes medianas na Itália e também o upgrade feito por Juventus e Roma, por exemplo, a Inter pode ter dificuldades indesejáveis em âmbito nacional. Para a disputa continental, seus rivais parecem estar se reforçando de maneira mais convincente, e, se o objetivo é também o título da Liga dos Campeões, como já foi declarado por Stankovic e também por Ibrahimovic, a diretoria poderia estar mais atenta ao mercado. Alguns bons jogadores já mudaram de equipe neste verão europeu e Moratti ainda não trouxe o tão esperado presente para o centenário. Os reforços recém-chegados, apesar de úteis, não podem ser encarados como a cereja do bolo (que pode ser maior com o título) do centésimo aniversário.

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Equipe Trivela

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