Howard: A aposta que deu certo

Em dezembro de 2003, a conceituada revista European Sports divulgou sua famosa seleção do mês dos jogadores do Velho Continente. O camisa 1 desse esquadrão era um tal de Tim Howard, americano e titular do gol do Manchester United. Quer dizer que o melhor goleiro do mês de dezembro na Europa é um norte-americano? Aliás… tem um norte americano jogando no poderoso time inglês? A resposta para essas questões é sim.

Não apenas um objeto de marketing

O Manchester é sim um dos times mais ricos e poderosos do mundo, e muitas pessoas creditam essa riqueza à boa estratégia de marketing criada e desenvolvida por seus diretores.

A imagem de David Beckham foi vendida e chegou a lugares quase inexplorados de nosso planeta em relação ao futebol, como China e Índia, o que gerou em algumas pessoas a duvida se o astro inglês era bom mesmo ou puro marketing.

Inevitavelmente, o mercado cresceu para os Diabos Vermelhos. Com esse mercado aberto os Red Devils entraram em evidência no mundo do futebol, e parece que a idéia agradou os dirigentes do time inglês. A contratação de um goleiro norte-americano soava bem aos ouvidos dos dirigentes. Era evidente que os americanos, detentores de uma das maiores rendas do mundo e gastadores de mão cheia, precisavam de alguém para alavancar o mercado do soccer na terra do Tio Sam, e foi aí que apareceu o Manchester United.

O clube europeu não tinha o que perder: se não tivesse contratado um ótimo goleiro, ao menos iria colher dividendos e expor sua marca em outro continente e em uma das maiores economias do mundo. Porém, Tim Howard tinha o objetivo de não ser apenas um instrumento de marketing.

Vencendo adversários duros

Howard já podia se considerar um astro no futebol dos Estados Unidos, um ótimo goleiro, titular absoluto de um dos mais populares times de lá (NY/NJ MetroStars), era considerado excelente embaixo das traves e detentor de um reflexo apurado, o que lhe permitia fazer alguns ´milagres´.

Sua estatura, porém, é apenas mediana para um goleiro (1,90 m) e gerava duvidas quanto às saídas de gol. Indo jogar no campeonato inglês, que ainda usa bastante o jogo aéreo, sua missão se desenhava difícil.

Além de ter de superar essa deficiência, Tim ainda tinha que disputar posição com nada menos que Fabien Barthez (campeão mundial com a França em 1998), Ricardo, um goleiro revelação no futebol espanhol, e Roy Carroll, guarda-metas reserva da seleção da Irlanda do Norte.

Esses três concorrentes em si já geravam problemas grandes para Howard. Porém, ainda mais um obstáculo ainda precisava ser vencido em sua vida. Ele sofre de uma forma leve de um mal chamado Síndrome de Tourette, o que causa no goleiro movimentos e tiques rápidos e involuntários. Mas, para o arqueiro que havia sido considerado o melhor jogador da Major League Soccer em 2001, a síndrome não era uma deficiência, e sim um instrumento de ajuda para outras pessoas que sofrem com esse problema – hoje, Tim é Diretor da Associação de Apoio aos Portadores da Síndrome de Tourette.

Com muita garra, ´Timmy´ superou todos os adversários, ganhou a confiança de Alex Fergunson e foi recompensado quando o Sir deu-lhe a chance de iniciar uma partida como titular. Agora, o norte-americano é o dono da grande área do time inglês.

Mantendo a tradição

Dentre os torcedores dos Diabos Vermelhos não há duvidas: Tim Howard é o dono da camisa 1, aliás, da 14, na meta da equipe.

O ágil goleiro, que estreou no US Team em 2001, num jogo contra o Equador, parece que veio pra manter a escrita de bons goleiro norte-americanos. Seguindo a trilha de Tony Meola, passando por Kasey Keller e Brad Friedel, agora é a vez de ´Timmy´ brilhar.

A experiência que ele está adquirindo em sua passagem pelo clube inglês é uma ótima oportunidade de aprimoramento de sua técnica. Ele, que já treinou em clubes da Itália e da Holanda, tem a oportunidade de disputar duas das competições mais importantes no mundo: a primeira divisão inglesa e a liga dos campeões da Europa.

Para um jovem que era muito bom em basquete em sua infância, que nasceu em uma pequena cidade de New Jersey, a vida começou a mudar. Talvez ele ainda não tenha a dimensão de quão importante essa chance dada por Alex Fergunson pode ser para sua carreira – não apenas em contratos milionários, patrocínios fortes, mas sim em disputar uma Copa do Mundo com chance de ser destaque. E, só para lembrar, ano passado a Liga dos Campeões foi decidida nos pênaltis e teve Dida como herói. Neste ano, pode ser a oportunidade de Howard.

Se ele continuasse nos Estados Unidos, jogando no MetroStars, talvez fosse destaque por várias temporadas na MLS. Porém, esse não era o objetivo de Tim, que mesmo humilde cavou seu espaço, mudando jovem para um país distante, onde poderia nem ser aproveitado. Mas ele arriscou, acreditou em seu potencial e, se o Manchester United chegar a ser campeão inglês, boa parte desse título será destinada ao goleiro americano, que tem em suas costas o peso das comparações com Peter Schemeichel, dinamarquês que fez história no clube inglês nos anos 90.

Os gramados de Old Trafford serão o palco para vermos se Tim vai seguir ou não a trilha de bons goleiros norte-americanos. Mas de uma coisa os torcedores e dirigentes do Manchester United não têm dúvida: Tim Howard é mais que uma estratégia de marketing que deu certo.

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Equipe Trivela

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