Greve?

Um tema que tomou conta do noticiário nos últimos dias do mercado se transformou em ameaça de greve na Serie A italiana. Até que ponto um jogador descartado por seu clube tem direito a recusar uma transferência? Os casos de Júlio Baptista, na Roma, e Fabio Grosso, na Juventus, foram alguns dos mais discutidos, já que havia ofertas concretas pelos serviços destes jogadores e eles optaram por ficar em seus times, mesmo comunicados de que estavam fora dos planos.

Os clubes propõem que, no caso de atletas com um ano restante no contrato, seja possível a rescisão unilateral pagando 50 por cento dos salários restantes, na hipótese de ele recusar transferência para outro clube que lhe garanta o mesmo tratamento econômico e “condições homogêneas de competitividade”, ou seja, outro time da mesma divisão ou de um campeonato estrangeiro do mesmo nível.

Outro ponto de impasse diz respeito ao tratamento com médicos alheios ao clube. O último acordo coletivo previa o pagamento dividido das despesas entre jogador e clube. Agora, a Serie A quer o direito de impor a escolha do médico, e caso o jogador faça outra opção, teria de arcar com os custos sozinho.

O milanista Massimo Oddo, porta-voz dos grevistas, argumenta: “Somos trabalhadores como os outros, ter salários altos não pode significar ter menos direitos. A nossa não é uma ameaça, mas uma tomada de posição. Sempre pedimos para ser ouvidos sobre o que nos diz respeito, mas a Liga da Serie A não nos concedeu aberturas. Pedimos para ser tratados como pessoas e não como objetos”.

Os jogadores têm o direito legítimo de se defender e são tutelados por uma organização séria, a AIC (Associação Italiana dos Jogadores de Futebol, na tradução). Afinal de contas, contratos existem para ser respeitados.

No entanto, para que se exija um tratamento justo da parte dos clubes, é preciso também que os jogadores façam o mesmo. Afinal de contas, parece ser muito mais fácil para um jogador “se livrar” do clube que o contrário. Corpo mole, indisposição ou até mesmo recusa em jogar são artifícios de que vários futebolistas fizeram uso para forçar uma saída. E para que um contrato valha a pena, o ideal é que as duas partes estejam satisfeitas e sejam capazes de se entender pacificamente.

Colocando todos à mesa, é possível chegar a uma solução rápida que evite a greve, inicialmente marcada para a quinta rodada, dias 25 e 26 de setembro.

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