Goleada do São Paulo mostra que o Santos é favorito. Mas Leão pode ter viso uma luz no fim do túnel

O São Paulo tem muitas qualidades e elas estiveram presentes na goleada sobre o Bragantino, mas o que o jogo deixou claro é que há um favorito para a decisão do próximo domingo: é o Santos, que deve passar pelo Mogi Mirim. A vantagem que o São Paulo tem – viaja até Campinas enfrentar a Ponte enquanto o Santos vai a La Paz lutar contra a altitude – fica minimazada pela ausência de Luís Fabiano, justamente suspenso pelo terceiro cartão amarelo.

Leão tem muitos méritos. Montou um time raçudo, que não desiste nunca. Rápido, com jogadas pelas laterais e um grande centroavante. Voltou a fazer um gol de falta após um ano. Tem um bom elenco, com Casemiro, Osvaldo e Maicon no banco. Há muito o que comemorar, mas há dois erros persistentes e que fazem o título ficar longe.

Um erro é técnico e o outro é tático. Um é consequência do outro. O erro técnico é a dupla Piris-Paulo Miranda, muito inferior à Rhodolfo-Cortês. Piris marca pior e apoia menos que Cortes. E Paulo Miranda é mais baixo e menos seguro que Rhodolfo. Para melhorar sua defesa, Leão precisa fazer com que seu meio-campo ganhe força de marcação. Ele sabe disso, tanto que faz de tudo para Fabrício jogar. Mas erra ao não abrir mão do trio Lucas-Luís Fabiano-Fernandinho e isso é muito complicado.

Leão afirmou ontem que não tem um volante marcador. Não tem mesmo, nem Fabrício é assim. Rodrigo Caio é, mas não é segurança de boas partidas. Se não tem um volante marcador, o treinador precisa buscar alternativas. Uma delas seria fazer com que Lucas e Fernandinho marcassem mais, voltassem um pouco, impedissem a saída dos laterais, brigassem pela bola perto do meio-campo e dali saíssem em velocidade. Lucas até faz isso, mas Fernandinho não sabe. É jogador para ser lançado.

O time perde a luta no meio-campo. No primeiro turno, o Bragantino fez dois gols nas costas de Cortes. Ontem, atacou muito mais pelo outro lado, com Romarinho e Leo Jaime. Imaginem se for o Neymar e Ganso. E Borges. A solução mais utilizada por Leão é colocar Casemiro, avançar Cícero e sacar Jadson. É insuficiente. Casemiro precisa jogar. Ele, Denílson, Cícero e Jadson no meio. Lucas e Luís Fabiano no ataque. Fernandinho no banco. 

Sem ganhar o meio-campo, o São Paulo não ganha do Santos de Ganso e de Neymar. Não ganha do Corinthians.

O treinador parece ter percebido isso. Na entrevista coletiva, disse que Willian José não está escalado para domingo. Que está tudo em aberto. Talvez ele esteja pensando em escalar o queadrado Denílson, Casemiro, Cícero e Jadson, com Lucas e Fernandiho abertos. Não é ruim. Equilibra o meio e impede avanço dos laterais santistas. Os zagueiros, sem ter a quem marcar, poderiam avançar, mas não sabem fazer isso. 

Pode ser uma solução. A certeza é que, jogando com três atacantes, dará ao Santos o domínio no meio. Como Carpegiani cansou de fazer. E cansou de perder.

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Equipe Trivela

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