Exportação, safra 2007

Não é de hoje que o futebol do Brasil serve de combustível para a mão-de-obra qualificada dos grandes, médios, e até pequenos clubes europeus. Ainda que existam jogadores brasileiros com ampla reputação no Velho Continente, há outros que não se dão bem, muito pela equipe, ou até mesmo o país onde vão atuar. Problemas de adaptação são ainda igualmente recorrentes.

Pensando nisso, a Trivela e o Futebol Europeu prepararam um especial destacando o que pode acontecer na nova temporada européia com boa parte dos jogadores que até há pouco estavam nos principais clubes brasileiros. Quem pode se dar bem, quem tem a última chance da vida ou quem fez a escolha errada. Estas são algumas das questões a serem respondidas nas linhas abaixo. A conclusão, evidentemente, é particular.

Edição: Leonardo Bertozzi
Textos: Roberto Piantino, Gustavo Vargas e Dassler Marques

Josué (São Paulo -> Wolfsburg/ALE)

Considerado um dos jogadores de maior regularidade do futebol brasileiro nos últimos anos, notável desde seus tempos de Goiás, na incrível campanha de recuperação do esmeraldino no segundo turno do Brasileirão 2003, o volante Josué trocou, em 2005, a equipe do Centro-Oeste pelo São Paulo.

No clube paulista alcançou o máximo em nível de clubes, com títulos nacionais e internacionais. Famoso por formar uma das mais regulares e consistentes duplas de volante do país, juntamente com seu ex-companheiro Mineiro, o pequeno meio-campista deixou o São Paulo após se destacar na última metade da recém disputada edição da Copa América, vencida pela seleção brasileira na Venezuela.

Com propostas do futebol europeu após o título com a seleção, o jogador e o São Paulo optaram pela do Wolfsburg, clube bancado pela multinacional Volkswagen. Para isso, declinou as propostas de Real Murcia e Napoli, dois recém promovidos na Espanha e Itália, respectivamente. Aos 28 anos de idade, o jogador cruza o Atlântico em um momento mais tardio que outros, inclusive de menor categoria.

Sob o comando do “general” Felix Magath, Josué deverá disputar um lugar pelo centro ou pela direita na linha de três que compõe o meio campo da equipe, que tem atuado no sistema 4-3-2-1.

Com uma campanha apenas razoável, o Wolfsburg, que se reforçou consideravelmente nesta temporada para evitar os constantes riscos de rebaixamento das anteriores, ainda não encontrou uma identidade nem forma habitual de jogo. Parte da explicação reside nos métodos de trabalho impostos por Felix Magath, com grande ênfase à parte física durante a pré-temporada, aplicada por ele próprio.

A aventura do pequeno pernambucano por terras germânicas se iniciou na terceira rodada da Bundesliga, em uma partida contra o Schalke 04, na qual o Wolfsburg vencia e terminou cedendo o empate aos visitantes, após uma expulsão decorrente de dois cartões amarelos, do próprio Josué. Um fator que facilita sua adaptação no clube é a presença dos compatriotas Marcelinho Paraíba e Grafite no elenco. Além disso, Mineiro, seu ex-parceiro no meio-campo são-paulino, está a pouco mais de 200 km de distância, na capital Berlim. [RP]

Ilsinho (São Paulo -> Shakhtar Donetsk/UCR)

O ala/lateral Ilsinho, de 21 anos, arrebatado em final de contrato ao rival Palmeiras no ano passado, chamou atenção pelos valores envolvidos em sua transferência do São Paulo para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, destino de muitos – e jovens – brasileiros nos últimos tempos.

Por sua volúpia ofensiva, o jogador não deverá ser aproveitado como lateral no futebol europeu, mesmo em uma liga menor como a ucraniana. Mircea Lucescu, experiente treinador romeno do Shakhtar, já deixou claro que por ora o dono da lateral-direita é o croata Dario Srna, titular de sua seleção nacional.

O novo dono da camisa 11 do clube, que já conta com (prematuras) convocações para a seleção de Dunga, custou a bagatela de € 10 milhões ao bilionário local Rinat Akhmetov, mecenas do Shakhtar e que não tem economizado na busca de reforços para seu clube.

Apesar da atual condição de opção no banco de reservas, Ilsinho foi um dos destaques da equipe na recente vitória por 4-1 diante do Arsenal Kyiv pela Vysha Liga ucraniana, quando foi escolhido como melhor em campo, com um gol anotado. A vitória consolida a atual liderança da equipe no torneio.

Com um contingente brasileiro no clube mais importante do leste da Ucrânia, presume-se que a adaptação do jogador, com um contrato por quatro anos, não será das mais penosas. Haverá a chance ainda de ter boa visibilidade, sempre que o Shakhtar faça bom papel nas competições européias, como, no caso específico, da Champions League. O clube, porém, não possui um perfil meramente vendedor, o que pode dificultar uma possível saída em momentos de angústia durante o intenso inverno local. [RP]

Edcarlos (São Paulo -> Benfica/POR)

É improvável que Edcarlos, zagueiro revelado pelas categorias de base do São Paulo, tenha maiores problemas com a adaptação ao novo país, seus hábitos e novos companheiros. Contratado como substituto do ex-corintiano Anderson, que trocou os encarnados de Lisboa pelo Lyon, o jogador chega num momento agitado do clube, com o retorno ao comando do espanhol José Antonio Camacho após demissão de Fernando Santos.

Com um contrato por quatro temporadas, o jogador de 22 anos, que não figurava entre as primeiras escolhas de sua posição na zaga tricolor, terá logo de cara a oportunidade de disputar a principal competição européia pelo Benfica. A princípio, o jogador seria apenas uma opção aos compatriotas Luisão e David Luiz, mas, coincidentemente, as lesões se alastraram pelo setor defensivo do clube e o volante grego Konstantinos Katsouranis, improvisado, e Miguel Vítor, chamado às pressas na equipe de juniores, vêm compondo a zaga benfiquista nas últimas partidas. [RP]

Marcelo Mattos (Corinthians -> Panathinaikos/GRE)

Um dos pilares do conturbado Corinthians dos últimos dois anos, Marcelo Mattos, volante de 22 anos revelado pelo Mirassol, da cidade homônima do interior paulista, chegou ao Parque São Jorge ofuscado pelos demais “galáticos” trazidos pela MSI.

Fundamental em seu primeiro ano defendendo o clube, Mattos já chamava a atenção de clubes europeus, como Real Betis, ainda antes de trocar o São Caetano pelo Corinthians. Foi no clube do ABC que se destacou na temporada 2004 e despertou o interesse do alvinegro.

Por vezes violento em demasia, o jogador, muito querido pela torcida corintiana, teve um 2006 opaco, naufragando juntamente com o restante do clube numa crise que ainda perdura. Especulado novamente como reforço de clubes europeus, como o Benfica, teve uma melhora com relação ao ano seguinte nesta temporada, se tornando um dos destaques, por sua liderança, de um time formado por garotos e desconhecidos.

De chute forte, boa chegada à área para aproveitar seu bom rendimento nas bolas aéreas, o jogador acabou negociado com o Panathinaikos. Logo deixou transparecer sua qualidade, e se tornou fixo na equipe, inclusive no clássico deste 3 de setembro contra o eterno rival Olympiacos, com placar final de 0-0. O cabeça-de-área tem potencial para, se confirmado, conseguir uma boa transferência para um centro maior da Europa em um futuro não muito distante. Enquanto isso deverá assegurar seu espaço no PAO e ajudar o clube na briga de foice contra seus principais rivais atenienses, além de aproveitar a baixa qualidade das demais equipes da liga para marcar seus gols em suas costumeiras subidas ao ataque e, assim, manter-se em evidência. [RP]

Wellington (Corinthians -> Mainz/ALE)

O lateral canhoto Wellington engrossou as estatísticas dos laterais brasileiros na Europa, onde muitos destes, por motivo de cultura tática, acabam convertendo-se em meias externos.

Sempre tão criticado em seus últimos clubes, Grêmio e Corinthians, Wellington, de reserva e defenestrado no Timão , rumou ao Mainz, da 2.Bundesliga, em busca de um bom contrato e da tranqüilidade que lhe faltava a cada cruzamento errado. [RP]

Willian (Corinthians -> Shakhtar Donetsk/UCR)

Alçado ao time principal do Corinthians em meio à crise e debandada geral na reta final do Brasileirão de 2006, o garoto Willian confirmou seu potencial, e, convocado para a disputa do sul-americano sub-20, que também garantia vaga para os Jogos Olímpicos, o jogador teve seu cartaz reduzido, por más atuações em grande parte influenciadas pelo seu mau posicionamento em campo, como pedia o treinador Nelson Rodrigues.

De volta ao Corinthians, em meio a desconfianças, o jogador se destacou logo no começo da temporada, tornando-se o único do elenco corintiano capaz de ocupar com certa qualidade a função de armação da equipe. Os rumores de uma possível negociação para o exterior aumentavam a cada boa partida, mesmo tratando-se de um jogador em formação, física inclusive, com nítidas deficiências técnicas-táticas.

Participante do elenco brasileiro no Mundial sub-20, novamente mal utilizado pelo treinador, sucumbiu juntamente com o restante da equipe, que terminou eliminada precocemente. Após o fiasco, retornou ao Corinthians, que deixara órfão e acéfalo por um mês, como “salvador da pátria”. Seus dois primeiros e únicos gols como profissional até o momento vieram contra o Atlético-PR no início de agosto.

A partir de então, o acosso do Shakhtar Donetsk tornou-se proposta oficial, e, por € 14 milhões, o jogador se juntou aos demais brasileiros em Donetsk, cidade industrial localizada em uma região de maioria russa, que almeja desde maior autonomia até a incorporação à vizinha Rússia.

Lá, além de vencer os primeiros obstáculos de adaptação a um ambiente totalmente diferente, terá a concorrência de Zvonimir Vukic, da seleção sérvia, além do também brasileiro Jádson, e, caso seja aproveitado como segundo atacante, terá pela frente o mexicano Nery Castillo, adquirido recentemente por € 20 milhões, quantia recorde paga pelo clube até o momento.

A incógnita maior reside no progresso de Willian em uma liga modesta como a ucraniana. Seu rápido sucesso e posterior transferência a um centro maior são fundamentais para a confirmação de seu atestado precoce talento. [RP]

Eduardo Ratinho (Corinthians -> CSKA Moscou/RUS)

Quando Eduardo Ratinho fez sua estréia pelo Corinthians em agosto de 2005, numa partida contra o Goiás pela Copa Sul-americana, os apressados de plantão logo diziam tratar-se de um futuro herdeiro de Cafu na seleção. Campeão nacional poucos meses depois, o jogador de boa qualidade técnica sofreu desde então com inúmeros problemas físicos, que jamais foram devidamente detalhados.

Com um ano de 2006 condicionado pelas lesões, seu retorno aos gramados com mais assiduidade deu-se neste ano, sempre em meio aos mesmos problemas de ordem física. Sua deficiência na marcação, mesmo num futebol com laterais pouco marcadores como o brasileiro, era gritante. Sua participação no último Mundial sub-20 será lembrada por muitos pela péssima atuação na partida contra a Espanha, que terminou com a eliminação brasileira do torneio.

Com seu nome ligado a transferências a clubes europeus, o jogador esteve prestes a acertar com o Benfica, mas o Corinthians acabou ordenando seu retorno. Agora, emprestado ao CSKA Moscou, que conta com outros cinco brasileiros, entre eles Jô, seu ex-companheiro de Corinthians, Ratinho espera finalmente reencontrar um melhor futebol, sem as lesões de sempre, e mais continuidade. No último final de semana o jogador deu o passe para o gol de seu companheiro Dawid Janczyk, que, no último minuto, selou o empate por 1-1 contra o rival Spartak pela Premier Liga russa. [RP]

Zé Roberto (Santos -> Bayern de Munique/ALE)

Adaptado ao país, costumes, idioma e a sua cultura futebolística, Zé Roberto, aos 33 anos, retornou ao futebol alemão após ano “sabático” no Brasil, onde defendeu o Santos e venceu o prêmio de melhor jogador em atuação no país, que lhe foi outorgado em dezembro de 2006.

Em seu ano de retorno ao futebol brasileiro, após quatro anos no Bayern de Munique, o jogador executou uma função muito mais ofensiva e solta que aquela que se habituara a cumprir na Europa, onde atuava como meia externo pela esquerda. Seu brilho, aliado à falta de qualidade das equipes locais, ajudou a evidenciá-lo uma vez mais, principalmente após a disputa da Copa do Mundo. Zé Roberto terminou a máxima competição como, unanimemente, um dos únicos poupados por crítica e torcida. Brilhou em seus dez meses no futebol brasileiro, onde havia atuado pela última vez entre 1997 e 1998, por empréstimo, no Flamengo.

O jogador não participou da mais pífia campanha do Bayern nos últimos anos, que culminou com a não classificação do clube bávaro para a Champions League desta temporada. O retorno, já na metade da temporada 2006/2007 de Ottmar Hitzfeld, com quem já havia trabalhado anteriormente, e o novo ambicioso plano do clube de renovação do elenco, baseado em contratações de impacto, levaram Zé novamente ao sul da Alemanha. Em uma clara mudança do perfil conservador que se observava, há pelo menos, mais de uma década, o clube investiu € 70 milhões em contratações para a atual temporada, em nomes como Luca Toni, Miroslav Klose e Franck Ribéry.

Reconvertido em meia central, com postura mais defensiva, como atuava pela seleção brasileira, Zé Roberto é atualmente um dos indiscutíveis para Ottmar Hitzfeld no Rekordmeister, que já demonstra não possuir rivais à altura nas competições domésticas. No âmbito continental, o Bayern deverá contentar-se em disputar a menos glamurosa Copa Uefa, torneio que havia disputado pela última vez, e vencido, há onze anos, justamente por uma má classificação na Bundesliga do ano anterior.

Por sua polivalência, capacidade física e confiança do treinador e seus companheiros, Zé Roberto voltará a ser peça fundamental neste novo Bayern por pelo menos mais duas temporadas, quando expirará seu atual contrato com o clube. [RP]

Cléber Santana (Santos -> Atlético de Madrid/ESP)

Revelado pelo Sport Recife, e com passagens por Vitória e Kashiwa Reysol, o meia Cléber Santana chegou ao Santos em janeiro de 2006 e logo se destacou na equipe paulista sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, que retornava ao clube após demissão no Real Madrid.

Em poucos meses de Vila Belmiro se consolidou como um dos meio-campistas de maior consistência em atuação no futebol nacional, com grande capacidade física, chegada ao ataque e boa finalização. Suas boas atuações não passaram inadvertidas, e logo começaram a surgir os primeiros rumores sobre interesses de além-mar. Neste mesmo período, Cléber também colecionou alguns incidentes, como uma suspensão por agressão a um jogador rival durante uma partida do Campeonato Brasileiro.

No início de 2007 se intensificaram os rumores sobre uma mais que provável negociação com o exterior, com o nome do Atlético de Madrid, que realizava irregular temporada na Espanha, sempre presente.

Tal interesse acabou influindo no rendimento do jogador em seus últimos meses no futebol brasileiro. Com atuações cada vez mais apagadas e sem brilho, o meia virou alvo de críticas da torcida e imprensa. Com a eliminação do Peixe na última edição da Copa Libertadores da América, a venda de Cléber ao Atlético de Madrid acabou selada pouco tempo depois.

Com um contrato até 2010 com o clube colchonero , o jogador deverá brigar por uma posição de meia central, dentro do habitual sistema 4-4-2, com variação para 4-4-1-1, do treinador mexicano Javier Aguirre. Entre Cléber, Maniche, Raúl García e Thiago Motta, existem duas vagas na equipe titular. Dentre todas as opções, o ex-santista é quem possui características mais ofensivas.

Agora em um clube grande, porém adormecido, que realizou uma grande reformulação em seu elenco e, após algumas temporadas, retornará a disputar uma competição européia, Cléber deverá impressionar o ortodoxo Aguirre para conseguir uma vaga no onze titular. [RP]

Paulo Henrique (Atlético-MG -> Heerenveen/HOL)

Com apenas três gols anotados como profissional, o jovem atacante Paulo Henrique, de 18 anos, deixou o Atlético-MG para defender o Heerenveen, clube de médio porte, que na última temporada contou com o artilheiro da Eredivisie holandesa, o também ex-atleticano Afonso Alves.

Com uma estréia marcante pelo Galo, como autor do gol da vitória por 1-0 contra o São Paulo no Morumbi, Paulo Henrique já era velho conhecido dos olheiros holandeses, que o viram em ação no Torneio de Terborg, na Suécia.

Seu contrato por três temporadas, com opção a outras duas, em um clube médio, onde a pressão é infinitamente menor que nos grandes clubes brasileiros, pautados pela precipitação e imediatismo, o jogador deverá vencer as barreiras culturais e um estilo diferente de jogar para, talvez, buscar conseguir na Holanda feitos parecidos aos de Romário, Ronaldo, e, claro, Afonso Alves, convocado por Dunga e eleito o melhor jogador da última temporada, de quem já é companheiro de clube. [RP]

Diego (Atlético-MG -> Almería/ESP)

Um dos goleiros mais promissores do futebol brasileiro, o jovem Diego Alves Carreira, de 22 anos, já era apontado como futuro craque da posição mesmo quando, ao ser convocado para a Seleção sub-20, perdeu a chance de assumir o gol do Atlético-MG em 2005, oportunidade que acabou nas mãos do também jovem Bruno.

Com a saída do “rival”, Diego se firmou no clube mineiro durante a disputa da Série B em 2006, com destacadas atuações. Já na temporada 2007, Diego colecionou inúmeras marcantes partidas, como a contra Corinthians, no Morumbi, pela terceira rodada do Brasileirão deste ano. Àquelas alturas era apontado como provável reforço da Lazio, que buscava um jovem goleiro que pudesse assumir o posto do veteraníssimo Ballotta após a aposentadoria de Angelo Peruzzi.

Diego, detentor de cidadania italiana, finalmente teve sua transferência ao futebol europeu confirmada, ao pequeno e recém ascendido Almería, clube do sul da Espanha, que na campanha de acesso à primeira divisão contava com o experiente holandês Sander Westerveld debaixo das traves. Além de Diego, os almerienses contrataram o também jovem goleiro David Cobeño, emprestado pelo Sevilla, onde não contava com a confiança da comissão técnica quando era chamado a suprir a ausência do titular Andrés Palop.

Neste começo de temporada, Diego acabou preterido ao espanhol, e deverá desde já lutar pela posição. O Almería, embora modesto, possui alguma possibilidade de permanecer na primeira divisão espanhola, o que, para Diego, seria excepcional para manter-se em evidência, mesmo que a disputa pela posição de titular dure além do esperado. [RP]

Lima (Atlético-MG -> Betis/ESP)

A chegada de Héctor Cúper ao Real Betis significa, entre outras coisas, que o treinador argentino começará a estruturação da equipe a partir de uma sólida base defensiva. Com zagueiros que não inspiram confiança como Melli e Rivas, o clube investiu na chegada do brasileiro Lima, um dos destaques do Atlético-MG nos últimos anos.

No clube mineiro desde o início de 2004, Lima viveu a queda e ascensão do Galo , firmando-se como um indiscutível titular da zaga em meio às dificuldades e turbulências enfrentadas pelo clube, com rebaixamento à Série B incluído.

Detentor de potente chute, além de bom posicionamento na área e ótimo nas bolas aéreas, Lima chegou ao clube andaluz como jogador comunitário, por possuir também a cidadania italiana. Dos € 3 milhões desembolsados pelo Real Betis para tê-lo, metade será destinada ao Corinthians de Alagoas, seu clube formador e grande exportador de “pé-de-obra”.

Por suas características e carências do elenco na posição, é esperado que Lima se torne um dos pilares defensivos deste Real Betis, que tenta voltar a um patamar de outrora, quando brigava na metade alta da tabela de classificação. [RP]

Lucas Leiva (Grêmio -> Liverpool/ING)

Lançado pelo tricolor dos pampas durante a reta final da Série B de 2005, o volante Lucas Leiva sempre foi tido como um jogador de técnica refinada e personalidade fora do comum. Logo de cara, participou da fatídica “Batalha dos Aflitos”, partida que culminou na volta do clube à elite do futebol nacional.

No ano seguinte, com a titularidade absoluta e total confiança do técnico Mano Menezes, apareceu como figura essencial na conquista do Campeonato Gaúcho e foi eleito o melhor de sua posição no Brasileirão.

Em 2007, além de participar do vice-campeonato da Libertadores da América, ostentou a braçadeira de capitão da seleção brasileira sub-20 na conquista do Sul-Americano do Paraguai, competição que deu ao país uma vaga nas Olimpíadas de Pequim. Por outro lado, uma lesão muscular o tirou do Mundial da categoria (sua ausência é lamentada até hoje). Trajetória invejável para um guri de 20 anos. Trajetória que o fez ser negociado com o gigante Liverpool, atual vice-campeão europeu, ainda no mês de maio.

Na Inglaterra, Lucas precisará suar muito. A concorrência com Mascherano, Xabi Alonso, Gerrard e Sissoko aparece como o principal obstáculo para o atleta, cujo estilo de jogo – baseado no chamado box-to-box – encaixa-se perfeitamente ao futebol britânico. Até o momento, sua participação com a camisa dos Reds computa apenas amistosos e poucos minutos no confronto diante do Toulouse, válido pelas preliminares da Champions League. Algo que não abala a confiança do ex-gremista, nome certo em Pequim e, muito provavelmente, na Copa de 2010. [GV]

Alexandre Pato (Internacional -> Milan/ITA)

Para alguns, ele já deveria ser titular da seleção brasileira principal. Para outros, ainda precisa provar muita coisa. No entanto, ninguém tem dúvidas de que Alexandre Pato possui todos os atributos para causar um impacto monstruoso no futebol mundial.

Principal fruto do espetacular trabalho de base feito sob o comando do presidente Fernando Carvalho no Internacional, o até então desconhecido atacante Alexandre começou a chamar a atenção de todos durante a final do Estadual de Juvenis de 2005. Na oportunidade, o garoto ofuscou Anderson e ajudou o colorado a vencer o Grêmio em pleno campo suplementar do estádio Olímpico.

Um ano mais tarde, após brilhar na Copa SP e no Campeonato Brasileiro de Juniores, o garoto – já sob a alcunha de Pato – foi promovido aos profissionais pelo técnico Abel Braga. Em questão de meses, aniquilou o Palmeiras no Parque Antártica, ajudou o clube a conquistar o Mundial Interclubes – marcando, inclusive, um gol na semifinal diante do Al Ahly –, classificou o Brasil aos Jogos Olímpicos, ergueu a taça da Recopa Sul-Americana e foi vendido ao Milan por € 22 milhões, na terceira maior transferência de um brasileiro para o exterior. Tudo isso com apenas 17 anos de idade.

Com a contratação de Pato, os rossoneri mostram que, aos poucos, pretendem renovar o envelhecido elenco que Carlo Ancelotti tem em mãos. Por questões burocráticas, o prodígio atacante só poderá estrear em partidas oficiais no ano que vem. Até lá, treinará com os companheiros – entre eles Ronaldo, ídolo e provável tutor – e disputará amistosos. Uma agonia sadia para seus fãs e admiradores. Mas, principalmente, uma agonia cercada de grande expectativa para todos que apostam em seu futebol. [GV]

Lúcio (Grêmio -> Hertha Berlim/ALE)

Escorraçado pela exigente torcida do Palmeiras e emprestado ao Grêmio para a disputa da Copa Libertadores, o lateral-esquerdo Lúcio sabia que um bom desempenho na competição sul-americana poderia significar a salvação de sua carreira. E foi exatamente isso que aconteceu.

Com atuações inacreditáveis e empolgantes – principalmente em confrontos decisivos contra São Paulo e Santos – o franzino pernambucano de 27 anos, revelado pelo Unibol, despertou a atenção do futebol alemão. Resultado: foi vendido pelo clube paulista ao Hertha Berlim por cerca de US$ 2 milhões.

No Hertha, sem o cacoete defensivo para atuar na linha de quatro defensores natos utilizada pelo técnico suíço Lucien Favre, o “Maldini do Sertão” vem sendo escalado como meia aberto pelo flanco esquerdo, posição para a qual foi contratado. Ao seu lado no setor, juntamente com o jovem meia-direita Ebert e o experiente húngaro Dárdai, aparece o também brasileiro Gilberto, outro ex-lateral gremista adaptado à função de meio-campista no continente europeu.

O volante Mineiro, atualmente na reserva, e o recém contratado André Lima são os outros brasileiros de um plantel que possui carências e deverá garantir a Lúcio uma provável titularidade durante toda a temporada. [GV]

Ceará (Internacional -> Paris Saint-Germain/FRA)

A final do Mundial Interclubes do ano passado certamente ainda faz parte dos pensamentos diários do lateral-direito Ceará. Além de ajudar o Internacional a conquistar um inédito – e surpreendente – título diante do favorito Barcelona, o atleta, que possui em seu currículo passagens por Coritiba e São Caetano, saiu de campo com a façanha de ter anulado o craque Ronaldinho.

Negociado com o inerte Paris Saint-Germain, após optar por uma não transferência ao Real Betis no primeiro semestre, ele agora terá um novo desafio: provar que aquela atuação não foi uma mera obra do acaso. Dono de precisão nas bolas paradas, invejável disciplina tática e ótimas qualidades defensivas – atributos essenciais para um lateral na Europa –, Ceará deverá ter poucas dificuldades de adaptação à ortodoxa filosofia de jogo implantada pelo técnico Paul Le Guen.

O ex-colorado, que ainda trata uma lesão muscular, tem boas chances de barrar o mediano e irregular Bernard Mendy, intocável na posição desde o início da década. O francês não vem agradando a torcida parisiense, impaciente com as más campanhas do clube nas últimas temporadas (inclusive na atual, onde os comandados de Le Guen obtiveram apenas oito pontos em sete rodadas até aqui). Essa pressão por bons resultados em curto prazo poderá ser um empecilho para o brasileiro. [GV]

Carlos Eduardo (Grêmio -> Hoffenheim/ALE)

Com um futebol arrojado e uma insinuante perna esquerda, Carlos Eduardo pode ser definido como uma das principais revelações do futebol nacional em 2007. Aos 20 anos, o guri de Ajuricaba conquistou a torcida do Grêmio, sendo um dos principais nomes do time no vice da Copa Libertadores e despertando o interesse de diversos clubes do Velho Continente, entre eles o Benfica e o supracitado Paris Saint-Germain.

No entanto, numa transferência pouco convencional, o meia-atacante foi parar no desconhecido Hoffenheim – clube recém ascendido à 2.Bundesliga –, por cerca de valiosíssimos € 8 milhões. A transação reflete bem a atual conjuntura do futebol brasileiro, cada vez mais acostumado a perder suas promessas para mercados obscuros, porém emergentes, como o soviético e o asiático.

O Hoffenheim, na figura de Dietmar Hopp, mecenas do clube e um dos homens mais ricos da Alemanha, não tem poupado gastos em contratações e aposta sem medo em “Cadu” para conseguir o acesso à elite e, posteriormente, alçar vôos ainda mais altos. Contudo, a missão do canhotinho – que fez sua estréia na última segunda-feira (derrota de 3-2 para o Freiburg) – será bastante complicada. Em quatro partidas, a equipe comandada por Ralf Rangnick, ex-Schalke 04, conquistou somente um ponto e amarga a penúltima colocação. [GV]

Cássio (Grêmio -> PSV Eindhoven/HOL)

Destaque da conquista do Sul-Americano Sub-20 ao lado de Lucas e Pato, o goleiro Cássio é mais um exemplo de jogador que deixa o Brasil praticamente sem ter jogado pelo seu clube. Preterido por Saja, Galatto e Marcelo Grohe no Grêmio, o grandalhão de 1,95m chiou, reclamou, esperneou e conseguiu – com méritos, é verdade – uma transferência para o PSV Eindhoven, atual tricampeão holandês.

Ainda em processo de adaptação, o garoto de 20 anos aparece como a terceira opção do técnico Ronald Koeman, atrás do compatriota Gomes e do veterano Roorda, contratado junto ao Groningen. Apesar do comprovado potencial que possui, Cássio precisa lutar por um espaço maior caso queira brigar por um lugar na seleção olímpica que irá a Pequim. Uma boa opção seria seu empréstimo para alguma equipe menor do país durante o mercado de inverno. [GV]

Marcelo Boeck, Ediglê e Márcio Mossoró (Internacional -> Marítimo/POR)

Com poucas chances no Internacional, principalmente após a curta passagem do técnico Gallo, o goleiro Marcelo Boeck, o zagueiro Ediglê e o meia-atacante Márcio Mossoró atravessaram o oceano rumo à “terrinha”. Como destino, o Marítimo, time treinado por Sebastião Lazaroni e atual líder do Campeonato Português com 100% de aproveitamento nas três primeiras rodadas.

Enquanto Boeck foi comprado por € 500 mil e ainda não foi utilizado. Os dois últimos chegaram por empréstimo e têm aparecido regularmente nos gramados portugueses. O esforçado Ediglê, motivo constante de calafrios da torcida colorada, é titular absoluto da defesa e até já marcou gol. Mossoró, que busca em Portugal recuperar a forma dos tempos de Paulista, é a primeira opção de banco para o ataque, formado por Kanu, ex-Cruzeiro, e Makukula, centroavante de origem congolesa e que já defendeu o Sevilla.

Em um certame nivelado por baixo e marcado pelo equilibro entre os times médios, os três podem ser importantíssimos na luta por uma vaga na Copa da UEFA, objetivo primordial do Marítimo. [GV]

Carlos Alberto (Fluminense -> Werder Bremen/ALE)

O meia-atacante, campeão europeu com o Porto em 2004, volta ao futebol do Velho Continente como a mais cara contratação de todos os tempos do Werder Bremen. Nem por isso, Carlos Alberto tem sido tratado como a estrela da companhia, diferentemente de suas passagens recentes, e de pouco brilho, por Corinthians e Fluminense. Apenas no Parque São Jorge, em momentos esporádicos e em que estava em baixa, o meia conseguiu repetir o futebol do início da carreira.

O sucesso de Carlos Alberto também pode passar pelo posicionamento. O reforço do Bremen é um jogador que precisa jogar perto da área, especialmente pelo hábito corriqueiro de prender a bola, o que, no meio-campo, normalmente extermina a fluência de jogo da equipe. Próximo do gol tem ótima capacidade de drible e arremate, maneira com que obteve seu melhor jogo.

Como o Werder Bremen já tem Diego como referência na articulação ofensiva, o sucesso de Carlos Alberto pode chegar se ele for o elo entre Diego e Sanogo, atualmente o único atacante confiável do plantel de Thomas Schaff. Todavia, mais que isso, a cabeça e a disciplina do ex-Fluminense são, indubitavelmente, as principais chaves da questão. [DM]

Fágner (Corinthians -> PSV Eindhoven/HOL)

Alçado emergencialmente por Émerson Leão ao plantel corintiano no fim de 2006, o jovem Fágner demonstrou muita personalidade e algumas qualidades, responsáveis por lhe garantir uma posição de destaque razoável para o início do ano seguinte. Após outro bom papel no Sul-americano Sub-20, o lateral-direito optou por não renovar com o Corinthians, indo então para o PSV Eindhoven.

Alguns meses depois, sem ter chance alguma pelo PSV e voltar sem destaque por poucas semanas pelo Vitória, o jovem retorna ao Velho Continente para recuperar o tempo perdido. Exceção à regra brasileira, Fágner é um tipo de lateral que pode se manter na posição, pois sabe marcar. Entretanto, nos primeiros jogos, tem sido usado no meio-campo, onde já fez inclusive um gol no início tranqüilo do PSV na Eredivisie.

Por ter o selecionável Kromkamp como principal concorrente, seria salutar que Fagner fosse aproveitado mais à frente. Jovem e com tempo de sobra para se adaptar, além das capacidades já observadas, o brasileiro tem tudo para se dar bem a médio-prazo. E no Philips Stadion, isso é mais que habitual. [DM]

André Lima (Botafogo -> Hertha Berlim/ALE)

Centroavante forte e de certa mobilidade, André Lima conseguiu, sem ser titular do Botafogo, a vice-artilharia do Campeonato Brasileiro e uma pontual transferência para o Hertha Berlim. Ainda que tenha sido reconhecido como um recanto de brasileiros, nos últimos anos, jamais o Hertha conseguiu romper a barreira de clube fadado a posições intermediárias.

Um dos três principais nomes do time, o atacante sérvio Pantelic pode formar, com André Lima, uma dupla de primeiro nível na Bundesliga. O brasileiro, inicialmente, deve brigar com o nigeriano Okoronkwo por um lugar de titular, mas aparenta ter mais qualidades.

Rodeado por brasileiros – Lúcio, Mineiro e Gilberto – e vivendo bom momento, André Lima parece capaz, até mesmo fisicamente, de se estabelecer no competitivo futebol alemão. [DM]

Lenny (Fluminense -> Braga/POR)

O garoto Lenny simboliza o jovem jogador brasileiro que, mesmo talentoso, acaba por não emplacar na carreira por motivos externos. Tratado como estrela no Fluminense, muito por um início de grande futebol em 2006, acabou por viver meses terríveis de grave crise técnica e nunca mais conseguiu repetir os momentos magistrais.

Absurdamente jovem – tem ainda 19 anos – Lenny abriu mão de outras propostas no Brasil para buscar espaço no futebol europeu. No Braga, clube que vive a flertar com a vaga na Liga dos Campeões, precisará inicialmente brigar pela preferência de Jorge Costa, ex-zagueiro do Porto e treinador da equipe. Tecnicamente superior, o atacante pode trilhar um bom caminho se mostrar aquilo que pode.

Na equipe, que varia entre o 4-3-3 e o 4-4-2 em linha, Lenny brigará por espaço nos flancos do campo. O momento positivo de outro brasileiro, Wender, é um ponto a ser superado, mas o menor deles. O garoto, tratado como pérola nas Laranjeiras, deve ser considerado como apenas mais um. É provável que o Braga faça isso. Será melhor para todos. [DM]

Michael (Palmeiras -> Dynamo Kiev/UCR)

Por pouco, o ex-palmeirense Michael não foi apenas mais um entre os freqüentes casos de jovens queimados no Parque Antártica. Após um início difícil, em que sofreu com a já conhecida torcida do clube, o jogador se reencontrou a ponto de atingir posição de destaque no plantel, sobretudo nas mãos de Caio Júnior.

Inicialmente usado na lateral, Michael tem características nítidas de meio-campista. No 4-2-3-1, habitual do Palmeiras nos primeiros meses do ano, o jogador fez e bem o papel de meia à esquerda, onde inclusive já tem sido escalado no Dynamo Kiev. Lá, tem vários brasileiros para lhe acompanhar: Rodrigo, Rodolfo, Correa, Kléber e Diogo Rincón.

Jogador de incomum – para os brasileiros – mobilidade tática, Michael tem isso, além de sua qualidade, como trunfos para galgar um futuro interessante no futebol ucraniano e europeu. Contudo, sai do Brasil antes da afirmação como grande jogador, o que é cada dia mais natural, mas nem sempre deixa de ser ruim. Jogar a Liga dos Campeões será uma vitrine interessante para ele. [DM]

Geovanni (Cruzeiro -> Manchester City/ING)

Ídolo no Cruzeiro, mas com momentos ruins por Barcelona, além de outros irregulares no Benfica, o meia Geovanni parecia fadado a perambular por clubes médios do Brasil, embora ainda tenha só 27 anos. Mesmo com o insucesso de sua recente segunda passagem pela Toca da Raposa, o jogador foi indicado por Sven-Göran Eriksson, que lhe levou ao Manchester City.

Incrivelmente, Geovanni mostrou qualidades nos primeiros jogos pelo Manchester City. Fez, inclusive, o gol da vitória no clássico local, contra o United, algo que naturalmente lhe assegura uma estabilidade por algumas semanas. Utilizado pelos lados do campo, o jogador pode render se estiver bem fisicamente, o que não foi um fator constante em sua carreira e por conseqüência suscita interrogações. [DM]

Gladstone (Cruzeiro -> Sporting/POR)

Tratado como um bom zagueiro na Toca da Raposa, o jovem Gladstone, de 22 anos, ainda não repetiu o futebol satisfatório de sua estréia profissional: a finalíssima da Copa do Brasil de 2003. Lembrado até mesmo por Dunga durante uma convocação, o defensor é favorito para brigar por uma posição na seleção olímpica.

Emprestado ao Sporting, terá um ano para fazer o que não conseguiu na Juventus e no Verona, clubes que também já defendeu por empréstimo. Tem boa técnica e porte físico, além de jogar com naturalidade pelo lado esquerdo do miolo de zaga. Tem tido, inicialmente, a concorrência de Anderson Polga e Tonel, titulares há um bom tempo. [DM]

Leandro Lima (São Caetano -> Porto/POR)

Contratado com a responsabilidade de substituir Anderson, o meia-atacante Leandro Lima recebe tratamento similar ao de outras grandes contratações na história do Porto. Criticado durante o Sul-Americano e o Mundial, ambos sub-20, o jogador também não se firmou com a camisa do São Caetano, onde chegou a mostrar qualidades e fazer gols bonitos.

Jogador dedicado dentro de campo, Leandro Lima pode ter sucesso atuando aberto pelos lados do gramado, onde tem preparo físico suficiente para fazer bons jogos e até mesmo uma habilidade considerável para o padrão atual dos clubes portugueses. Mas Anderson, que saibam os portistas, ele não é. [DM]

Welliton (Goiás -> Spartak Moscou/RUS)

Principal nome a surgir no Serra Dourada nos últimos anos, o atacante Welliton foi um dos maiores destaques do clube nas campanhas da Copa Libertadores e Campeonato Goiano, especialmente este último, em 2006. Passados alguns momentos ruins na mesma temporada, o jogador ressurgiu com grande força no início do atual Campeonato Brasileiro.

Atacante que pode atuar em todas as funções de um ataque, Welliton foi adquirido pelo Spartak Moscou, clube onde recentemente fracassou o argentino Fernando Cavenaghi, artilheiro da Copa Libertadores em 2003. Se não quiser ser esquecido, o brasileiro precisará de muitos gols para chamar a atenção de outros centros maiores. A eliminação recente de seu time na fase preliminar da Champions League, não é exatamente um início promissor. [DM]

Rômulo (Cruzeiro -> Beitar Jerusalem/ISR)

O grandalhão Rômulo protagonizou leilões entre clubes brasileiros após o razoável Campeonato Brasileiro que fez pelo Grêmio em 2006. Vendido ao Beitar Jerusalém, após uma ruim passagem pelo Cruzeiro, o atacante engrossa uma lista cada vez maior de jogadores brasileiros a tentar a sorte no futebol de Israel.

Como concorrentes, Rômulo não tem adversários de peso, além de garotos fadados ao consumo doméstico israelense. Com 25 anos e calejado após uma passagem apagada pelo Mainz, o centroavante precisa, acima de tudo, se firmar: será seu 13º clube na carreira. E o Beitar, possivelmente, não foi novamente uma boa escolha, embora seja o atual campeão local. [DM]

Abedi (Vasco -> Hapoel Tel Aviv/ISR)

O Hapoel Tel Aviv, que vive momento ainda mais modesto que o Beitar Jerusalem, contratou o multifuncional e ex-vascaíno Abedi. Jogador bastante interessante, se destaca pelo vigor físico e pode cumprir todas as funções no meio-campo, embora não seja exatamente talentoso.

Bastante maduro, já que tem 28 anos e vivia bom momento, Abedi tem condições de se dar bem no afastado Israel. Por lá, tem as companhias de Fábio Júnior e Gabriel Santos, ex-Sport. Mas essa não é, efetivamente, o tipo de carreira que um jogador de suas qualidades deveria aspirar. O tratamento – referência mundial – oferecido ao filho do jogador, que tem leucemia, foi algo bastante decisivo para a transferência. [DM]

Paulinho (Flamengo -> Maccabi Haifa/ISR)

Jogador que viveu bons momentos na Gávea, o cabeça-de-área Paulinho já não é mais garoto. Embora não pareça, sobretudo pelo fôlego interminável, o ex-Flamengo já tem 31 anos e viu, com bons olhos, a ida ao Maccabi Haifa, também de Israel.

Sem perspectivas pelos principais países da Europa e com espaço reduzido entre os melhores clubes do Brasil, Paulinho certamente optou por uma estabilidade financeira.

Com postura profissional bastante elogiada no Flamengo, o jogador parece no nível, ou talvez acima, dos times israelenses. O Maccabi, entretanto, foi só quinto lugar na última edição local. [DM]

Renato (Vasco -> Maccabi Haifa/ISR)

Jogador dos mais elogiados no Atlético Mineiro dos últimos tempos, o meia Renato, tradicionalmente usado nas seleções de base, ainda busca o melhor rumo na carreira. Após cair com o Galo em 2006, o jogador teve poucos bons momentos no Corinthians, onde foi colocado pela MSI, detentora de seus direitos. A amizade de Paulo Angioni, posteriormente, o levou ao Vasco, onde ficou poucos meses e passou despercebido.

Com 22 anos, Renato tentará a sorte no Maccabi Haifa, longe esta temporada das principais competições européias. O clube, habitualmente usado pela MSI para a inda e vinda de jogadores, será a vitrine do meia, exemplo vivo de jogador que tomou as decisões erradas nas horas erradas. [DM]

André Moritz (Fluminense -> Kasimpasaspor/TUR)

O Kasimpasaspor foi um dos poucos clubes turcos que vieram buscar reforços no futebol brasileiro, ao contrário do que ocorreu nos últimos anos. André Moritz, que passou pela base do Internacional e fez poucos jogos pelo Fluminense, tem só 21 anos e pouca mobilidade como meio-campo ofensivo.

No Fluminense, mostrou qualidades no chute e na cadência de bola. Para se afirmar na Europa, ainda que tenha escolhido um clube bastante modesto, André precisará mostrar bem mais do que mostrou até hoje. [DM]

Weldon (Sport -> Belenenses/POR)

A saída de Weldon não foi bem digerida pelo Sport, que fazia questão de sua permanência em 2007, ano em que mostrava algumas boas qualidades. Como tinha vínculo com o Cruzeiro, o atacante foi obrigatoriamente transferido para o elenenses, que enfrenta o Bayern de Munique nos próximos dias pela Copa Uefa.

Naturalmente recheado por brasileiros, o Belenenses pode ser uma boa porta de entrada na Europa para jogadores médios como Weldon. Evandro Roncatto, ex-Guarani, é um que tem recebido elogios, e pode representar um parceiro interessante. As fracas passagens recentes por Troyes e Sochaux são agravantes para quem espera sucesso do centroavante ex-Sport. [DM]

Juca (Botafogo -> Partizan/SER)

Famoso por ser sobrinho de Paulo César Carpegiani, o volante e meia Juca fez alguns bons jogos por Botafogo, Internacional e Criciúma. Jogador de força física e bom chute de longa distância, o brasileiro peca pela falta de combatividade e principalmente presença dentro de campo. Nada disso, porém, é mais alarmante que seu novo clube: Partizan Belgrado, da Sérvia. [DM]

Vítor Hugo (Sport -> Partizan/SER)

Artilheiro do último Campeonato Gaúcho pelo Veranópolis, o centroavante Vítor Hugo chegou a ser cogitado por Santos e Corinthians, mas foi jogar no Sport. Poucas semanas após sua chegada a Recife, rapidamente se transferiu para o Partizan Belgrado. Jogador de pouca mobilidade e adepto do jogo duro dentro da área, possivelmente conseguirá gols. Difícil mesmo será lhes mostrar a alguém além dos torcedores sérvios. [DM]

Guilherme (Atlético-PR -> Lokomotiv Moscou/RUS)

Outro goleiro que trocou o Brasil pela Europa foi o jovem Guilherme Marinato. Negociado pelo Atlético-PR com o Lokomotiv Moscou, o jovem foi uma das poucas boas novas do clube paranaense ao longo do ano. Embora tenha demonstrado momentos de irregularidade, o atleta de 21 anos não deu brecha para que o colombiano Viáfara – contratado junto ao América de Cali – tomasse sua posição.

Na gélida Rússia, Guilherme será companheiro do zagueiro Rodolfo, ex-Fluminense, e do lateral-esquerdo Fininho, ex-Corinthians, fator que deve ajudar bastante na sua adaptação. Entretanto, num primeiro momento, dificilmente terá chances de barrar o italiano Pelizzoli, titular absoluto da equipe comandada pelo ucraniano Anatoly Byshovets.

O Lokomotiv enfrentará o Midtjylland, da Dinamarca, na primeira fase da Copa Uefa. [GV]

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Equipe Trivela

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