Estádio do Corinthians, nova proposta

O Corinthians, mais uma vez, anunciou um projeto para resolver sua falta de estádio próprio. Dessa vez, nada extravagante como mega-arena ou estádio em forma de distintivo. Aliás, a solução é mais prosaica e óbvia (e, por isso, até pode dar certo) do que qualquer outra: reformar, em parceria com a empresa LusoArenas, a Fazendinha para receber jogos pequenos.

Veja só: a diretoria fala com certeza até assustadora que terá concessão de uso do Pacaembu (discurso também da prefeitura, diga-se). Assim, a Fazendinha seria reformada para ter camarotes, conforto e segurança para torcedores, mas mantendo sua capacidade atual (15 mil torcedores).

Como as obras não seriam grandes, demorariam apenas seis meses. A idéia é mandar no Parque São Jorge os jogos com pequena expectativa de público e, quando o Pacaembu fosse fechado para reforma (2010), todos os jogos. Os clássicos – que iriam ao Morumbi durante as obras do Pacaembu – seriam exceção.

Parece legal, mas há um monte de buracos. Primeiro: não faz sentido gastar milhões na reforma do Pacaembu se fosse para só jogar clássicos lá. Então, o que será da Fazendinha quando o Pacaembu ficar pronto, lá para 2011? Considerando que o Pacaembu vire a casa do Corinthians a partir de 2011, quem é que vai investir em camarotes na Fazendinha, se ela só terá muitos jogos por um ano e meio e depois terá mais shows do que futebol?

Fiz essa pergunta ao Andrés Sanchez e ele não gostou muito: “O projeto da Fazendinha não está pronto. Você está supondo que haverá camarotes”. Não supus nada. E, para não obrigar ninguém a confiar na minha palavra, vou citar a notícia do site oficial do Corinthians a respeito do anúncio de modernização do Parque São Jorge (clique aqui se quiser ler na íntegra): “A nova Fazendinha terá camarotes, espaços para a convivência corporativa, praça de alimentação e cabines de imprensa. ‘O objetivo é que o torcedor chegue mais cedo ao estádio e vá embora mais tarde para que o estádio seja o mais rentável possível’, diz Marco Herling, executivo da LusoArenas, que atua desde 2001 no Brasil . A receita gerada com os camarotes e restaurante será do Corinthians. ‘Vamos transformar o estádio de fonte de custos para uma fonte de receitas para o Clube’, diz Rosenberg.”

Como a nova Fazendinha só será a casa principal do time por pouco tempo, o Corinthians pode apenas alugar os camarotes, é verdade. Mas, então, por que Sanchez fugiu da resposta e ainda tentou desmentir o “indesmentível”? Eu, realmente, só perguntei para saber se o time pensa em vender ou alugar os camarotes. Saí da coletiva sem saber qual o plano e com mais dúvidas do que certezas.

Não é só nesse aspecto que ficaram interrogações. O Corinthians estima que o investimento na reforma fique “entre R$ 5 milhões e R$ 13 milhões” (de novo, se você não acredita em mim, clique na notícia do site oficial). A diretoria diz que o próprio clube bancaria as intervenções. A LusoArenas só ajudaria a buscar recursos e a operar o estádio depois de pronto. Se os valores forem verdadeiros, dá mesmo para o clube pagar, mas um planejamento consistente deveria ter uma pequena variação entre custo mínimo e máximo, não de 260%.

A intenção do Alvinegro é começar as obras “o mais rápido possível” e entregá-las em seis meses, para a Fazendinha ser usada já no meio do Brasileirão 2009. Até dá tempo, mas ficou a sensação de que o projeto apresentado ontem, ainda que realista e de fácil execução, é só um esboço. E, como se trata de estádio do Corinthians, é sempre bom ficar com um pé atrás.

PS.: sobre o Pacaembu, os dirigentes dizem que falta pouco para assinar a concessão com a prefeitura. O clube imagina ampliar a capacidade e até comercializar o nome do estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho. Como não foram apresentados detalhes do que está sendo negociado, não dá para comentar muito. Mas, como envolve patrimônio público, vale a pena ficar de olho no que acontece.

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Equipe Trivela

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