Esquentando os Tamborins – parte 1

Como diria a Globonews: já é carnaval na Austrália! E neste blog, não poderia ser diferente. Desafiado por Ubiratan Leal a escrever um post que misture futebol e escolas de samba, trago a avaliação de oito agremiações fictícias (mas não exatamente imaginárias). Hoje, começaremos com as de São Paulo; amanhã, concluiremos com as do Rio. Ao final dos posts, palpites sobre o que pode acontecer (agora de verdade) no Anhembi e na Sapucaí.

G.R.E.S. Queridinhos de Itaquera

A antiga Sofredores de Parque São Jorge, mudou de nome, mas manteve a sua aura maloqueira. Construindo, enfim, a sua quadra própria com isenção de impostos, a escola viu seu presidente deixar o cargo para assumir uma posição importante na Liga que organiza o desfile. Motivos suficientes para que seus oponentes temam pelo pior na hora que os envelopes com as notas forem abertos. Sem falar na predileção do influente Rei Momo aposentado, que mantém fortes laços com toda a cúpula da gentalha do samba.

Suspeitas à parte, a atual campeã tem feito um bom trabalho em seus desfiles. Mantendo regularidade, conta com uma equipe que garante boas notas em todos os quesitos. Por isso, é favorita em qualquer Carnaval de pontos corridos, embora ainda não apresente um brilho convincente quando se trata de encarar uma folia em mata-mata.

Seu carnavalesco acusa os colegas de falarem muito, preferindo manter bem escondidos os segredos de seu bem organizado barracão. E por falar em barracão, a fiel torcida pode sempre contar com as confusões em caixa alta de seu mestre-sala. Contanto que ele apareça nos ensaios e não fique preso numa roda de samba no Capão Redondo, claro.

G.R.E.S. Soberba da Vila Sônia

As últimas semanas antes do desfile não trouxeram boas notícias à escola tricolor. Sua porta-bandeira machucou o ombro e terá de passar até 6 meses sem empunhá-la. Já seu mestre-sala, sofreu nova lesão na coxa, despertando nos componentes mais afoitos a desconfiança de que só foi contratado por um preço razoavelmente baixo por estar bichado. Sem as figuras mais tradicionais na defesa de seu pavilhão, resta à agremiação confiar nas revelações da sua escola-mirim, a Soberbinha de Cotia, para retomar a rotina de títulos.

Entre um farto gole de uísque e outro, seu patrono, Juvenal (que não é o Antena), garante que a escola é diferenciada, embora apresente os mesmos problemas que as outras. Os salários podem estar em dia, mas sempre falta um suplente para uma função fundamental, denunciando um certo gosto perigoso pelo improviso.

De positivo para o próximo desfile, a expulsão de algumas alas que não cumpriam o que prometiam e atrapalhavam a harmonia da Soberba. E é de uma cabeça branca lá da ala das baianas que surge a voz de comando, condenando os componentes que não trazem o samba na ponta da língua a mais uma série de polichinelos.

G.R.E.S. Acadêmicos da Depressão

A Academia do Samba já não é mais aquela de outrora. Do passado imponente, restou apenas um fio de esperança no verde de sua bandeira. Assolada por erros bizarros de gestão, não fosse o braço forte de seu consagrado e bigodudo diretor de carnaval, talvez a Depressão já tivesse se transformado em um bloco de sujos. Mesmo em fase de pouca inspiração, a escola normalmente começa bem os seus desfiles, até o inevitável momento em que suas fantasias começam a se desfazer pelo meio da avenida.

Mas nem tudo na agremiação remete à fossa de uma Quarta-Feira de Cinzas. Seus torcedores confiam nas implacáveis paradinhas da bateria de Mestre Marcos Assunção, responsável por praticamente todos os bons momentos da escola nos últimos anos. Por outro lado, já não fazem mais o mesmo sucesso os chutes no vácuo de sua porta-bandeira, que é a cara da Fernanda Torres e, para 2012, ganhou um mestre-sala que é a cara do Zé Ramalho.

Há também um certo clima festivo de Terça-Feira Gorda entre os componentes, mas Daniel Carvalho jura que toda aquela formosura é culpa dos anabolizantes que tomou, e depois não tomou mais, na Rússia.

G.R.E.S. Mocidade Dependente do Neymar

A escola da Vila Belmiro é a atual campeã do Carnaval da América, o que não quer dizer muita coisa, pois na Libertadores do Samba, as concorrentes se apresentam com tangos e guarânias-enredo Para sustentar os caprichos da cabrocha mais invejada da avenida, parte da folha de pagamento teve de ser sacrificada. O time feminino foi todo para a rua e agora a rainha de bateria brilhará sozinha, com a coroa equilibrada no moicano e seu físico de filé de borboleta mantido a muito sol, praia e guaraná. Mas ai de quem duvida de sua habilidade.

Apesar disso, nada de confete e serpentina enquanto o desfile não vem. “Aqui é trabalho”, brada o seu diretor de barracão, entre um marketing pessoal disfarçado de groseria e outro. A proposta é de mais um desfile tecnicamente perfeito, como os da muito vitoriosa Imperatriz Leopoldinense da década de 90.

Na prática, não é bem assim que a coisa funciona. A retaguarda não é lá muito confiável e os carros alegóricos costumam empacar na avenida. Fica a expectativa de que os donos das 72 fatias dos direitos econômicos e federativos de Mestre Ganso se acertem, para que a revelação se concentre em preparar a cadência perfeita para que a musa Neymar brilhe incessantemente.

Enquanto isso, no Anhembi…

Promessa de um desfile equilibrado. A principal favorita é a Vai-Vai, que além de ser a atual campeã, é a escola com maior número de conquistas no Carnaval de São Paulo. Normalmente, a maior ameaça à escola do Bixiga seria a Mocidade Alegre, que vem mantendo um desempenho bastante regular, vindo sempre com uma estética de fazer inveja a algumas escolas do Rio. Mas esta sofreu um incêndio em seu barracão e passou a ser vista como uma incógnita para 2012.

Outra que sempre está bem cotada é a Rosas de Ouro, mas ninguém sabe como o júri vai responder a um enredo onde Roberto Justus é coroado em um reino medieval fantasioso. Já a Gaviões da Fiel aposta na emoção, com seu enredo sobre o presidente Lula. Mas a comoção talvez não seja a mesma sem a presença do homenageado, vetado pelo departamento médico.

Se eu tivesse de apostar, ousaria e escolheria uma campeã inédita. A Tucuruvi vem em clara ascensão, foi vice em 2011 e pode se firmar de vez entre as grandes, tendo escolhido a África como tema. Outra boa opção é a Mancha Verde, que tem o melhor samba do ano em São Paulo. A inspiração do enredo vem do jogo de búzios, pregando o valor da humildade. De repente, comendo pelas beiradas, ela consegue desbancar as favoritas.

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Equipe Trivela

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