Especial – final da Liga Europa

Dois times que começaram desacreditados na Liga Europa chegam á final da competição. Ninguém poderia imaginar que o Fulham, pequeno time inglês, chegaria tão longe na competição, e derrubando times com mais tradição, histórica ou recente. Já o Atlético de Madrid viu na Liga Europa a oportunidade de se recuperar, depois de uma primeira parte de temporada péssima.

Atlético de Madrid e Fulham entrarão em campo na Nordbank Arena, em Hamburg, para se enfrentar pela primeira vez na história. Colchoneros e Cottagers serão adversários pela primeira vez na história em um confronto que vale título europeu. Para o Atlético, uma conquista europeia não é novidade. O time já venceu uma Recopa Europeia (61/62) e foi vice-campeão da antiga Copa dos Campeões, atual Liga dos Campeões (73/74). O time já foi inclusive campeão mundial ao vencer, em 1974, já que o campeão europeu daquela tempora, Bayern de Munique, se recusou a jogar contra os sul-americanos, acusados de violência em campo.

Para o Fulham, será o título mais importante da sua história. O time nunca conquistou um título de primeira grandeza no futebol inglês – foi campeão apenas de divisões inferiores. Conseguiu apenas ser vice-campeão da FA Cup, a Copa da Inglaterra, em 1975. Poderá conseguir um feito curioso: ser campeão europeu antes de ser campeão nacional.

Campanhas

A campanha do Fulham começou no dia 30 de julho, quando o time começou a Liga Europa na terceira fase preliminar. O time enfrentou o fraco Vetra, da Lituânia. No primeiro jogo, em Vilnius, passeio inglês: 3 a 0. Na última fase preliminar, o time enfrentou o russo Amkar Perm. Em Londres, os Cottagers fizeram 3 a 1. Na Rússia, derrota por 1 a 0, mas vaga garantida para a fase de grupos.

No grupo E, o time venceu o Basel duas vezes, empatou uma e perdeu outra para a Roma, empatou uma e ganhou outra contra o CSKA Sofia. Terminou em 2º no grupo, atrás da Roma, com três vitórias, um empate e uma derrota.

O Atlético de Madrid começou a temporada na Liga dos Campeões, mas a campanha na fase de grupos foi ruim. O time acabou em 3º lugar em um grupo que acabou com Chelsea em primeiro e Porto em segundo. Disputou o terceiro lugar, que daria vaga à Liga Europa, com o APOEL. Acabou empatado em pontos, mas venceu o confronto direto por ter marcado gol fora de casa – empatou por 0 a 0 em Madri e por 1 a 1 no Chipre.

A vaga na Liga Europa levou o time a enfrentar o Galatasaray na fase 16-avos de final. E pela má campanha na Liga dos Campeões, o time teve que decidir fora de casa. No primeiro jogo, no Vicente Calderón, empate por 1 a 1. No jogo de volta, uma vitória surpreendente por 2 a 1, com gol de Diego Forlán – que passaria a ser um dos nomes mais importantes do clube na competição.

Enquanto isso, o Fulham enfrentava o Shakhtar Donetsk, dono de uma campanha excelente na primeira fase e campeão da Copa da Uefa, torneio que antecedeu a Liga Europa. No primeiro jogo, vitória por 2 a 1. No segundo, os ingleses conseguiram segurar o 1 a 1 na Ucrânia e passaram às oitavas.

O Atlético de Madrid enfrentou, então, os portugueses do Sporting. Mais uma vez, o time não conseguiu vencer em casa: empatou por 0 a 0 em casa. Em Lisboa, empate por 2 a 2, com dois gols do argentino Sergio Aguero, outro destaque da equipe. As oitavas de final foi ainda mais cruel para o Fulham: a Juventus de Turim. No primeiro jogo, na Itália, vitória bianconera por 3 a 1. No segundo jogo, o time saiu perdendo por 1 a 0 e tudo parecia perdido. Depois de uma reação espetacular, o time virou para 4 a 1 e eliminou o time de maior torcida na Itália com autoridade.

Nas quartas de final, um confronto local marcou o caminho do Atlético de Madrid. O time enfrentou o Valencia, com o primeiro jogo no Mestalla. Em um jogo movimentado, o Atlético passou perto de vencer fora de casa, mas acabou empatando por 2 a 2. A decisão, no Vicente Calderón, ficou no 0 a 0 e os colchoneros chegaram á final novamente pelo critério de gols fora de casa.

O Fulham teve outra tarefa de Hércules. Enfrentou o Wolfsburg, campeão alemão da temporada passada, vindo da Liga dos Campeões. Em casa, porém, os Cottagers se impuseram e venceram por 2 a 1 – sendo que venciam por 2 a 0 até o final. O gol tomado nos minutos finais parecia ter sido trágico. Na Alemanha, o Fulham conseguiu surpreender ainda mais: venceu por 1 a 0 e eliminou os alemães.

A semifinal parecia o fim da linha para o Atlético de Madrid. O Liverpool, apesar da má temporada, parecia ter mais condições de avançar. O primeiro jogo, em Madri, foi favorável ao Atlético: vitória por 1 a 0, em um gol chorado de Forlán. Na volta, em Anfield, o Liverpool conseguiu vencer por 1 a 0 e levar a disputa para a prorrogação. Os ingleses marcaram de novo e pareciam caminha rumo à final, até que em uma jogada de José Antonio Reyes, Diego Forlán marcou novamente e definiu a classificação, mais uma vez pelos gols fora de casa.

Para o Fulham, o confronto novamente se mostrou difícil de ser superado. A equipe enfrentou o Hamburg, time da cidade sede da final da Liga Europa. Fora de casa, no estádio da final, os times ficaram em um empate sem gols que permitiu ao Fulham levar a decisão para Londres sem prejuízo. E no Craven cottage, o time fez o que conseguiu durante toda a competição: venceu por 2 a 1, de virada, e eliminou mais um favorito.

As armas

O Fulham chegou à final da Liga Europa por se destacar no conjunto, com um time muito bem armado por Roy Hodgson. O time se acertou no esquema 4-4-1-1, com duas tradicionais linhas inglesas, em um jogo rápido, direto e com o húngaro Zoltan Gera como o articulador de jogadas e o trindadense Bobby Zamora como o jogador mais avançado do time.

Um dos destaques da equipe ficou no banco de reservas na fase decisiva da campanha: o norte-americano Clint Dempsey, meio-campista ofensivo, e que foi decisivo no confronto com a Juventus. Os dois principais destaques do time são mesmo Gera, seis gols e quatro assistências na competição, e Zamora, também seis gols. Os dois têm sido decisivos para o desempenho surpreendente da equipe na Liga Europa. A defesa é segura, o meio-campo é bem distribuído, com um estilo de jogo bastante direto e de toques rápidos ao ataque. O ponto fraco do time é que o esquema é dependente demais de Gera, o que pode facilitar a marcação dos espanhóis no confronto. Como alternativa, o time pode colocar Dempsey em campo, mas corre o risco de perder a consistência que conseguiu com o atual esquema.

No Atlético, o técnico Quique Sanchez Flores atua em um 4-2-2-2, com dois jogadores mais recuados no meio-campo como volantes e dois jogadores que abrem pelos lados para criar jogadas para os dois atacantes e destaques da equipe: o argentino Sergio Aguero e o uruguaio Diego Forlán. Os dois são responsáveis pelas jogadas mais perigosas dos colchoneros, já que ambos se movimentam e chutam de fora da área com qualidade.

Aguero é mais habilidoso, tem velocidade e pode ser uma arma para abrir a defesa. Forlán consegue atuar bem dentro da área e sabe marcar gols, além de ter boa técnica. Além disso, mostrou ser decisivo nos momentos cruciais do time na competição. Para abastecer as duas estrelas, José Antonio Reyes e Simão Sabrosa armam pelos lados do campo e são os responsáveis por carregar a bola até a região mais perigosa, onde seus atacantes tem alto poder decisão. O problema do time é um só: a defesa não é confiável. Como o Fulham atua com um meio-campo forte, a chave para o confronto pode ser justamente os meio-campistas colchoneros, que podem impedir a defesa de ficar em apuros.

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