Era bom, sim

Não, não, não vou fingir que eu não disse o que eu disse: errei, sim, sobre o Fluminense. Acertei quando critiquei as contratações “midiáticas” e quando disse que Thiago Neves não era tudo isso, mas subestimei reforços como Conca, grande nome do Tricolor nas partidas diante do Sâo Paulo.

O Fluminense, ao contrário do que pareceu durante sua campanha de contratações, é um time equilibrado. Tem um grande zagueiro (Thiago) e outro que poderia ser melhor se optasse por jogar bola. Tem bons volantes que vieram da base, e tem Conca. Não vou insistir muito na tese porque gosto de admitir quando erro, porém tenho a sensação de que o que deu certo não foi bem o que a direção tricolor achou que ia dar. Ou seja: miraram no que viram (Dodô) e acertaram no que não viram (Conca).

É importante, entretanto, que a torcida do time das Laranjeiras não se comporte como seus rivais rubro-negros. Washington é goleador, mas não tem mais 20 anos. Dodô, em geral, não aparece na decisão, como não apareceu diante do São Paulo – sempre há uma boa desculpa para isso. E na Libertadores, experiência conta, e o Flu está afastado de decisões como a que terá pela frente há muito tempo.

Acho difícil passar pelo Boca. O Santos, porém, é inferior. Assim como LDU e San Lorenzo. O Flu só não pode achar que é favorito.

Do outro lado, é inegável que Muricy Ramalho é um treinador vitorioso, inclusive com o São Paulo. Mas a eliminação da equipe da Libertadores teve a marca dos defeitos do comandante são-paulino. Insistiu em seus preferidos Hugo, Dagoberto e Fábio Santos, como fez no ano passado com Leandro e Aloísio. E perdeu o jogo. Dagoberto, aliás, é um caso à parte: nunca jogou nada pelo São Paulo, mas é poupado pela torcida, que prefere acreditar que sua contratação não foi um erro caro.

Nos últimos dois anos, a teimosia do treinador mostrou seus frutos no Brasileirão: um time entrosado, e comprometido. No começo deste ano, alertei para isso: o trabalho é bem sucedido no médio prazo, mas não funciona a curto, e o São Paulo em 2008 queria a Libertadores.

Além disso, o time deste ano não vai ter tempo para ficar bom no modelo em que está jogando. A equipe é formada em torno de Adriano, que vai embora, e o Sâo Paulo não tem nenhum outro jogador com perfil semelhante. Ou seja: vai ter que começar tudo de novo.

Depois de passar três bons anos, parece que os são-paulinos vão passar por 2008 em branco. Ano passado, neste momento, disse que era hora de Muricy sair. Me precipitei. Neste ano, entretanto, está claro que a teimosia do técnico tricolor não será curada. Se a opção do Sâo Paulo for montar um time para ficar com em agosto todo ano, tudo bem.

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Equipe Trivela

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