Entrevista: Betão (Dynamo Kiev)

Você recebeu propostas para voltar para o Brasil, mas pereferiu ficar na Ucrânia. A vaga na Liga dos Campeões foi um dos fatores na sua decisão?

Na verdade, eu tive duas sondagens mais concretas. Estou com desejo de voltar, por causa do meu filho em especial, para poder criá-lo no Brasil; pela qualidade de vida e tudo mais. Como foi tudo muito sigiloso, não vou dizer o nome das equipes. Acabou não dando certo, mas tenho planos de iniciar já o próximo ano no Brasil. Mas, pensando pelo lado profissional, claro que participar da Liga dos Campeões é um grande motivo para querer continuar. Assim, dá pra unir o útil ao agradável.

O que você achou da volta de Andriy Shevchenko ao Dynamo?

Achei muito bacana, para mim é um prazer muito grande jogar com ele. Ele aqui é muito querido por todos, chegam até a fazer piada com os brasileiros daqui, falando que ele, para os ucranianos, é como o Pelé para nós. E ele é uma pessoa simples, humilde, vem conversar, perguntar do Campeonato Brasileiro. Até agora, só tivemos dois treinos com ele, e um jogo, pois ele teve que jogar pela seleção. Mas já deu pra perceber que ele é uma pessoa diferenciada, no toque de bola, nas habilidades. Ele é diferente da maioria dos ucranianos, por isso chegou onde chegou.

Depois de um ano na Ucrânia, como você vê as diferenças de estilo de jogo entre o futebol ucraniano e brasileiro?

Aqui se tem muita técnica e focam no passe da bola. Culturalmente, o futebol europeu tem essa diferença bem grande do sul-americano desde a base, onde se valoriza passe, domínio da bola, tática aplicada em campo. No brasileiro, se valoriza o talento individual, o drible, o fazer gols. São poucos os brasileiros que são apurados em passe, em cobrança de falta, etc.

Como foi a mudança de técnico, agora com Valery Gazzaev? Quais as alterações mais significativas?

Ele chegou com esquema tático diferente do anterior. Ele tem usado praticamente quatro atacantes, mas não sei se manterá isso na LC. Ele também é bem mais enérgico, e o anterior era mais tranqüilo. Seu esquema é bem ofensivo, jogamos praticamente o tempo todo na frente.

Na última temporada, o rival do Dynamo, Shakhtar Donetsk, foi campeão da Copa Uefa; porém, vocês conquistaram o título nacional. Qual vai ser o foco da equipe neste ano, manter a hegemonia na Ucrânia, ou lutar por título europeu?

O Dynamo, tirando a época do Shevchenko, não conseguiu mais uma boa campanha na Liga dos Campeões. Ano passado, estávamos bem, mas caímos. Íamos bem na Copa Uefa, mas fomos eliminados pelos nossos arquirrivais do Shakhtar, que acabaram vencendo. O Dynamo é o maior time da Ucrânia, e realmente ver o Shakhtar conquistar a Copa Uefa incomodou. Creio que a diretoria vai pensar em focar na Liga Europa, pois temos mais chances e não podemos deixá-los vencer de novo. Nem que isso acabe prejudicando o campeonato nacional.

Como você analisa seus adversários de grupo, e o que espera dele?

Acho que podemos pensar em dois pontos de vista: em um, vamos jogar contra o Barcelona, a Inter, seremos visto pelo mundo inteiro e, se jogarmos bem, teremos visibilidade. E, ainda, há o prazer de jogar contra esses grandes times. Vamos pensando em uma terceira colocação, pois tenho noção de que é muito difícil bater os dois. Acho que temos que focar na classificação da Liga Europa. Claro que a vontade é avançar, mas temos que ser conscientes.

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