Em dois gabinetes

No próximo domingo, cerca de 135 milhões de brasileiros irão às urnas para eleger, principalmente, o presidente da República. Mas não só: serão eleitos senadores, governadores, além dos deputados estaduais e federais (e, no caso do Distrito Federal, deputados distritais). Mais uma oportunidade para que alguns dirigentes de clubes aproveitem a imagem que conseguiram no futebol – e tentem a sorte nas urnas.

E isso nem é raro. São vários os exemplos de cartolas que conseguiram mobilizar as torcidas para serem eleitos – e até o inverso: de políticos que acabaram entrando para o esporte (caso de Patrícia Amorim, que já exerce seu terceiro mandato de vereadora na cidade do Rio de Janeiro, mas só agora conseguiu tornar-se presidente do Flamengo).

O novo Top 10 da Trivela se focará exatamente neste caso: de dirigentes – ou até políticos envolvidos com o futebol, de um modo geral – que tentarão a sorte nas urnas. E que poderão, caso eleitos, trazerem dividendos para seus clubes. Confira.

10) Beto Albuquerque

O deputado federal do PSB gaúcho já frequenta a Câmara dos Deputados desde 1999 – e tenta a reeleição para o que seria o seu quarto mandato. E, na sua longa carreira (que ainda inclui dois mandatos de deputado estadual, entre 1991 e 1999, e uma candidatura a prefeito de Porto Alegre, em 2004), sempre houve algum espaço para o Internacional. Beto é conselheiro e assessor da presidência do Colorado – e até entregou uma camiseta comemorativa ao presidente Lula, quando o time conquistou o Mundial de Clubes, em 2006.

9) Gustavo Perrella

Representa o próximo passo na linhagem dos Perrella que ocupam cargos no Cruzeiro e são candidatos. Gustavo está começando sua vida diretiva dentro do clube mineiro: em 2009, foi nomeado superintendente de gestão – para, no mesmo ano, tornar-se vice-presidente de futebol. E também começa sua carreira política: é candidato pela primeira vez, tentando se eleger deputado estadual pelo PDT, partido do pai Zezé.

8) José Rocha

O conselheiro do Vitória já exerce a atividade política há um longo tempo: concorre para conquistar o quinto mandato de deputado federal pela Bahia, agora pelo PR (começou os outros mandatos pelo DEM, de onde saiu em 2007). E Rocha é autor de um projeto de lei relativo ao futebol: fez um relatório propondo a alteração de alguns pontos da Lei Pelé, no que ficou conhecido como Lei do Clube Formador, sugerindo, entre outras mudanças, o aumento de 0,5% para 5% do repasse a clubes formadores quando os atletas são negociados.

7) Evandro Leitão

A candidatura a deputado estadual pelo PDT do Ceará representa um passo além na carreira do presidente do Ceará. Presidente que chegou ao topo no Vovô por um processo acidentado: sob a bênção do presidente do alvinegro de Fortaleza, Eugênio Rabelo, Evandro assumiu a diretoria de futebol do clube, em 2008, com plenos poderes.

Pouco depois, com a renúncia de Rabelo, Evandro foi eleito, em chapa única, para a presidência do Ceará. Com a campanha que levou o time de volta à Série A do Campeonato Brasileiro, foi reeleito, em 2009. No entanto, sua gestão causa celeuma: a torcida se divide entre partidários e detratores.

6) Valdivino de Oliveira

Não é só o Atlético Goianiense que enfrenta dificuldades. Seu presidente também tem uma carreira política acidentada: candidato a deputado federal pelo PSDB de Goiás, Valdivino foi condenado no começo do ano por improbidade administrativa: sobre ele, pesava acusação de ter concedido benefício fiscal à empresa Só Frango, enquanto foi secretário da Fazenda do Distrito Federal – cargo que ocupou nos governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda.

Além de ter sido vice-prefeito de Goiânia, entre 2004 e 2008, Valdivino também teve outra dor de cabeça: é presidente da Linknet, empresa apontada como a fonte de dinheiro para o caixa dois realizado na campanha de José Roberto Arruda ao governo do DF, segundo acusações de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais, que fez várias denúncias em relação à gestão do cassado Arruda.

5) Eurico Miranda

A derrota para Roberto Dinamite, nas eleições à presidência do Vasco, em 2008, representou a retirada de Eurico Ângelo de Oliveira Miranda da vida vascaína? É o que dizem os detratores. No entanto, Eurico tem se mobilizado internamente – afinal, ainda é conselheiro em São Januário.

E, com relação à vida política, Eurico continua em plena atividade: tenta, pela sexta vez, se eleger deputado federal, pelo mesmo PP em que foi eleito para tal cargo, em 1994 e 1998. Caso conquiste a volta à Câmara dos Deputados, com seu velho lema “pelo bem do Vasco”, será um fator a mais para fortalecê-lo na briga contra o desafeto Dinamite.

4) Silvio Torres

Eis o caso de um político que não é ligado a clube algum. Aliás, que sequer teve história dentro de um clube de futebol. Mas que, no entanto, acabou intimamente ligado ao esporte. Afinal de contas, o deputado federal do PSDB paulista – que já exerce o mandato pela quarta vez seguida, pleiteando a quinta – se notabilizou pela atuação forte no início da década, como relator da CPI CBF/Nike.

Foi o bastante para que os caminhos do nativo de São José do Rio Pardo começassem a ser frequentemente unidos com os do futebol. Continuaram a ser unidos com o lançamento de um portal na Internet, com a intenção de divulgar os gastos públicos para a Copa de 2014 – aliás, Silvio é presidente da Subcomissão de Fiscalização da Copa na Câmara. Com a aproximação da Copa, o deputado pode ganhar muita importância dentro do cenário nacional.

3) Paulo Odone

O gaúcho que tenta seu quinto mandato como deputado estadual, pelo PPS, ganhou importância no Grêmio antes mesmo de iniciar sua carreira política. Afinal de contas, em sua primeira passagem pela presidência do clube da Azenha, Odone viu o clube completar a impressionante sequência do hexacampeonato gaúcho – além do primeiro título da Copa do Brasil, em 1989.

Odone, então, assumiu o cargo de deputado estadual pela primeira vez, em 1992. Deixar o cenário interno gremista coincidiu com sua ascensão na política gaúcha – que desembocou na presidência da Assembleia Legislativa, em 1999. Porém, em 2002, a reeleição não veio. A metade da década, porém, representou novo crescimento para o empresário: não só ele recuperou a presidência do Grêmio, como foi eleito vereador por Porto Alegre, em 2004.

Sob sua gestão, o clube se recuperou da queda à Série B, chegando até mesmo à final da Copa Libertadores. E, em 2006, Odone foi eleito de novo deputado estadual. E 2010 representará várias tentativas: além de tentar manter-se na Assembleia, ele é, novamente, candidato à presidência gremista. E ganhou grande importância nos assuntos gaúchos para a Copa de 2014, ao ser secretário extraordinário para o Mundial, na gestão de Yeda Crusius. Importância que pode ser mantida, caso ele volte. Tanto ao Grêmio, como à Assembleia.

2) Roberto Dinamite

Ter assumido, enfim, a presidência do Vasco, em 2008, não significou o final da já desenvolvida carreira política de Roberto Dinamite. Até porque, agora, em 2010, ele tenta ser eleito pela quarta vez para deputado estadual fluminense, pelo PMDB.

Seria nada mais do que a continuação de uma carreira política que começou ainda em sua carreira como jogador: em 1992, seu último ano como jogador profissional, Dinamite foi eleito vereador do Rio de Janeiro, pelo PSDB. Dali a dois anos, o já ex-jogador tentou se tornar deputado estadual – e conseguiu, com mais de 68 mil votos.

Desde então, a cada quatro anos, Roberto tem conseguido a reeleição para o cargo. O que representou a manutenção de seu nome em alta. E o ganho de uma experiência que lhe foi útil, na hora de tentar vencer Eurico Miranda. E pode continuar sendo de grande valia, para manter-se em alta na política vascaína – apesar de seu nome já começar a receber críticas. E na política fluminense.

1) Zezé Perrella

O nome do atual presidente cruzeirense já impera na Toca da Raposa há muito tempo. Mas, na sua carreira política relativamente curta (apenas onze anos), Perrella pode estar prestes a chegar ao ponto mais alto, com esta eleição de 2010. Afinal, são boas as chances de entrar no Senado – como suplente de Itamar Franco, um dos líderes das pesquisas para o cargo em Minas Gerais.

Perrella começou sua carreira política quando já estava relativamente estável no Cruzeiro: era presidente do clube quando foi candidato a deputado federal, pelo então PFL, em 1998. Foi o segundo mais votado entre os mineiros. Tal ganho o credenciou a ser candidato a senador, em 2002. Fracassou: foi o quarto colocado.

Nada que perturbasse muito seus ganhos políticos: enquanto, junto do irmão Alvimar, continuava imperturbável no Cruzeiro, conseguiu ser eleito deputado estadual, em 2006. E, agora pelo PDT, uma eleição representaria sua chegada ao Senado. Quando, finalmente, se credenciaria como um dos grandes nomes da política relacionados ao futebol. Fora a manutenção quase certa de seu poder no Cruzeiro…

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Equipe Trivela

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